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Quem foi Maria Bueno, a 'milagreira' mais famosa de Curitiba

Retirada de placas de agradecimento no Cemitério São Francisco expõe história de fé em torno da jovem assassinada em 1893

Bruno Henrique
BRUNO HENRIQUE

16/03/2026 • 14:15 • Atualizado em 16/03/2026 • 14:15

Devotos de Maria Bueno, uma das figuras mais populares da religiosidade em Curitiba, protestam contra a retirada de dezenas de placas de agradecimento instaladas diante do seu túmulo no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, no centro da capital, episódio que reacendeu o interesse pela história da jovem assassinada em 1893.

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Quem passa hoje pela quadra 2 do cemitério percebe o muro antes tomado por placas metálicas de agradecimento agora vazio. As peças, deixadas ao longo de décadas, registravam graças atribuídas à intercessão de Maria Bueno, com relatos de cura, proteção e pedidos atendidos.

Para muitos devotos, esses objetos representam trajetórias pessoais de fé que atravessam gerações e ajudaram a transformar o túmulo da chamada 'milagreira de Curitiba' em um dos pontos de devoção popular mais visitados da cidade.

Retirada para manutenção no cemitério

Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que o túmulo de Maria Bueno não sofreu alterações estruturais. Segundo a administração do Cemitério Municipal São Francisco de Paula, a Irmandade Maria Conceição Bueno, responsável pela manutenção do local, retirou as placas a pedido da própria administração para viabilizar obras em encanamentos que passam pela área.

Ainda de acordo com a prefeitura, todas as placas continuam sob responsabilidade da Irmandade, e a direção do cemitério afirma estar aberta a discutir uma possível recolocação dos itens, desde que sejam respeitadas as condições técnicas e as normas do espaço.

Enquanto aguardam uma solução, fiéis seguem visitando o túmulo, acendendo velas, deixando flores e fazendo pedidos à jovem considerada por muitos como intercessora de causas difíceis.

O crime que deu origem à devoção

Maria Bueno, jovem, pobre e parda, foi assassinada em Curitiba na madrugada de 29 de janeiro de 1893. O corpo apareceu em uma área então erma, próxima ao traçado da atual avenida Vicente Machado, com graves ferimentos no pescoço.

O principal suspeito foi o soldado Ignacio José Diniz, com quem ela mantinha um relacionamento. Ele respondeu a júri popular em julho do mesmo ano, mas o Tribunal do Júri o absolveu por falta de provas, o que alimentou entre moradores a sensação de injustiça em torno do caso.

Do túmulo simples à capela mais visitada

Após o crime, relatos de acontecimentos considerados inexplicáveis começaram a circular entre moradores. Pessoas diziam ver velas que não se apagavam diante do túmulo simples de Maria Bueno e mencionavam uma roseira que teria nascido no local, o que atraiu curiosos e, pouco a pouco, devotos.

Com o passar das décadas, a devoção cresceu. Fiéis passaram a acender velas e deixar bilhetes na sepultura até que, em 1960, admiradores levantaram uma pequena capela no Cemitério São Francisco de Paula, transformando o espaço em um marco da religiosidade popular em Curitiba.

Hoje, o túmulo de Maria Bueno é considerado o mais visitado do cemitério e recebe pessoas de várias regiões do Paraná e de outros estados, que fazem promessas, agradecem supostas graças alcançadas ou apenas prestam homenagens. A devoção não é reconhecida oficialmente pela Igreja Católica, mas se consolidou como uma das tradições populares mais conhecidas da capital paranaense.