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Voluntariado em hospitais de Curitiba completa 20 anos com 430 integrantes

Programa dos hospitais Cajuru e São Marcelino Champagnat reúne 21 ações de acolhimento, música, animais e autocuidado

6 min

26/08/2026 16:43 • Atualizado há 59 dias

Voluntariado em hospitais de Curitiba completa 20 anos com 430 integrantes

O Programa de Voluntariado dos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat completa 20 anos em 2026, em Curitiba (PR), com 430 integrantes distribuídos em 21 ações que reforçam a humanização no atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

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O projeto, iniciado em 2006 com poucas pessoas e apenas uma atividade, hoje envolve desde a condução de pacientes até iniciativas com música, contação de histórias, autocuidado e visitas de animais. Entre os participantes estão o operador de máquinas Marcio Juarez Demarchi e a filha, Maria Clara Demarchi, de 18 anos, que desde maio de 2026 dividem as manhãs de sexta-feira pelos corredores do Hospital Universitário Cajuru, que atende 100% pelo SUS.

Maria Clara afirma que dá continuidade a uma trajetória que começou em casa, ao ouvir o pai relatar as experiências como voluntário. "Espero que essa jornada e esse amor que ele plantou em mim não acabem e que eu possa passar adiante para meus filhos e conhecidos o quão necessário e bom é ser voluntário", relata.

O Acompanhamento Solidário foi o primeiro programa de voluntariado dos hospitais e permanece, duas décadas depois, como o maior deles. Atualmente, cerca de 110 voluntários, entre eles Maria Clara e Marcio, auxiliam na condução de pacientes em cadeiras de rodas e macas para unidades de internação, exames, pré-operatório, centro cirúrgico e outros setores, conforme protocolos estabelecidos. Somente em 2025, o grupo realizou cerca de 8 mil atendimentos.

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O dia a dia do Acompanhamento Solidário

Segundo a coordenadora do Voluntariado, da Pastoral e do Núcleo de Identidade, Missão e Vocação (NIMV) dos hospitais, Kelly Lorusso, a atuação dos voluntários permite que os profissionais de saúde permaneçam mais tempo junto aos pacientes. "Esse trabalho permite que o técnico de enfermagem permaneça onde está cuidando do paciente, enquanto o voluntário dá apoio nos deslocamentos que pode realizar. Quando os voluntários retornam depois do período de recesso, os profissionais dizem: 'Graças a Deus vocês voltaram'. Isso mostra a importância que o trabalho conquistou dentro da rotina do hospital", destaca.

Antes de iniciar as atividades, os participantes passam por capacitações específicas. Entre elas está a experiência "Sentindo na Pele", em que utilizam macas e cadeiras de rodas para compreender a perspectiva de quem está hospitalizado. "É se colocar no lugar do outro. A gente trabalha desde o cuidado durante a condução até aquilo que pode ou não ser dito. São detalhes que fazem a diferença para quem está vivendo aquele momento", explica Kelly.

Animais, autocuidado e música no hospital

Com o passar dos anos, o voluntariado dos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat ultrapassou os deslocamentos pelos corredores e passou a incluir iniciativas de acolhimento espiritual, contação de histórias, música, atividades lúdicas e ações de autocuidado, além de visitas de animais.

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No programa Amigo Bicho, animais previamente avaliados por uma médica-veterinária voluntária visitam os pacientes acompanhados por seus tutores, que também integram o grupo de voluntários. Cães, gatos e até um pônei já circularam pelos hospitais. Mais recentemente, carneirinhos passaram a realizar visitas duas vezes por mês. "Não é simplesmente ter um animal de estimação e trazê-lo. Existe uma avaliação para saber se ele está apto a entrar no ambiente hospitalar e como vai reagir", salienta Kelly.

O Momento da Beleza busca levar à rotina de internação experiências simples de autocuidado, como maquiagem e limpeza de pele. De acordo com a coordenação, pacientes relatam que pequenas intervenções ajudam a renovar a autoestima. "Quem está em um leito quer fazer mil coisas, menos estar ali. Às vezes, uma paciente faz uma maquiagem e diz: 'Hoje eu precisava desse momento'. É um cuidado que ajuda a renovar a autoestima", pontua Kelly.

