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Tornado, ciclone ou furacão? Saiba como diferenciar os fenômenos

Simepar explica características, duração e impactos de cada sistema atmosférico

Da redação
DA REDAÇÃO

22/12/2025 • 15:29 • Atualizado em 22/12/2025 • 15:29

Após tornados no Paraná, meteorologistas do Simepar explicam as diferenças entre tornados, ciclones e furacões.

Após tornados no Paraná, meteorologistas do Simepar explicam as diferenças entre tornados, ciclones e furacões.

Foto: Gilson Abreu/Arquivo AEN

Resumo

Tornado registrado no Paraguai próximo ao Brasil repercutiu após ser filmado, reacendendo no Paraná o interesse em diferenciar tornado, ciclone e furacão, especialmente após recentes tornados que causaram mortes e prejuízos em 11 municípios.

Classificação dos ciclones envolve tipos extratropicais, subtropicais e tropicais, que se distinguem pelo local de formação, estrutura e intensidade, sendo que ciclones tropicais, quando muito intensos, recebem nomes como furacão ou tufão, mas são raros no Atlântico Sul.

Formação dos tornados ocorre a partir de tempestades severas com mesociclone, atingindo áreas reduzidas por poucos minutos, sendo mais comuns no Sul do Brasil devido ao encontro de ar quente e úmido com ar frio, favorecido pela atuação da Cordilheira dos Andes e pelo transporte de umidade da Amazônia.

O tornado registrado no Paraguai, em região próxima ao Brasil, ganhou repercussão após ser filmado por um produtor rural. No Paraná, a memória ainda recente da passagem de três tornados no início de novembro, que causaram mortes e prejuízos em 11 municípios, reforçou o interesse da população em entender as diferenças entre tornado, ciclone e furacão.

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A explicação é da equipe de meteorologia do Simepar, responsável pelo monitoramento ambiental no Estado.

Diferença entre ciclones e tornados

Segundo a meteorologista Júlia Munhoz, a principal diferença entre ciclones e tornados está no tamanho e no tempo de duração. “Os ciclones são sistemas atmosféricos de baixa pressão, caracterizados por ventos que giram em espiral em torno de um centro”, explica.

De acordo com ela, no Hemisfério Sul, essa rotação ocorre no sentido horário, influenciada pela força de Coriolis. “Essa rotação ocorre devido ao efeito da rotação da Terra sobre a movimentação do ar”, afirma.

Júlia destaca que, em um ciclone, o ar tende a subir no centro, favorecendo a formação de nuvens e chuva. “São fenômenos de grande escala, capazes de alcançar centenas ou até milhares de quilômetros”, diz.

Tipos de ciclones

Os ciclones podem se formar por diferentes processos e apresentam classificações específicas.

Ciclones extratropicais

Os ciclones extratropicais surgem principalmente em latitudes médias, onde há encontro entre massas de ar quente e frio. “Esse contraste cria frentes frias e quentes, que organizam o ciclone e conferem uma estrutura mais alongada e irregular”, explica Júlia.

Segundo a meteorologista, esse tipo de ciclone costuma provocar mudanças significativas no tempo. “Eles provocam chuva, ventos fortes e, após a passagem, queda de temperatura”, afirma. A formação ocorre com maior frequência sobre o oceano, na altura do litoral uruguaio e gaúcho.

Ciclones subtropicais

Já os ciclones subtropicais apresentam características intermediárias. “Parte do sistema é mais quente e úmida próxima ao centro, enquanto outra parte recebe influência de ar mais frio em níveis mais altos”, explica Júlia.

Ela ressalta que, nesses casos, o resultado é um sistema parcialmente simétrico. “Não é tão organizado quanto um ciclone tropical”, afirma. No Sul do Brasil, esse tipo de ciclone é pouco frequente.

Ciclones tropicais e furacões

Os ciclones tropicais se desenvolvem sobre águas quentes, que fornecem calor e umidade para alimentar tempestades profundas. “Esses sistemas são mais simétricos, com um centro bem definido e um núcleo quente em altitude”, informa Júlia.

Quando atingem ventos muito intensos, recebem diferentes nomes conforme a região do planeta. “Furacão no Atlântico Norte e Pacífico Nordeste, tufão no Pacífico Noroeste e ciclone tropical severo em partes do Índico e Pacífico Sul”, explica.

Apesar da variação de nomes, os fenômenos são essencialmente os mesmos. No Atlântico Sul, a formação é rara devido às temperaturas mais baixas do oceano. O único registro foi o furacão Catarina, em 2004.

O que são tornados

Os tornados são fenômenos de pequena escala e altamente concentrados. Eles se originam, em geral, a partir de tempestades severas, especialmente supercélulas, que possuem uma região de rotação interna chamada mesociclone.

“O tornado se forma quando essa rotação se intensifica e se estende até o solo”, explica Júlia. Segundo ela, apesar de os ventos poderem superar os de um furacão, os tornados atingem áreas muito reduzidas. “Normalmente centenas de metros a poucos quilômetros e com duração de poucos minutos”, afirma.

Por que tornados são mais comuns no Sul do Brasil

O meteorologista Samuel Braun, do Simepar, explica que cerca de 70% dos tornados registrados no Brasil ocorrem na região Centro-Sul da América do Sul, especialmente no oeste dos estados do Sul.

“Essa maior propensão está relacionada, em grande parte, ao papel da Cordilheira dos Andes, que atua como uma barreira topográfica canalizando o escoamento de noroeste em níveis médios da atmosfera”, explica.

Segundo Samuel, esse escoamento transporta grande quantidade de umidade da Amazônia para o Sul do país. “O encontro entre ar quente e úmido e ar frio aumenta a instabilidade atmosférica e intensifica o contraste térmico”, afirma.

Ele destaca que esse contraste contribui para a formação dos tornados. “Esse mecanismo cria rotação no escoamento do ar. Quando essa rotação é incorporada a uma corrente ascendente intensa, típica de tempestades severas, pode originar a estrutura rotativa característica dos tornados associados a supercélulas”, conclui.

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