Band Paraná

Vídeos com IA acendem alerta sobre dicas de saúde nas redes

Brasil está entre líderes no uso da tecnologia, mas nutricionista alerta para informações sem base científica

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

10/02/2026 • 14:32 • Atualizado em 10/02/2026 • 14:32

O Brasil está entre os países que mais utilizam inteligência artificial, segundo pesquisa do Google em parceria com o instituto Ipsos, e especialistas alertam para o consumo de conteúdos criados com a tecnologia, especialmente nas redes sociais.

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De acordo com o levantamento, o país figura entre os principais mercados que incorporam a inteligência artificial no dia a dia, de ferramentas de trabalho a aplicativos de entretenimento. O movimento impulsiona também a produção de vídeos automatizados, que se espalham pelas plataformas sem, muitas vezes, passar por qualquer tipo de checagem.

Comidas falantes e mensagens prontas

Entre os formatos que ganham espaço estão animações feitas com IA que mostram alimentos falantes transmitindo mensagens sobre alimentação, armazenamento de produtos e supostos benefícios de certos hábitos.

Esses conteúdos nascem a partir de roteiros em que o autor define o objeto que vai falar, o sentimento que ele deve expressar e a ideia central do vídeo. A tecnologia gera as imagens, as expressões e as vozes sintéticas, o que facilita a produção em massa e a pulverização desse material no ambiente digital.

Com as redes sociais cada vez mais presentes na rotina, muitos usuários passaram a ver esse tipo de publicação como fonte de conhecimento rápido. Para especialistas, porém, a facilidade de consumo não significa que a informação seja correta ou adequada para todas as pessoas.

Risco de informação sem base técnica

Para a nutricionista Claudia Laskanski, o problema começa quando vídeos criados com inteligência artificial divulgam orientações de saúde sem qualquer base técnica ou científica.

Segundo a nutricionista, "muitas vezes o que aparece nesses vídeos é informação falsa ou descontextualizada, e o que serve para uma pessoa não necessariamente serve para outra".

Ela destaca que dietas, formas de conservar alimentos e mudanças de hábito precisam levar em conta histórico clínico, rotina e necessidades específicas de cada indivíduo. Ao seguir recomendações genéricas encontradas nas redes, o usuário pode adotar práticas que não funcionam ou até prejudicam a saúde.

Buscar fontes confiáveis

Claudia Laskanski reforça que o público deve encarar os conteúdos com IA apenas como entretenimento ou ponto de partida, nunca como orientação definitiva.

"É importante procurar profissionais reais, que realmente sejam da área. Orientação profissional é tudo na hora de cuidar da saúde", afirma a nutricionista.

Na avaliação da especialista, a inteligência artificial pode ser uma aliada na divulgação de conhecimento, desde que o conteúdo tenha supervisão de profissionais habilitados e que o usuário mantenha senso crítico, verificando a fonte e conferindo se há respaldo científico antes de colocar qualquer dica em prática.