O voluntariado também investe em música e ludicidade. O coral Encanto Marista reúne cerca de 20 voluntários e colaboradores, com ensaios semanais e apresentações pelos corredores dos dois hospitais. Já a Heroterapia leva personagens fantasiados até os leitos. "Às vezes pensam que isso só funciona com crianças, mas não. Quando eles passam pelos corredores, as pessoas ficam encantadas, querem tirar fotos. Essa parte lúdica também transforma o ambiente", ressalta a coordenadora.

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Histórias de quem encontrou sentido no voluntariado

Na entrevista de ingresso, a equipe procura identificar em qual atividade cada voluntário se encaixa melhor. Foi assim que Raul Otto Schneider, de 74 anos, encontrou o espaço onde atua hoje. Depois de trabalhar até dezembro de 2023 e enfrentar cinco cirurgias em decorrência de um descolamento de retina, ele decidiu, em 2026, procurar uma maneira de ajudar outras pessoas.

Durante a conversa com Kelly, Raul contou que "falava mais que o homem da cobra" e explicou a origem da expressão curitibana. A coordenadora recorda que, a partir desse relato, o encaminhou para a contação de histórias. Atualmente, ele percorre os quartos conversando com pacientes. "É uma experiência incrível. Ver enfermos que, pelo menos nos minutos em que o grupo permanece no quarto, esquecem seus problemas e compartilham sorrisos é gratificante. Estou muito feliz por participar desses momentos", afirma.

O caminho de Maria Clara até o voluntariado começou dentro de casa. Em 2023, o pai passou por uma cirurgia no Hospital Universitário Cajuru e também recebeu apoio dos voluntários. Após a alta, Marcio decidiu retomar a atividade que havia exercido anos antes, agora na instituição. A filha o acompanhou. "Cresci ouvindo suas histórias, vendo vídeos e fotos e testemunhando as amizades que ele fez e que duram até hoje. Eu me apaixonei pelo voluntariado e queria ser voluntária o quanto antes", relata.

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Crescimento em duas décadas e celebrações

Kelly acompanha a transformação do programa desde 2006. Ela chegou ao Hospital Universitário Cajuru no mesmo ano em que Nilza Maria Brenny idealizou o voluntariado. Inicialmente, trabalhava como auxiliar de escritório no Núcleo de Epidemiologia e Controle de Infecção (NECIH) e, aos poucos, passou a apoiar Nilza nas demandas da área. Após a aposentadoria da idealizadora, assumiu a coordenação no início de 2026.

Na visão de Kelly, o crescimento do programa está diretamente ligado à compreensão de que humanização e voluntariado caminham juntos. "Quando a gente fala de humanização, a gente pensa em voluntariado. Não basta executar uma atividade. É preciso acolher, estar presente e fazer com que o voluntário também se sinta pertencente à instituição", frisa.

O avanço pode ser percebido até nas fotografias de grupo. Nos primeiros encontros, uma única escada era suficiente para reunir todos os voluntários. Hoje, os 430 integrantes precisam ser divididos em cinco grupos para os registros oficiais. Para celebrar o Dia Nacional do Voluntariado, em 28 de agosto, os hospitais prepararam uma programação especial em homenagem aos participantes, com uma vivência no Memorial Marista e o tradicional jantar, marcado para o dia 27.

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Depois de acompanhar praticamente toda essa trajetória, Kelly resume o significado do trabalho em sua própria vida ao lembrar da curiosidade da filha de seis anos. A menina pergunta o que a mãe faz no hospital e, em seguida, responde: "Já sei, mamãe. Você cuida de pessoas". A coordenadora afirma que é isso que a motiva. "Eu cuido de pessoas, sou apaixonada por esse trabalho e faço por amor", declara.

Voluntariado em hospitais de Curitiba completa 20 anos com 430 integrantes