O Brasil está entre os países que mais utilizam inteligência artificial, segundo pesquisa do Google em parceria com o instituto Ipsos, e especialistas alertam para o consumo de conteúdos criados com a tecnologia, especialmente nas redes sociais.
De acordo com o levantamento, o país figura entre os principais mercados que incorporam a inteligência artificial no dia a dia, de ferramentas de trabalho a aplicativos de entretenimento. O movimento impulsiona também a produção de vídeos automatizados, que se espalham pelas plataformas sem, muitas vezes, passar por qualquer tipo de checagem.
Comidas falantes e mensagens prontas
Entre os formatos que ganham espaço estão animações feitas com IA que mostram alimentos falantes transmitindo mensagens sobre alimentação, armazenamento de produtos e supostos benefícios de certos hábitos.
Esses conteúdos nascem a partir de roteiros em que o autor define o objeto que vai falar, o sentimento que ele deve expressar e a ideia central do vídeo. A tecnologia gera as imagens, as expressões e as vozes sintéticas, o que facilita a produção em massa e a pulverização desse material no ambiente digital.
Com as redes sociais cada vez mais presentes na rotina, muitos usuários passaram a ver esse tipo de publicação como fonte de conhecimento rápido. Para especialistas, porém, a facilidade de consumo não significa que a informação seja correta ou adequada para todas as pessoas.
Risco de informação sem base técnica
Para a nutricionista Claudia Laskanski, o problema começa quando vídeos criados com inteligência artificial divulgam orientações de saúde sem qualquer base técnica ou científica.
Segundo a nutricionista, "muitas vezes o que aparece nesses vídeos é informação falsa ou descontextualizada, e o que serve para uma pessoa não necessariamente serve para outra".
Ela destaca que dietas, formas de conservar alimentos e mudanças de hábito precisam levar em conta histórico clínico, rotina e necessidades específicas de cada indivíduo. Ao seguir recomendações genéricas encontradas nas redes, o usuário pode adotar práticas que não funcionam ou até prejudicam a saúde.
Buscar fontes confiáveis
Claudia Laskanski reforça que o público deve encarar os conteúdos com IA apenas como entretenimento ou ponto de partida, nunca como orientação definitiva.
"É importante procurar profissionais reais, que realmente sejam da área. Orientação profissional é tudo na hora de cuidar da saúde", afirma a nutricionista.
Na avaliação da especialista, a inteligência artificial pode ser uma aliada na divulgação de conhecimento, desde que o conteúdo tenha supervisão de profissionais habilitados e que o usuário mantenha senso crítico, verificando a fonte e conferindo se há respaldo científico antes de colocar qualquer dica em prática.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

