Um simpósio promovido nesta segunda-feira (23) pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), em Curitiba, reuniu meteorologistas, pesquisadores e autoridades para discutir a ocorrência de tornados no estado, após uma sequência recente de episódios que causaram destruição e mortes em diferentes regiões paranaenses.
Série de tornados preocupa autoridades
Só no último verão, o Paraná registrou três tornados. Em janeiro, o fenômeno atingiu São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, destelhou casas e deixou moradores feridos. No ano passado, em novembro, outros três tornados ocorreram no mesmo dia, um deles em Rio Bonito do Iguaçu, na região central.
Nessa cidade, sete pessoas morreram e 90% da estrutura da cidade ficou destruída. A sucessão de casos levou o Simepar a organizar o primeiro simpósio dedicado especificamente a tornados no estado, com foco em lições aprendidas e na melhoria da prevenção.
Objetivo é ir além do atendimento emergencial
O diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso, afirmou que a ideia do encontro é ir além do atendimento emergencial prestado logo após a passagem do fenômeno. Ele ressaltou que, passado o primeiro momento de socorro às vítimas, é preciso discutir prevenção, planejamento e a atuação conjunta dos diversos órgãos envolvidos.
O evento reuniu profissionais de meteorologia, pesquisadores de universidades e representantes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, responsáveis pelo socorro à população nas áreas atingidas. A proposta é aproximar quem faz a previsão do tempo de quem atua em campo, para aperfeiçoar a resposta em futuros episódios.
Frequência maior e primavera mais crítica
O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Ernani Nascimento abordou o aumento dos registros de tornados no Paraná. De acordo com ele, os dados dos últimos anos indicam maior frequência de episódios e mostram que a primavera é o período mais crítico para a ocorrência desse tipo de fenômeno no estado.
Ernani ponderou que o monitoramento constante das condições atmosféricas é essencial para identificar ambientes favoráveis à formação de tempestades severas. Ele destacou que esse acompanhamento permite acionar, com maior antecedência, os órgãos responsáveis pela proteção da população.
Limites da previsão e preparação do Paraná
Outro ponto central do simpósio foi a capacidade de prever a ocorrência de tornados. Ernani explicou que os meteorologistas monitoram as condições favoráveis à formação do fenômeno com antecedência, mas que a identificação do tornado em si só é possível pouco antes de ele se formar.
Na avaliação do pesquisador, esse limite na previsão reforça a necessidade de monitoramento contínuo e de mecanismos ágeis de alerta à população. Ele afirmou ainda que o Paraná está entre os estados mais preparados do país para lidar com tornados.
O estado conta com a estrutura de monitoramento do Simepar e com a articulação com órgãos de defesa e resgate, evidenciada pela presença de Defesa Civil e Corpo de Bombeiros no simpósio. Para Paulo de Tarso, encontros como o de hoje ajudam a consolidar essa estrutura. O diretor-presidente do Simepar avaliou que o objetivo é transformar a experiência recente com tornados em conhecimento técnico e ações práticas, capazes de proteger vidas e reduzir prejuízos em novos episódios extremos.
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