
Vereadores Vanda de Assis e Guilherme Kilter divergiram sobre natureza do episódio
Fotos: Rodrigo Fonseca/CMC
Um tumulto na Universidade Federal do Paraná (UFPR) durante a noite de terça-feira (9) foi tema de discussão acalorada na Câmara Municipal de Curitiba nesta quarta (10). A confusão aconteceu antes da palestra “O STF e a interpretação constitucional”, que contaria com os vereadores Guilherme Kilter e Rodrigo Marcial (Novo) e o advogado Jeffrey Chiquini, defensor do ex-assessor de Jair Bolsonaro, Filipe Martins.
O evento não chegou a começar. Houve bate-boca, empurra-empurra e intervenção da Polícia Militar e da Guarda Municipal.
Repúdio à ação policial
A vereadora Vanda de Assis (PT) classificou o episódio como “gravíssimo” e criticou a presença da PM dentro da universidade.
“A universidade não é um quartel. É um espaço de diálogo e ciência. A entrada da Polícia Militar na UFPR é ilegal e nos remete a tempos sombrios que não podemos aceitar”, afirmou.
Para ela, a autonomia universitária é garantida pela Constituição e precisa ser respeitada.
Acusações de violência
O vereador Guilherme Kilter (Novo) rebateu e disse que não houve estudantes no protesto, mas sim “homens mascarados” que teriam agredido participantes e professores.
“Eles agrediram idosos, amigos, assessores. Um saiu com a testa aberta, outro quebrou o pé, outro teve o celular roubado. Quem rouba celular é bandido, e qualquer vereador que defenda bandido está compactuando com isso”, disparou.
Kilter também ameaçou processar a UFPR, que em nota afirmou que o evento foi cancelado pela professora responsável antes do início e que o grupo dos palestrantes teria forçado a entrada no local.
“Mentira. Não avisaram ninguém sobre cancelamento. Temos fotos e vídeos e vamos responsabilizar cada um”, disse o parlamentar.
Nota da UFPR
A UFPR afirmou que a professora tinha autonomia para organizar o evento e que a autorização foi concedida seguindo requisitos formais. A instituição disse ainda que alertou a docente sobre riscos à segurança e reafirmou compromisso com a liberdade de expressão e a defesa do Estado Democrático de Direito, condenando qualquer forma de violência.
Nota da PM
Em nota, a Polícia Militar informou que atuou para garantir a segurança do palestrante e de sua equipe, após hostilidades de manifestantes na UFPR. A corporação afirmou que recorreu a instrumentos de menor potencial ofensivo de forma pontual e proporcional, sem registro de feridos graves. Um homem foi detido por lesão corporal, desobediência e resistência.
A Polícia Civil deve apurar os desdobramentos do episódio, tanto nas agressões relatadas pelos parlamentares quanto na repressão denunciada por estudantes.
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