Band Vale

Quando a notícia precisa ser mais do que impacto: precisa ser consciência

Por Redação
REDAÇÃO

20/03/2026 • 15:41 • Atualizado em 20/03/2026 • 15:41

Bastidores da vida real - com Thais Dantas
Quando a notícia precisa ser mais do que impacto: precisa ser consciência

Quando a notícia precisa ser mais do que impacto: precisa ser consciência

Imagem de rede social

Mais uma mulher perdeu a vida. Mais uma história interrompida de forma brutal. O caso da soldado Gisele não pode ser apenas mais uma manchete que choca, gera cliques e desaparece no dia seguinte. Ele precisa nos atravessar como sociedade, como mulheres e, principalmente, como comunicadores.

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Desta vez, essa história passou muito perto. O principal suspeito foi preso em São José dos Campos, cidade onde eu moro. Uma prisão que movimentou não só a redação da Band Vale, mas ganhou repercussão em todo o país!

Um homem que, diante das câmeras, parecia controlado mas que, por trás, carregava sinais de frieza, manipulação e violência.

É aqui que a gente precisa fazer uma escolha importante: não valorizar o ato e sim entender o processo. O feminicídio não começa no fim: ele começa antes, muito antes.

Começa no desrespeito silencioso, na diminuição diária, na manipulação emocional, no controle disfarçado de cuidado. Começa quando uma mulher passa a acreditar que vale menos. E eu sei exatamente do que estou falando.

Tenho 45 anos. Fui casada por 13 anos com alguém que, aos poucos, foi me convencendo de uma versão de mim que não era real. Uma versão menor, enfraquecida, limitada. Durante muito tempo, a minha vida ficou “pausada”. Não porque eu não tinha capacidade, mas porque eu fui levada a acreditar que não tinha valor! Eu acreditava que dependia dele financeiramente, emocionalmente, socialmente! Justo eu!

E esse é o ponto mais perigoso de todos. O poder que um homem exerce sobre uma mulher não está só na força física. Está na construção psicológica dessa dependência, na ideia repetida, todos os dias, de que ela não consegue sozinha.

E quando você tem filhos, assim como eu e a Cabo Gisele, tudo isso se intensifica.

Você pensa duas, três, dez vezes. Tenta manter a estrutura, se proteger, sustentar o que já está desmoronando por dentro.

Assim como a soldado Gisele, muitas mulheres vivem esse conflito silencioso entre ir embora ou suportar mais um pouco.

E, muitas vezes, esse “mais um pouco” custa caro demais. Durante a cobertura, nós mostramos mensagens em que ela dava sinais claros de que precisava de ajuda. E olha um ponto super importante! Os sinais existem.

Eles aparecem nas falas, nas atitudes, no medo disfarçado, no pedido de socorro que nem sempre vem de forma direta. Por isso, quando vemos relatos de controle, de ameaças emocionais, como dizer que vai tirar a própria vida se a mulher for embora, é preciso dizer com todas as letras: isso não é amor. Isso é violência. Violência que começa nas palavras.

Mas a minha história não parou ali. Ela recomeçou. E recomeçou quando eu entendi que não era sobre o que tinham me feito acreditar: era sobre o que eu escolhia reconstruir.

Hoje, eu tenho ao meu lado alguém que faz exatamente o oposto, que me impulsiona, que me incentiva a ser melhor, mais forte, mais saudável e até mais elegante, mais bem cuidada, mais eu! Alguém que não me diminui para caber: me expande. E isso muda tudo.

Quando uma mulher encontra apoio de verdade, ela não só cresce: ela se reconstrói.

Por isso que essa história precisa ir além da dor exposta. Ela precisa provocar responsabilidade para que outras mulheres se reconheçam, percebam os sinais antes que seja tarde e para que entendam que independência não é luxo: é proteção.

E atenção: rede de apoio é essencial. A gente precisa parar de romantizar relações que machucam, normalizar o que fere e começar, de verdade, a fortalecer umas às outras.

Que essa história não seja só mais uma. Que ela seja um ponto de virada. Nenhuma mulher pode viver acreditando que vale menos do que é. Isso não é somente um caso: é uma consciência, um ato de coragem de recomeçar.

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