A Câmara Municipal de Curitiba acumula neste ano cinco vereadores investigados ou com pedidos de cassação, em meio a suspeitas de fraude na cota de gênero e de rachadinha. As apurações já motivaram operação do Gaeco e uma representação por quebra de decoro contra o presidente da Casa, Tico Kuzma (PSD).
Na segunda-feira (29), o Band Cidade mostrou a ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que apura a suposta venda de cargos na Prefeitura de Curitiba e a prática de rachadinha na Câmara Municipal. O alvo da operação foi justamente o presidente do Legislativo, Tico Kuzma.
Segundo as investigações, há suspeita de que nomeações em cargos públicos teriam sido usadas em troca de vantagens políticas ou financeiras, além de relatos de assessores obrigados a devolver parte dos salários. As apurações correm sob sigilo e ainda não há conclusão do Ministério Público sobre o caso.
Em paralelo, a CMC informou, em nota oficial, que recebeu representação por suposta quebra de decoro parlamentar apresentada pelo vereador Da Costa (União) contra Tico Kuzma. A Mesa Diretora terá até cinco dias para analisar se o pedido atende aos requisitos formais previstos no Regimento Interno. Se houver admissibilidade, o processo seguirá para a Corregedoria, hoje ocupada pela vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL). Como é o alvo da representação, Kuzma não participará da reunião que analisará o caso.
Cinco vereadores sob risco de cassação
Além de Kuzma, outros quatro vereadores de Curitiba enfrentam processos ou pedidos de cassação neste ano. Três deles tiveram os mandatos suspensos por decisão da Justiça Eleitoral, em casos ligados à suposta fraude na cota de gênero.
A legislação exige que partidos e coligações apresentem ao menos 30% de candidaturas femininas. Em alguns casos, porém, investigações apontam para o uso de “candidaturas laranja”, de mulheres registradas apenas para cumprir a cota, sem campanha efetiva, o que pode levar à anulação dos votos e à perda de mandato.
O que são rachadinha e venda de cargos
A chamada rachadinha ocorre quando um parlamentar exige que servidores de seu gabinete repassem parte do salário de volta, prática considerada crime porque desvia recursos públicos e fere a moralidade administrativa.
Já a venda de cargos envolve a negociação de nomeações em funções públicas em troca de dinheiro, apoio político ou outras vantagens indevidas. Embora ambas se relacionem ao uso de cargos, especialistas apontam que, na rachadinha, o foco está na apropriação de salários, enquanto na venda de cargos o centro é a negociação da própria nomeação.
Impacto na imagem da Câmara
Para analistas de ciência política, a sucessão de casos envolvendo vereadores, seja por suspeita de fraude eleitoral ou por desvio de recursos, afeta diretamente a credibilidade da Câmara de Curitiba. Cada nova investigação tem potencial de ampliar a desconfiança da população em relação ao trabalho dos parlamentares.
Na visão desses especialistas, o desafio do Legislativo municipal é garantir transparência nos processos de apuração e acelerar a resposta institucional, para evitar que a percepção de impunidade se consolide entre os eleitores curitibanos.
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