Band Vale

Quando crescer dói

Sobre se escolher, mesmo quando isso te deixa mais sozinha

Por Redação
REDAÇÃO

23/01/2026 • 15:20 • Atualizado em 23/01/2026 • 15:20

Bastidores da vida real - com Thais Dantas
Thais Dantas

Thais Dantas

Arquivo pessoal

Hoje, eu me sinto mais sozinha. E não falo de solidão física, sabe? Falo daquela solidão silenciosa que aparece quando a gente para de se diminuir para caber.

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Há pouco mais de um ano, eu era uma mulher que não se validava. E quando a gente não se valida, dificilmente recebe validação verdadeira do mundo.

Eu pesava quase 100 quilos. Muitas vezes me escondia atrás de uma mesa, de um cargo, de uma função. Me colocava em movimento o tempo todo, fazia muito, entregava muito, cuidava de tudo e de todos, porque, no fundo, eu precisava ser vista, aceita, reconhecida de alguma forma.

E, curiosamente, eu recebia elogios. Diziam que eu era uma grande profissional, uma gestora forte, uma mulher admirável, uma amiga presente. Hoje eu entendo: aquela validação vinha muito mais do que eu fazia do que de quem eu era. Eu era útil. Eu resolvia, sustentava e isso bastava. Mas chega um momento em que o corpo, a alma e a vida pedem verdade.

Eu me posicionei. Reconheci minhas qualidades e entrei em jogos que antes eu não me permitia jogar. Criei um projeto autoral, o No Ritmo Delas. Emagreci 29 quilos. Comecei tratamentos, fui à academia todos os dias e passei a cuidar da minha imagem, da minha saúde emocional, da minha presença no mundo.

E, junto com essa transformação, veio um choque silencioso: o quanto eu deixei pessoas me usarem. O quanto eu aceitei menos do que merecia só para não perder pertencimento e o quanto eu confundi amor com aceitação.

Quando a gente cresce, muda e se fortalece, nem todo mundo acompanha.

E não é, na maioria das vezes, por maldade: as pessoas não acordam querendo nos ferir mas ferem: diminuem, ignoram e deslegitimam. Às vezes, não dizem nada e o silêncio machuca mais do que qualquer crítica.

Você sente no olhar atravessado, num comentário disfarçado de brincadeira.

Na falta de entusiasmo pelas suas conquistas e vem uma sensação de que você “está se exibindo”, quando, na verdade, só está existindo com mais verdade.

E isso dói. Perceber que crescer também custa relações. Dói entender que, ao se escolher, você deixa de ser conveniente. Sustentar quem você se tornou sem se encolher de novo para caber no conforto alheio.

Hoje, eu sigo mesmo assim: com dias mais silenciosos, com menos aplausos, com menos gente por perto, mas certamente com mais “inteireza”.

E se eu puder te dizer algo, mulher, é isso: não se anule para ser aceita. Não se diminua para ser amada. Não abandone quem você é para não incomodar.

O julgamento do outro fala muito mais sobre ele do que sobre você.

Siga seus ideais. Não desista do amor, mesmo que ele precise ser reconstruído.

Não abra mão da sua fé, seja ela em Deus, na espiritualidade ou na própria vida.

Para mim, a fé, a família, meus filhos e a presença de Deus me sustentam quando o mundo fica barulhento demais. Mas, acima de tudo, não abandone a si mesma.

Confie na força que você tem, acredite no seu processo e siga! Mesmo com medo, cansada e muitas vezes, sozinha!

Quando você se escolhe, o mundo pode até estranhar: mas a sua alma reconhece que, finalmente, você está no caminho certo.

Com carinho... Pra você!

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