O Ministério da Saúde anunciou um novo protocolo de rastreamento do câncer de intestino no Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê a adoção de um teste imunológico fecal como exame de referência para homens e mulheres a partir de 50 anos, com previsão de oferta na rede pública no segundo semestre.
Impacto na prevenção do câncer de intestino
O câncer de intestino é hoje o terceiro tipo de tumor mais incidente no mundo. No Brasil, estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam para quase 54 mil novos casos apenas neste ano.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 65% dos diagnósticos feitos pelo SUS ocorrem em fases avançadas da doença. Esse quadro reduz as chances de cura e aumenta a necessidade de tratamentos mais agressivos.
Para o médico coloproctologista Olival de Oliveira Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, ampliar o rastreamento é fundamental para mudar esse cenário. Segundo ele, quando o tumor é identificado no início, as chances de recuperação são muito maiores.
"Quando esse tipo de tumor é detectado na fase inicial, as chances de cura ultrapassam 90%", afirma Olival.
Mais precisão no rastreamento
Pelo novo protocolo, o teste imunológico fecal passa a ser o exame de referência para o rastreamento populacional do câncer de intestino em pessoas acima de 50 anos. O método tem maior capacidade de identificar alterações do que o teste de sangue oculto nas fezes, utilizado atualmente na rede pública.
Na prática, o paciente coleta uma amostra de fezes, que é analisada em laboratório para verificar a presença de sangue não visível a olho nu. Caso o resultado aponte alteração, a investigação precisa continuar.
Conforme explica Olival de Oliveira Jr., um exame mais detalhado é indispensável após a triagem inicial.
"Sendo positivo, o paciente vai precisar fazer uma colonoscopia para confirmar o diagnóstico", ressalta o especialista.
Implementação e orientação aos pacientes
O Ministério da Saúde prevê que o novo protocolo esteja disponível em unidades do SUS no segundo semestre. As secretarias estaduais e municipais de saúde vão definir o fluxo de oferta do exame nas redes locais de atenção básica.
Na visão de especialistas, a inclusão do teste imunológico fecal no SUS tende a facilitar o acesso ao rastreamento e a reduzir o número de diagnósticos em estágio avançado. Eles destacam que pessoas a partir de 50 anos devem buscar orientação nas unidades de saúde para avaliar a necessidade de realizar exames preventivos.
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