Band Paraná

Vítimas tentam impedir assaltos e acabam espancadas em Curitiba

Casos registrados no Centro e na CIC mostram por que especialistas orientam a não reagir

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

09/06/2026 • 19:17 • Atualizado em 10/06/2026 • 09:06

Imagens de câmeras de segurança e relatos de vítimas em Curitiba recolocam em evidência o risco de reagir a assaltos no Paraná. Em dois casos recentes na capital, um homem tentou impedir o roubo de uma bicicleta no Centro e um pintor reagiu a uma tentativa de assalto a um restaurante na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), ambos acabaram agredidos.

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No Centro, a câmera de segurança registrou o momento em que um homem tenta evitar o furto de uma bicicleta. Ele entra em luta corporal com o criminoso, mas comparsas se aproximam e passam a agredi-lo. Após as agressões, os integrantes da quadrilha fogem em direções diferentes.

Na CIC, um pintor reagiu quando criminosos anunciaram o assalto em um restaurante. Na confusão, ele sofreu golpes de chave de fenda e ficou ferido. Casos como esses se repetem desde o início do ano em várias cidades do Paraná.

Por que não reagir, segundo especialistas

Especialistas em segurança ouvidos pela reportagem reforçam que reagir a um assalto, principalmente quando o criminoso está armado, aumenta de forma significativa o risco de morte.

O cientista social César Bueno explica a dinâmica da abordagem criminosa.

“Uma pessoa quer te assaltar no menor tempo possível para sair o mais rápido possível e ter êxito nessa ação. Se você dificulta, ou seja, se tenta arrancar uma arma ou repelir a agressão, corre um risco imenso de contabilizar o seu próprio óbito nessa relação”, afirma.

Na avaliação de Bueno, o foco da vítima deve ser preservar a integridade física.

“Nesse momento, a sua vida vale mais do que qualquer coisa, mais do que o relógio, o celular ou o cartão de crédito. Essa é uma questão muito importante a levar em consideração”, ressalta.

Como reduzir as oportunidades para criminosos

Além de evitar a reação, especialistas orientam a diminuir as oportunidades para os criminosos. Nas ruas, a recomendação é redobrar o cuidado com o uso do celular, preferindo manusear o aparelho apenas em locais considerados seguros. Joias e relógios também costumam chamar a atenção de assaltantes.

Para quem mora em casa, medidas como instalação de cercas elétricas, câmeras de monitoramento e sistemas de alarme ajudam a dificultar a ação de quadrilhas e a inibir invasões.

O presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Paraná, Alex Breunig, especialista em segurança pública, destaca a importância da prevenção.

“Os criminosos sempre vão atrás do que é mais fácil, portanto o importante é diminuir as oportunidades”, aponta Breunig.

Segundo ele, ao tornar o alvo menos acessível e seguir orientações básicas de segurança, a população reduz a chance de ser escolhida por assaltantes e evita situações em que a reação possa resultar em consequências graves.