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Tarifa de 25% dos EUA ameaça exportação de madeira do Paraná

Paraná lidera produção de madeira processada no país e teme perda de contratos após nova taxação aplicada pelo governo norte-americano.

Pedro Talin
PEDRO TALIN

21/07/2026 • 13:47 • Atualizado em 21/07/2026 • 13:47

Empresários do setor madeireiro do Paraná avaliam que a nova taxação de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos, que passa a valer em 22 de julho, pode reduzir a competitividade da madeira processada brasileira, já que grande parte da produção local é destinada ao mercado norte-americano.

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O Paraná lidera a produção de madeira processada no Brasil e exporta volume relevante de painéis, compensados e outros derivados para os EUA. Com a nova tarifa, que se soma aos encargos já existentes, empresários temem perda de contratos e retração nas vendas.

Produção voltada à exportação fica sem destino

Segundo empresas do setor, uma parcela significativa da produção é feita sob medida para compradores norte-americanos. A preocupação é que, com o aumento de custo na entrada dos produtos brasileiros, parte desse material possa ficar estocada, sem mercado definido.

Na avaliação de Guilherme Ranssolin, CEO de uma madeireira paranaense, a dependência das encomendas externas torna o impacto mais imediato. Ele afirma que muitas indústrias investiram em tecnologia e logística para atender às especificações dos Estados Unidos e agora precisam rever planos de produção.

A tarifa adicional de 25% entra em vigor em 22 de julho e se soma aos impostos que já incidem sobre a madeira brasileira. O setor calcula que, com o encarecimento, os produtos nacionais percam espaço para concorrentes que mantêm acesso ao mercado norte-americano com tributos menores.

Concorrência internacional e resposta do governo

Uma das principais queixas das empresas é que outros países exportadores de madeira, que disputam os mesmos contratos, não foram incluídos na nova taxação. Para os empresários, essa diferença de tratamento torna a disputa por preço e prazos ainda mais desfavorável para o Brasil.

Conforme destaca Paulo Pupo, superintendente da Abimci, associação que representa a indústria de madeira processada, a justificativa do governo norte-americano para impor as tarifas é a acusação de que o Brasil adota "práticas comerciais desleais". Ele afirma que a expectativa do segmento é de que o governo brasileiro retome as negociações com Washington para tentar reverter ou suavizar as tarifas.

O setor também espera programas de auxílio por parte do governo federal, como medidas emergenciais para aliviar o caixa das empresas mais expostas ao mercado externo. A preocupação é preservar a atividade industrial em regiões fortemente dependentes da cadeia de madeira.

Planejamento travado e risco para empregos

Mesmo grandes companhias relatam dificuldade para planejar os próximos meses diante da incerteza sobre a manutenção de contratos com clientes norte-americanos. Projetos de expansão e novos investimentos são revisados enquanto o mercado acompanha os desdobramentos da medida.

Na visão de Guilherme Ranssolin, a prioridade é ajustar a produção sem comprometer o quadro de funcionários. Ele afirma que o grande desafio é não perder faturamento para manter os funcionários, em um cenário em que o aumento de custos ameaça a continuidade das operações voltadas à exportação.