Em seis dias, equipes da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) recolheram cerca de 35 mil bitucas de cigarro nas areias das praias do litoral do Estado, em ação realizada entre sábado (7) e esta sexta-feira (13), na véspera do Carnaval, para chamar atenção para o descarte de lixo à beira-mar.
O material somou 17,4 quilos e encheu mais do que dois carrinhos de mão. A quantidade representa apenas 1,3% das 257 toneladas de entulho retiradas das praias em 55 dias de trabalho, mas expõe o impacto do cigarro jogado na areia.
Mutirão nas areias de Caiobá
A iniciativa transformou a rotina de limpeza em uma espécie de gincana entre os trabalhadores, que contaram uma a uma as pontas encontradas. O gestor de educação socioambiental da Sanepar, Guilherme Zavataro, diz que a proposta foi usar a disputa para reforçar a mensagem aos veranistas.
"Foi uma brincadeira que propusemos, saber qual equipe somaria mais bitucas, com um objetivo maior: mostrar ao veranista que praia não é cinzeiro e que o lugar desses restos de cigarro não é na areia", explica Zavataro.
A pesagem das bitucas recolhidas desde o último sábado (7) ocorreu na manhã desta sexta-feira (13), nas areias da Praia Brava de Caiobá, em Matinhos. Segundo a Sanepar, a data foi escolhida por marcar a véspera do Carnaval, quando cresce o volume de garrafas, embalagens e restos de cigarro deixados na faixa de areia.
Risco para a água do mar e para animais
Cada bituca pesa no máximo 0,5 grama, mas pode contaminar quase 70 litros de água do mar, de acordo com técnicos da companhia. Além da liberação de substâncias tóxicas, os resíduos oferecem risco de engasgamento para tartarugas, aves e outros animais que circulam no litoral.
Os 17,4 quilos de pontas de cigarro recolhidos foram entregues à Associação de Coletores de Pontal do Paraná (Ancoresp), responsável pela separação e comercialização de recicláveis na região. A entidade deve encaminhar o material para uma empresa especializada em reciclagem.
Surpresa entre quem limpa a praia
Muitos dos trabalhadores que participaram da ação relataram surpresa com o volume de filtros recolhidos em menos de uma semana. Entre eles está Adriana Aparecida de Oliveira, de 58 anos, que atua na limpeza da praia em Caiobá e participa pela primeira vez da operação de verão.
"Na minha cabeça, pelo pouco tempo em que separamos as pontas de cigarro, não achei que íamos juntar tanto", afirma Adriana.
Ela conta que recolher e separar cada filtro exige esforço físico repetitivo, ao se abaixar diversas vezes para pegar o lixo acumulado na areia.
Como o folião pode ajudar
Adriana defende que banhistas e foliões assumam a responsabilidade pelo próprio resíduo. "Ajudaria bastante se cada um já trouxesse sua sacolinha de lixo ou uma latinha para levar para casa e destinar corretamente. Nossas praias são tão bonitas, vamos todos contribuir para mantê-las limpas por mais tempo", orienta.
A trabalhadora relata que já viu uma tartaruga morta na praia, engasgada por lixo deixado na areia, e considera esse tipo de situação um alerta para o cuidado com o litoral. Ao intensificar a limpeza e as ações educativas às vésperas do Carnaval, a Sanepar busca lembrar que o descarte incorreto de bitucas e outros resíduos compromete a preservação ambiental e a segurança de quem frequenta as praias.
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