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UFPR cria licença-maternidade estudantil e amplia prazo de TCC

Universidade quer reduzir evasão e acolher alunas que criam filhos

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

24/02/2026 • 14:51 • Atualizado em 24/02/2026 • 14:51

A Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, aprovou novas medidas para apoiar estudantes que são mães, com ampliação do prazo para entrega de trabalhos finais e criação de uma licença-maternidade estudantil de seis meses, prorrogável por igual período.

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Desafio de conciliar maternidade e estudos

Quando a filha Helena nasceu, há quase seis anos, Laryssa Strapasson estava no último ano do curso de Direito e precisou trancar a graduação por dois anos para cuidar da criança. Hoje, ela é mestranda em educação e segue estudando enquanto cria a filha.

A experiência de Laryssa se repete entre milhares de alunas brasileiras que têm filhos durante a trajetória universitária. Muitas interrompem ou atrasam a formação e dependem de iniciativas específicas para permanecer na universidade.

Licença-maternidade estudantil e mais prazo para TCC

Na UFPR, duas mudanças centrais foram aprovadas. A primeira é a criação de uma licença-maternidade estudantil de seis meses para alunas que tenham filhos no decorrer do curso. Esse período poderá ser prorrogado por mais seis meses, conforme as condições da mãe e da criança.

A segunda medida amplia o prazo para a entrega de trabalhos de conclusão de curso e de teses de pós-graduação. O objetivo é oferecer condições para que as estudantes-mães consigam concluir as etapas finais da formação sem precisar abandonar a universidade.

Outras universidades já adotam iniciativas

Em diferentes regiões do país, instituições públicas de ensino superior têm implementado ações semelhantes. Em Salvador, a Universidade Federal da Bahia mantém uma creche para filhos de estudantes. Em São Paulo, a Universidade de São Paulo concede auxílio mensal de 850 reais para o cuidado com crianças de até seis anos.

No Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Rio de Janeiro criou o projeto Cuidoteca, um espaço de acolhimento para crianças de três a dez anos enquanto pais e mães participam de aulas e atividades acadêmicas.

Territórios de cuidado e foco nas mães solo

As novas normas da UFPR se somam a estruturas já existentes na instituição. A universidade mantém espaços chamados Territórios de Cuidado, onde as mães podem amamentar e permanecer com os filhos durante os estudos.

A UFPR também oferece auxílios financeiros específicos para gestantes.

Segundo a coordenadora de políticas de gênero da UFPR, Célia Ratusniak, mães solo e estudantes que vieram de outras cidades para estudar em Curitiba são as que precisam de maior apoio nesse contexto.