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BURNOUT: O estresse no trabalho deve ser levado a sério.

Lucas Sanseverino entrevista a Dra em psicologia Renata Bueno

Por Redação
REDAÇÃO

18/02/2025 • 13:24 • Atualizado em 18/02/2025 • 13:24

Lucas Sanseverino
Síndrome de Burnout

Síndrome de Burnout

Mizuno K/Pexels

O trabalho tem como objetivo principal nossa fonte de renda, mas também pode ser um local de conquistas que nos motivem, amizades que nos acolhem e experiências que nos fazem crescer.

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Mas ao conversar com MUITAS pessoas (digamos que sou bem relacionado e tenho muitas amizades ou pessoas de confiança), percebo que a esmagadora maioria reclama do seu serviço. É o chefe abusivo, o coleguinha do trabalho que quer puxar o tapete, o cliente que muda tudo o tempo todo e nunca está satisfeito... A verdade é que o sistema em que vivemos no formato de trabalho tem nos estressado.

Aquela pergunta carregada de expectativas quando criança: “o que você vai ser quando crescer?” está ligada a sonhos, uma fantasia sobre o ofício escolhido. Quando adultos muitos esperam pelo dia que amadurecer e se aposentar. Ou seja o que era um sonho virou pesadelo!

Como um estresse contínuo pode prejudicar sua vida a ponto de você paralisar? Até que ponto a saúde mental pode ser prejudicada por uma rotina desgastante e exigências desumanas? Uma palavrinha tem feito parte do nosso dia a dia: burnout! Infelizmente parece que veio para ficar.

Tive uma conversa com a dra em psicologia Renata Bueno, para entender como evitar e até mesmo se é possível se transformar, mesmo o mercado de trabalho exigindo tanto da gente.

LUCAS SANSEVERINO: O que é a síndrome de burnout e por que ela tem sido tão falada ultimamente?

RENATA BUENO: A síndrome de burnout é um esgotamento físico e mental causado pelo estresse crônico no trabalho. Ela se tornou um tema frequente porque, com o aumento das exigências profissionais e da hiperconectividade, muitas pessoas estão enfrentando dificuldades para equilibrar trabalho e vida pessoal. Além disso, em 2022, a OMS passou a reconhecer o burnout como um fenômeno ocupacional.

LUCAS SANSEVERINO: Quais são os principais sintomas do burnout?

RENATA BUENO: Os sintomas podem ser divididos em três categorias:

• Exaustão emocional: cansaço extremo, dificuldade para descansar e sensação de estar “no limite”.

• Despersonalização: distanciamento emocional do trabalho, cinismo e sensação de apatia.

• Baixa realização profissional: queda na produtividade, falta de motivação e sentimento de incompetência.

Outros sinais incluem insônia, dores musculares, dores de cabeça e problemas gastrointestinais.

LUCAS SANSEVERINO: Como diferenciar burnout de um cansaço comum?

RENATA BUENO: O cansaço comum melhora com descanso, férias ou finais de semana. Já o burnout persiste, mesmo após períodos de descanso. Além disso, o burnout afeta não apenas a disposição física, mas também a saúde mental, provocando ansiedade, depressão e até crises de pânico.

LUCAS SANSEVERINO: Quais são as profissões mais afetadas pelo burnout?

RENATA BUENO: Profissões que envolvem alta demanda emocional e pressão excessiva são as mais afetadas. Entre elas:

• Professores e profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos);

• Executivos, bancários e advogados, devido às longas jornadas e cobranças excessivas;

• Profissionais de tecnologia, que lidam com alta pressão e prazos curtos;

• Jornalistas e comunicadores, devido ao ritmo intenso e ao impacto emocional das notícias.

LUCAS SANSEVERINO: Quais são os impactos do burnout na saúde mental e física?

RENATA BUENO: O burnout pode levar a ansiedade, depressão, ataques de pânico e dificuldades cognitivas (como falhas de memória e concentração). No corpo, pode causar hipertensão, problemas gastrointestinais, insônia, dores musculares e enfraquecimento do sistema imunológico. Quando não tratado, pode aumentar o risco de doenças cardíacas e até de esgotamento total, exigindo afastamento do trabalho.

LUCAS SANSEVERINO: Como prevenir o burnout no dia a dia?

RENATA BUENO: A prevenção passa por mudanças nos hábitos e na cultura organizacional. Algumas estratégias incluem:

• Estabelecer limites: definir horários para o trabalho e o lazer.

• Praticar atividades relaxantes: meditação, esportes e hobbies ajudam a reduzir o estresse.

• Cuidar da saúde mental: buscar terapia, conversar sobre as dificuldades e aprender técnicas de regulação emocional.

• Reavaliar prioridades: reconhecer quando o excesso de trabalho está prejudicando a saúde e tomar medidas para reduzir a carga.

LUCAS SANSEVERINO: As empresas têm responsabilidade sobre o burnout dos funcionários?

RENATA BUENO: Sim. O burnout é um problema ocupacional, e as empresas têm papel fundamental na sua prevenção. Ambientes tóxicos, cobranças excessivas e falta de reconhecimento são fatores que contribuem para o esgotamento. Empresas saudáveis investem em carga horária equilibrada, programas de bem-estar e suporte emocional aos funcionários.

LUCAS SANSEVERINO: Quando é necessário procurar ajuda profissional?

RENATA BUENO: É essencial procurar ajuda quando os sintomas começam a afetar o bem-estar diário, como insônia persistente, crises de ansiedade ou queda acentuada no desempenho. Um psicólogo ou psiquiatra pode ajudar no diagnóstico e tratamento, que pode incluir psicoterapia e, em alguns casos, medicação.

LUCAS SANSEVERINO: Quais são os direitos trabalhistas para quem tem burnout?

RENATA BUENO: No Brasil, o burnout é reconhecido como uma doença ocupacional, garantindo ao trabalhador o direito ao afastamento pelo INSS se houver laudo médico comprovando a relação com o trabalho. Além disso, a empresa pode ser responsabilizada caso tenha contribuído para o adoecimento do funcionário.

LUCAS SANSEVERINO: Como lidar com o burnout e se recuperar?

RENATA BUENO: A recuperação envolve três pilares:

Descanso adequado: tirar férias ou afastamento se necessário.

Mudanças na rotina: reduzir carga de trabalho e incluir atividades prazerosas.

Apoio psicológico: fazer psicoterapia para entender e modificar padrões que levaram ao burnout.

Em casos mais graves, pode ser necessário mudar de ambiente de trabalho ou até de carreira. O mais importante é não ignorar os sinais e priorizar a saúde

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