
Saúde alerta sobre riscos de queda de idosos
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) emitiu alerta para a prevenção de quedas entre pessoas com 60 anos ou mais após registrar, no último ano, mais de 13 mil internações e 412 mortes relacionadas a esse tipo de acidente no Estado.
Quedas provocam internações e mortes
O Paraná tem mais de 2 milhões de pessoas idosas, o que representa 17,6% da população. Segundo a Sesa, esse cenário exige monitoramento contínuo, já que as quedas nessa faixa etária costumam provocar fraturas, perda de autonomia e complicações graves, além de estarem ligadas a declínio funcional e uso de múltiplos medicamentos.
Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) apontam 13.077 internações de idosos por quedas no último ano, com predominância entre mulheres, que somaram 8.021 registros, ante 5.056 entre homens. No período, ocorreram 412 óbitos; só na faixa acima de 80 anos foram 226 mortes, grupo que concentrou cerca de 50% das ocorrências.
A secretaria ressalta que fatores ambientais, como tapetes soltos, iluminação inadequada e ausência de barras de apoio, têm papel decisivo, principalmente dentro de casa, onde a maioria dos acidentes ocorre. Para o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, o tema precisa ser tratado como prioridade coletiva.
"É uma questão de saúde pública com impacto direto na qualidade de vida, na independência e na sobrecarga dos serviços de saúde. A prevenção de quedas é um cuidado coletivo que envolve toda a sociedade incluindo familiares, cuidadores, profissionais de saúde, gestores públicos e as próprias pessoas idosas. Todos têm um papel na construção de um envelhecimento mais seguro e saudável", afirmou.
Hospital do Trabalhador agiliza cirurgias
Referência em traumas, o Hospital do Trabalhador (HT), em Curitiba, recebe diariamente idosos vítimas de quedas e adota protocolo específico para agilizar o atendimento. O objetivo é realizar a cirurgia de fraturas em até 48 horas, o que aumenta a sobrevida dos pacientes; situações como uso contínuo de anticoagulantes, porém, podem exigir prazo maior.
Quando o idoso chega ao pronto-socorro com suspeita de fratura, a equipe faz avaliação rápida, confirma o diagnóstico com raio-X e inicia exames clínicos e anestésicos para viabilizar o procedimento no menor tempo possível. Após a cirurgia de quadril, todos os pacientes são encaminhados ao Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), que integra o complexo do HT, para fisioterapia programada, geralmente por três a seis meses.
De acordo com o ortopedista Bruno Schuta Bodanese, especialista em cirurgia do quadril do HT e gerente técnico do CHR, a agilidade no atendimento é fundamental: "A partir de 48 horas, o efeito na mortalidade aumenta. O pós-operatório, normalmente, é na UTI, justamente pela idade e pela gravidade do trauma cirúrgico. Porém, no dia seguinte da cirurgia, o paciente já senta, já começa a fazer exercício e a andar".
Osteoporose aumenta gravidade das lesões
Um fator agravante frequentemente subdiagnosticado é a osteoporose, doença silenciosa que provoca perda de massa óssea e torna os ossos frágeis. Estimativa do Ministério da Saúde indica que 50% das mulheres e 20% dos homens com 50 anos ou mais sofrerão alguma fratura osteoporótica ao longo da vida.
Em pessoas idosas com osteoporose, uma queda que poderia causar apenas hematomas pode resultar em fraturas graves, como a de fêmur, associadas a maior mortalidade e perda de independência. Para reduzir esses riscos, especialistas recomendam prática regular de exercícios físicos, revisão periódica de medicamentos, alimentação rica em cálcio e exposição solar moderada para produção de vitamina D. O SUS oferece medicamentos para tratamento da doença e acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde, que no último ano ampliaram em mais de 160% o número de pessoas idosas avaliadas.
Projeto apoia envelhecimento seguro no Estado
A Linha de Cuidado ao Idoso da Sesa inclui capacitação de profissionais, campanhas de conscientização e estímulo ao envelhecimento ativo. Segundo a diretora de Atenção e Vigilância da Sesa, Maria Goretti David Lopes, o projeto Envelhecer com Saúde no Paraná orienta essas ações e se apoia em materiais técnicos para orientar famílias e cuidadores.
"O projeto Envelhecer com Saúde no Paraná norteia nossos trabalhos, ações e iniciativas voltadas à população idosa no Estado. Mantemos um olhar atento a esse público e sabemos da importância de aprimorar continuamente nossas políticas públicas para garantir um envelhecimento com dignidade e segurança", afirmou.
Entre as ferramentas do projeto está o Manual de Prevenção de Quedas para Idosos, elaborado em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). O material reúne orientações práticas para adaptar o ambiente doméstico, como instalação de barras de apoio, melhoria da iluminação e retirada de obstáculos e tapetes soltos, reforçando medidas simples que ajudam a evitar acidentes.
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