Tem dia que eu acordo já atrasada de mim mesma.
Respondo mensagens, tomando café, arrumo lanche das crianças, faço almoço, enquanto me troco e saio de casa com a sensação de que tô esquecendo alguma coisa: geralmente, eu mesma.
A gente vai entrando nesse modo automático e nem percebe. E eu estou nele, faz tempo!!!
Responde “tudo bem?” no elevador sem ouvir a pergunta, dá risada no grupo do trabalho enquanto tenta lembrar se almoçou, e promete “depois eu descanso” como quem diz “depois eu ganho na Mega-Sena”.
Até que o corpo resolve mandar mensagem.
Não no WhatsApp, claro, mas no estilo dele: dor de cabeça, formigamento, irritação, sono que não vem... Certamente você já deve ter recebido algum sinal assim...
E ele escreve em letras garrafais: “ME ESCUTA!”
Ah, mas quem tem tempo, né? A gente continua ali, tentando ser boa profissional, boa mãe, boa amiga… boa em tudo.
Até que, então, percebe que não tá sendo boa com quem mais importa: a gente mesma.
Esses dias, me peguei respondendo meu filho com um “aham” sem nem olhar pra ele!!! Nossa, meu coração dispara só de lembrar desta cena... E foi ali que entendi que o problema não era falta de tempo: era falta de presença.
E presença, minha amiga, não se marca na agenda, viu?
Ela aparece quando a gente para pra arrumar a bicicleta junto, mesmo sem saber usar a bomba de ar direito.
Quando topa jogar stop numa tarde fria, com cobertor e risadas de criança.
Quando tem coragem de enfrentar as situações de frente — sem empurrar com a barriga, sem fingir que tá tudo bem — só pra dar espaço ao que realmente faz sentido.
E presença, minha amiga, não se marca na agenda, viu?
Ela aparece quando a gente para pra arrumar a bicicleta, mesmo sem saber usar a bomba de ar direito.
Quando topa jogar stop numa tarde fria, com cobertor e risada de criança.
Quando tem coragem de enfrentar as situações de frente sem empurrar com a barriga, sem fingir que tá tudo bem: só pra dar espaço ao que realmente faz sentido.
Presença também é tomar um lanche com o namorado, não sentada de frente, mas de lado, sabe? Pra poder pegar na mão, encostar o ombro, sentir o coração batendo mais pertinho...
Em gestos simples, mora um tipo de amor que não precisa de pressa nem de palavras.
E me diz: quando foi a última vez que você fez isso, de verdade?
Presença é isso: estar inteira nas pequenas coisas.
No café da manhã bagunçado, na conversa que quase ficou pra depois, na escolha de dar tempo ao que tem valor.
Tem hora que o corpo cansa e o coração também.
E é aí que o carinho dos outros faz diferença: aquele café que o colega traz sem pedir nada em troca, o abraço rápido antes da reunião, um bilhetinho do filho dizendo “te amo, mãe”. Essas pequenas pausas salvam...
Talvez o segredo não seja desacelerar tudo, mas escolher o que realmente vale o nosso ritmo.
Porque no fim, a gente não quer dar conta de tudo: a gente quer estar inteira nas coisas que importam.
E pra você… o que tem importado ultimamente?
Quais as coisas que te importam?
E é sobre isso que eu tô aprendendo:
viver no ritmo da vida real.
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