Band Vale

Quando a gente quase desiste e a vida chama de volta

Nem sempre é força. Às vezes, é acolhimento que faz a gente voltar

Por Redação
REDAÇÃO

08/01/2026 • 11:03 • Atualizado em 08/01/2026 • 11:03

Bastidores da vida real - com Thais Dantas
Quando a gente quase desiste e a vida chama de volta

Quando a gente quase desiste e a vida chama de volta

Arquivo pessoal

Fiquei uns 15 dias afastada daqui. Pode parecer pouco, mas para quem escreve semanalmente sobre processos internos, transformações reais e desafios que mexem com o corpo e com a cabeça, esse tempo é grande. Senti saudade. Saudade de organizar os pensamentos em palavras, de dividir o que não aparece nos feeds perfeitos e de acompanhar, junto com vocês, esse processo que estou vivendo por causa do desafio No Ritmo Delas.

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Voltar a escrever hoje não foi por acaso. Exatamente hoje, algo simples e ao mesmo tempo gigante me aconteceu e me lembrou porquê continuar faz sentido.

Começo de ano costuma ser assim: turbulento, atropelado! A gente vem carregando expectativas, desejos de um ano melhor, listas de metas, planos que parecem lindos no papel. E, de repente, a realidade entra sem pedir licença. Algumas metas começam a balançar, outras simplesmente caem por terra. Dá frustração, cansaço, dúvida. E, muitas vezes, vontade de desistir.

Existe até um nome para isso. Amanhã acontece, nos Estados Unidos, o chamado “Quitters Day”, o “dia dos desistentes”. Ele sempre cai na segunda sexta-feira de janeiro e marca simbolicamente o momento em que muitas pessoas abandonam as resoluções de Ano Novo. Não por falta de vontade, mas porque a vida real chega antes do resultado aparecer.

Hoje acordei com a energia mais baixa. Aquela sensação de corpo presente, mas alma meio atrasada. Mesmo assim, decidi ir cedo para a academia. Não foi por disciplina exemplar, nem por motivação elevada. Foi por sobrevivência emocional mesmo. Movimentar o corpo para tentar movimentar o dia. Buscar alguma química boa no cérebro: dopamina, serotonina… nunca sei direito qual é o nome certo, mas sei bem o efeito.

E foi ali, no meio da rotina mais comum possível, que algo mudou.

Encontrei uma mulher que se aproximou de mim com um sorriso tímido e uma frase poderosa: “Eu te acompanho nas redes sociais.”

Ela me contou que anda triste ao abrir o Instagram e ver aquele padrão quase inalcançável da mulher 40+, sempre perfeita, sempre impecável, sempre vencendo. Disse que tem 45 anos, que faz natação há um ano, e que um dos primeiros perfis que abre ao acordar é o meu. Não porque eu seja perfeita, mas justamente porque não sou.

Ela disse que se sente acolhida quando me vê mostrando a realidade como ela é: dias bons, dias difíceis, corpo real, emoção à flor da pele, tentativa, erro, recomeço. E que isso a inspira a continuar.

Ali, naquele instante, eu recebi muito mais do que ofereci. Amanhã, inclusive, vou nadar com ela. Já nos organizamos. Criamos uma ponte real, fora da tela. Uma conexão que não é sobre performance, mas sobre presença.

E é isso que eu quero dividir hoje. Metas não precisam ser abandonadas só porque ficaram difíceis. Objetivos não precisam ser descartados só porque o caminho não está bonito. Às vezes, tudo o que eles precisam é de ajuste, companhia e verdade.

Talvez a grande transformação não esteja em cumprir tudo o que a gente planejou em janeiro, mas em não desistir de si quando as coisas saem do roteiro. Em seguir, mesmo que em outro ritmo. Em se permitir ser inspiração e também se deixar inspirar.

Os bastidores da vida real não são lineares. Mas são vivos. E é neles que a felicidade, muitas vezes, aparece sem aviso.

Seguimos. No ritmo possível. No ritmo real.

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