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Vacinação de gestantes reduz em 83% internações de bebês no PR

Estado registra queda de 88% nas hospitalizações de recém-nascidos por síndrome respiratória ligada ao vírus sincicial respiratório

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

26/05/2026 • 13:35 • Atualizado em 26/05/2026 • 14:12

O Paraná registrou uma queda de 83,5% nos internamentos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em crianças de até dois anos, na comparação entre os anos de 2025 e 2026 até a 19ª semana epidemiológica, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

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Queda expressiva entre recém-nascidos

A redução mais acentuada ocorreu entre recém-nascidos e bebês de até seis meses. Nesse grupo, as hospitalizações despencaram 88,3%, passando de 515 registros no ano passado para apenas 60 neste período.

Entre crianças de sete meses a um ano e 11 meses, as notificações de internamento caíram 77%, de 388 em 2025 para 89 em 2026. De acordo com a Sesa, não houve registro de óbitos nessa faixa etária neste ano.

No total, considerando todas as crianças menores de dois anos, o número de pacientes internados por SRAG associada ao VSR caiu de 903 para 149, o que representa uma redução de 83,49%.

O VSR é um dos principais responsáveis por quadros de bronquiolite e pneumonia em bebês, especialmente nos meses mais frios, quando aumentam as infecções respiratórias.

Vacinação na gestação amplia proteção dos bebês

Os resultados são atribuídos principalmente à vacinação contra o VSR em gestantes, iniciada no Paraná em dezembro de 2025. O imunizante é aplicado em dose única a partir da 28ª semana de gestação, com o objetivo de transferir anticorpos da mãe para o bebê e garantir proteção logo nos primeiros meses de vida.

Somente em 2026, até maio, o Estado registrou 47.213 aplicações da vacina em grávidas, alcançando cobertura de 87,12%. O imunizante protege contra formas graves de doenças sazonais como bronquiolite e pneumonia.

“Os números comprovam que a vacinação das gestantes foi uma decisão acertada e salvou vidas. Conseguimos desocupar leitos hospitalares e, principalmente, proteger as nossas crianças contra um agente infeccioso que historicamente castiga os bebês no período mais frio do ano. O Paraná demonstra mais uma vez a força do planejamento em saúde pública”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

Anticorpo monoclonal reforça estratégia

Além da vacinação, o Estado utiliza o nirsevimabe, anticorpo monoclonal que oferece proteção direta e imediata contra o VSR. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o produto é destinado a dois grupos prioritários: recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e crianças de até 23 meses com comorbidades graves, como cardiopatias congênitas, doenças pulmonares crônicas ou imunocomprometimento.

Desde a incorporação da tecnologia em fevereiro deste ano, o Paraná aplicou 3.561 doses de nirsevimabe de 50 mg e 1.819 doses da versão de 100 mg. A Sesa orienta que pais e responsáveis procurem a Unidade Básica de Saúde mais próxima para verificar se as crianças se enquadram nos critérios de elegibilidade.

Para a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, a combinação das estratégias representa uma mudança importante na proteção infantil. Segundo ela, a vacinação na gestação cria uma barreira no momento em que o recém-nascido está mais vulnerável, enquanto o uso do nirsevimabe em grupos de maior risco consolida uma rede de proteção mais robusta.