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Reconhecimento de paternidade já pode ser feito pela internet

Plataforma oficial dos cartórios permite inclusão do nome do pai na certidão de nascimento de forma gratuita e à distância.

João Marcelo
JOÃO MARCELO

22/07/2026 • 16:03 • Atualizado em 22/07/2026 • 16:03

Uma nova plataforma digital dos cartórios de registro civil já permite que pais reconheçam filhos pela internet e incluam o nome na certidão de nascimento em um procedimento gratuito, feito à distância e com participação da mãe, do pai e da criança.

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Como funciona o reconhecimento on-line

A ferramenta foi criada para pessoas que, por diferentes motivos, não têm o nome do pai na certidão de nascimento. No formulário on-line, a mãe informa os dados pessoais dela, da criança e do pai, além de anexar os documentos necessários.

Depois do envio, o suposto pai é acionado pela própria plataforma para confirmar o vínculo. Com o aceite, o pedido segue para o cartório de registro civil onde consta a certidão, que finaliza a inclusão do nome do pai no documento.

Segundo os responsáveis pelo sistema, o reconhecimento precisa ser voluntário por ambas as partes envolvidas.

De acordo com o vice-presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Paraná (Arpen-PR), Ricardo Leão, o procedimento é inteiramente gratuito.

“É uma gratuidade universal e não precisa comprovar renda, porque, da mesma forma que o registro de nascimento é gratuito, o reconhecimento de paternidade vai na mesma esteira de direito de ter essa gratuidade”, afirma.

Quando não há concordância do pai

Nos casos em que o homem não concorda em reconhecer o filho, a plataforma também oferece um caminho para que a Justiça analise a situação.

Para Ricardo Leão, o sistema facilita a abertura de investigações formais de paternidade.

“Ela pode indicar os dados, a qualificação, e o cartório que tem o registro de nascimento vai fazer os devidos encaminhamentos ao juízo competente para começar o procedimento de investigação de paternidade”, explica.

Campanhas e mutirões no Paraná

Dados do setor apontam que, nos últimos dez anos, mais de 1,5 milhão de crianças foram registradas apenas com o nome da mãe no Brasil. No Paraná, a campanha Meu Pai tem Nome, da Defensoria Pública do Estado, já atendeu mais de 4 mil casos de reconhecimento de paternidade.

Além do procedimento on-line, a Defensoria organiza mutirões em diversas cidades. Nessas ações, as famílias conseguem regularizar a documentação e, quando necessário, solicitar exames de DNA para auxiliar na confirmação do vínculo.

Impacto nos direitos das crianças

Na avaliação da Defensoria Pública, o reconhecimento formal de paternidade é decisivo para garantir direitos básicos às crianças.

O analista da Defensoria Pública do Paraná Hugo Carmagnani destaca que o registro completo interfere diretamente no exercício da cidadania.

“É uma medida indispensável para que tenha início o exercício de alguns direitos fundamentais, também ao exercício da cidadania por parte da criança. Sem o reconhecimento, ela fica inviabilizada tanto de conhecer a sua origem quanto de ter uma pessoa que preste esse apoio material e moral”, diz.

Segundo especialistas, além do aspecto afetivo, o reconhecimento de paternidade abre caminho para a efetivação de direitos como acesso a benefícios previdenciários, pensão alimentícia e herança.