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A Páscoa passou, e agora?

Lucas Sanseverino traz uma reflexão junto a Doutora em Psicologia Renata Bueno sobre mudanças e alinhamento de expectativas pós-feriado

Por Redação
REDAÇÃO

24/04/2025 • 10:19 • Atualizado em 24/04/2025 • 10:19

Lucas Sanseverino
A Páscoa passou, e agora?

A Páscoa passou, e agora?

Divulgação

**Antes de mais nada é necessário esclarecer que essa reflexão é baseada em uma perspectiva cristã, que pode ser aplicada a qualquer pessoa independente da fé, trazendo pensamentos para uma vida com valores e princípios. Dito isso…

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Muitos conseguem desenvolver uma consciência cristã durante a Semana Santa, e até mesmo durante esse período consegue voltar o coração a Deus e refletir sobre valores e prioridades. Mas como uma noite de bom descanso, o dia amanhece, a segunda-feira chega, e a rotina nos convida a viver o mesmo, da mesma forma como sempre vivemos.

A reflexão da mudança de vida para a Páscoa deveria pelo menos durar mais que o Ovo de chocolate presenteado por familiares ou amigos. Nossos anseios e limitações, deveriam ser questionados e colocados na Cruz tão admirada e comentada durante festividades religiosas ou nas rodas de conversa que podemos ter.

Como viver uma vida alinhada com o que buscamos nesse feriado e não perder a consciência que nos foi dada nesse período. Ou até mesmo, você que no próprio feriado teve atitudes desconexas com o que acredita ou anseia acreditar, como resgatar o que ficou perdido num trânsito longo, em situações difíceis com a famíla e outras situações corriqueiras que pode questionar nossa fé.

Para nossa conversa, a Doutora em Psicologia Renata Bueno, que traz um trabalho alinhando a ciência e a fé, divide pensamentos e conhecimento que podem nos levar a uma mudança genuína.

LUCAS SANSEVERINO: Renata, primeiro vamos entender, é possível unir a psicologia com a fé?

Renata: Sim, e não só possível como necessário para muitas pessoas. A fé pode ser uma fonte profunda de sentido, enquanto a psicologia oferece ferramentas para compreendermos emoções, padrões de comportamento e traumas. Integrar esses dois campos permite que cuidemos do ser humano de forma completa — corpo, mente e espírito. A fé nos inspira, e a psicologia nos ajuda a estruturar esse caminho de transformação com autoconhecimento e prática. Podemos dizer que a psicologia nos ajuda a entender a alma, os pensamentos, os afetos e as memórias que carregamos e a fé oferece sentido, direção e esperança. Quando unimos as duas, vivemos um cuidado integral, alinhado com o propósito divino

LUCAS SANSEVERINO: Durante as Páscoa somos convidados a refletir sobre o sacrifício de Cristo na cruz, e até nos sentimos impelidos a mudar a rota em algumas atitudes e comportamento em que entendemos que não devemos mais ter. Esse sentimento de mudança pode ser auxiliado e alcançado com a ajuda da psicologia?

Renata :Com certeza sim. A psicologia oferece instrumentos poderosos para que essa vontade de mudança, que surge em momentos como a Páscoa, se transforme em ação concreta e duradoura. A psicoterapia possibilita espaço para trabalhar os valores do cliente , ajudando alinhar as decisões e mudanças desejadas com aquilo que acredita. Quando se consegue unir a reflexão espiritual com um processo psicoterapêutico, criamos caminhos reais para a transformação interior — com gentileza, sem culpa, mas com responsabilidade

A Palavra de Deus diz: “Transformem-se pela renovação da sua mente” (Romanos 12:2). Essa renovação não acontece da noite para o dia, mas exige reflexão, intencionalidade e ferramentas práticas. A psicologia pode ajudar nesse processo de mudança, tornando mais claros os gatilhos, os padrões automáticos e as feridas que dificultam essa renovação. Assim, aquilo que começa com o toque de Deus, pode se tornar um novo estilo de vida com ajuda técnica e amorosa

LUCAS SANSEVERINO: O que vemos infelizmente também, são pessoas se valendo da mensagem da cruz para ganhar força em seus discursos, mas na hora de aplicar um pouco que seja dessa grande sabedoria, parece que existe uma falha de memória na pessoa. Como olhar para isso e aplicar em nossas vidas o conhecimento de perdão, sem querer apontar o dedo para essa pessoa que não está praticando o que fala?

*Renata : Esse é um dos grandes desafios humanos. A psicologia nos ensina que projetamos nos outros muitas das nossas próprias lutas. E o Evangelho nos convida à compaixão. Quando alguém fala sobre amor, mas age com dureza, possivelmente está em conflito interno. O perdão verdadeiro é aquele que liberta o outro — mas também nos liberta. Julgar menos e compreender mais é um passo que exige maturidade emocional e espiritual. A psicologia pode nos ajudar a desenvolver essa maturidade.

Jesus nos ensinou: “Tirem primeiro a viga do seu olho, e então verão claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão” (Mateus 7:5). Assim, a psicologia e a fé nos convidam à autorresponsabilidade antes do julgamento*

Às vezes, vemos incoerência no outro porque estamos também lidando com as nossas próprias contradições. Quando aprendemos a perdoar, não é porque o outro merece, mas porque compreendemos que todos estamos em processo. Perdoar é mais sobre a liberdade do nosso coração do que sobre o comportamento alheio.

LUCAS SANSEVERINO: O feriado já passou, a rotina já é a mesma de sempre, os propósitos precisam ser colocados em prática. Como transformar esse processo de aprendizado em algo leve e não uma cruz a ser carregada?

*Renata : Essa analogia com “uma cruz a ser carregada” é uma metáfora poderosa. Muitos acreditam que mudar é sinônimo de sofrimento, mas isso é uma crença limitante.

O processo e aprendizado pode ser leve se ele for sustentado por propósito e autocompaixão. A psicologia positiva e a psicoterapia centrada na compaixão mostram que o caminho de mudança precisa ser cheio de acolhimento. Jesus não prometeu ausência de desafios, mas prometeu alívio. A mudança verdadeira não pesa, ela liberta.

Quando nos aproximamos de Deus com sinceridade, Ele nos ajuda a caminhar com leveza. A psicologia, por sua vez, nos orienta a construir hábitos e decisões que estejam alinhados com nossos valores, sem culpa, sem perfeccionismo, mas com constância e esperança.*

LUCAS SANSEVERINO: A culpa é algo que todos precisamos lidar. Erros do passado muitas vezes podem nos impedir de seguir em frente. Como eliminar a culpa do coração de maneira a seguir a caminhada?

Renata : A culpa pode ser um sinal de que algo precisa ser ajustado, mas ela não deve se tornar prisão. Na psicologia, trabalhamos para que a culpa dê lugar à responsabilidade — que nos permite aprender com o passado, sem carregar fardos desnecessários. Já na fé e espiritualidade cristã, encontramos o perdão como graça — algo que nos é dado, mesmo sem merecimento. Quando unimos esses dois entendimentos, entendemos que é possível recomeçar. E mais: que somos dignos de recomeçar.

A fé nos lembra que já somos perdoados. Quando entendemos isso com profundidade, conseguimos nos levantar, deixar o passado e seguir com liberdade.

Não podemos nos esquecer que Páscoa é ressurreição, é nascermos para algo novo. Este novo é o Amor, Esperança, Perdão e uma vida leve .

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