A Polícia Civil, por meio do COPE, prendeu, no final da tarde desta terça-feira, 31, Franchesco Leal da Luz dos Santos, de 32 anos, em uma chácara em Tijucas do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Ele é suspeito de participar da execução de pai e filho em frente a um mercado em Almirante Tamandaré, também na RMC, no início de março.
De acordo com o Centro de Operações Policiais Especiais (COPE), Franchesco é primo e apontado como braço de confiança de um detento conhecido como “Rajada”. Segundo a investigação, “Rajada” está preso e é apurado como possível mandante do ataque.
Os policiais chegaram ao grupo a partir de um detalhe na cena do crime. Ainda durante o trabalho das equipes, um familiar das vítimas gritou “foi o Rajada”, o que orientou a linha de apuração e levou os agentes a identificar quem atuaria fora da cadeia para o criminoso.
Prisão em chácara com piscina

Suspeito é primo de Rajada e após execução em Tamandaré se escondeu em uma chácara na RMC
Após o ataque em Almirante Tamandaré, Franchesco teria deixado o bairro Parolin, em Curitiba, e se escondido em uma chácara em Tijucas do Sul. O imóvel, segundo os investigadores, tem piscina e ampla área de lazer, o que chamou a atenção da polícia.
O indivíduo possuía mandado de prisão em aberto em razão de condenação definitiva a oito anos de reclusão, em regime fechado, pelo crime de tráfico de drogas. A ordem judicial foi expedida pela 9ª Vara Criminal da Comarca de Curitiba.
Equipes do COPE localizaram o endereço e cumpriram o mandado de prisão no local. A Polícia Civil não detalhou se outras pessoas estavam na propriedade no momento da abordagem nem se apreendeu armas ou veículos ligados ao crime.
Defesa nega envolvimento de preso em duplo homicídio em Almirante Tamandaré
A defesa de Franchesco Leal da Luz dos Santos, de 32 anos, nega qualquer relação dele com o duplo homicídio registrado em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo o advogado Paulo Pscheidt, o cliente foi preso por conta de um mandado de prisão antigo, sem ligação com o crime investigado.
"Ele não tem vínculo qualquer com o homicídio de Almirante Tamandaré. Ele foi preso por conta de um mandado de prisão em um processo de tráfico de drogas de 2018, já com condenação transitada em julgado, não por investigação sobre o duplo homicídio", afirmou.
O advogado também contesta a associação do suspeito com as imagens do crime.
"Meu cliente não tem vínculo nenhum com o caso. As câmeras de segurança mostram quatro atiradores baixos e magros. Meu cliente é alto e obeso. Isso já afasta qualquer possibilidade", disse.
Ataque deixou pai e filho mortos
O ataque ocorreu no dia 8 de março, na Rua José Milek Filho, número 762, no bairro Campina do Arruda, na região do Jardim Graziella, em Almirante Tamandaré. As vítimas foram identificadas como Ryan da Rocha Alfredo Benites, de 17 anos, e Nixon dos Santos Benites, de 36 anos, pai e filho.
Segundo as informações colhidas no local à época, quatro pessoas estavam em um Ford Ka estacionado em frente a um mercado quando foram surpreendidas por atiradores. Testemunhas relataram que os suspeitos chegaram em dois veículos, de onde desceram dois homens que dispararam mais de 100 vezes contra o carro.
Ryan e Nixon foram atingidos por diversos tiros e morreram ainda na cena. Uma mulher que também estava no veículo foi baleada em estado grave e precisou de atendimento de helicóptero do Corpo de Bombeiros até um hospital da região. A quarta ocupante, uma mulher grávida, não foi atingida.
Informações preliminares indicam que o grupo estava no local para comprar carne para um churrasco quando sofreu o ataque.
Vítima tinha histórico criminal e disputa é apurada
Nixon dos Santos Benites tinha antecedentes criminais e já havia sido condenado pelo assassinato do advogado criminalista Leonardo Ivankio Sudul, em 2017, em Curitiba. Na ocasião, a Justiça determinou pena de 24 anos, 10 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, associação criminosa e ocultação de cadáver.
Segundo a investigação, Nixon havia deixado o sistema prisional cerca de dez dias antes do ataque registrado em Almirante Tamandaré. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que a execução tenha relação com disputa entre facções criminosas, mas afirma que outras linhas de apuração ainda não estão descartadas.
O COPE prossegue com as investigações para esclarecer a participação de outros envolvidos no crime e confirmar se “Rajada” ordenou o ataque de dentro da prisão.
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