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A falta de calma pode custar caro quando você não sabe usá-la

Por Redação
REDAÇÃO

20/11/2025 • 14:46 • Atualizado em 20/11/2025 • 14:46

Negociação & Liderança
A falta de calma pode custar caro quando você não sabe usá-la

A falta de calma pode custar caro quando você não sabe usá-la

Divulgação

Quantas vezes uma reunião escalou porque alguém elevou o tom sem perceber? Quantas conversas foram perdidas porque um comentário foi interpretado como ataque? Profissionais que trabalham sob pressão costumam acreditar que a tensão faz parte do jogo. Eles falam rápido, cortam frases, respiram de forma curta e acelerada. Esses comportamentos enviam sinais ao cérebro que reforçam o estado emocional interno. Quando o corpo entende que há risco, a escuta diminui, o foco se estreita e a impulsividade aumenta.

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Ter calma parece ser uma qualidade simples e intuitiva. Muitos acreditam que basta ter autocontrole para lidar com temas complexos, como reuniões e negociações tensas. Mas não é bem assim. A calma é uma das habilidades mais difíceis de desenvolver. Porém, a boa notícia é que a neurociência mostra que calma é uma habilidade treinável e estratégica.

A calma não é apenas uma característica pessoal, mas uma vantagem competitiva. A diferença entre reagir no impulso e responder com clareza pode significar perda financeira, desgaste relacional ou acordos mal estruturados. A maioria dos profissionais acredita que está no controle, mas, na prática, isso raramente é verdade. A emoção, na maior parte das vezes, faz com que as pessoas reajam antes de qualquer autorregulação.

Pesquisas em neurociência mostram que o cérebro entra em modo de defesa quando percebe desafio ou pressão. Isso acontece em menos de um segundo, antes que a razão participe. Na lógica, bastaria pensar de forma racional, mas a biologia mostra outra realidade. O corpo aciona o sistema de ameaça primeiro, e só depois a parte racional tenta recuperar o controle. Muitos negociadores acreditam que dominam suas emoções, mas raramente percebem que o corpo já decidiu como agir.

O negociador acredita que está sendo firme, mas a outra parte percebe agressividade.O líder acha que está sendo claro, mas a equipe sente ameaça.Esse é um problema recorrente que leva a grandes perdas todos os dias: perda de dinheiro, perda de confiança e perda de respeito.

A boa notícia é que esse ciclo pode ser quebrado. Pequenas intervenções fisiológicas mudam o estado emocional em poucos segundos. A mais eficaz delas é a respiração consciente. Profissionais treinados usam essa técnica para desativar o sistema de ameaça e recuperar clareza mental.

A prática é simples (embora muitas vezes difícil de aplicar por falta de conhecimento). Respirar de forma lenta e contínua ativa o sistema parassimpático, responsável pela retomada da calma. Esse processo reduz o ritmo cardíaco, amplia a capacidade de escuta e melhora a qualidade das decisões.

Executivos que treinam respostas fisiológicas entram em reuniões com maior equilíbrio. Eles observam mais, falam menos e identificam sinais que passariam despercebidos. Essa habilidade transforma negociações difíceis em conversas produtivas.

Uma das profissionais que tem aprofundado esse tema é Karen English, do Maitri Immersion Center, que desenvolveu um workshop para executivos, onde uma das sessões, é sobre a respiração aplicada a ambientes de alta pressão e que a calma não depende só de temperamento, mas também de técnica. Em seus encontros com executivos, a estrutura é clara. Primeiro, eles entendem o funcionamento do sistema nervoso para depois, aprender e praticar exercicios simples de respiração que podem ser usados antes de uma reunião, durante uma negociação tensa ou logo após um conflito. Quanto mais treinada a respiração, maior a capacidade de manter presença e foco, mesmo sob pressão intensa.

Um dos grandes diferenciais dos profissionais de negociação e liderança de alto nível é que não confiam apenas na lógica ou na preparação técnica. Eles dominam a mente e o próprio corpo. Entendem como as emoções surgem, sabem intervir cedo e preservam clareza para tomar decisões que criam valor. Isso garante acordos mais robustos, relações mais fortes e menos perdas pessoais e profissionais.

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