
Você Prefere Negociar com Alguém que Sabe ou com Alguém que Não Sabe?
Imagens da internet
Imagine uma empresa onde só os diretores ou vice presidentes comerciais/compra sabem negociar. O que acontece? O resto da equipe fica dependente deles, com medo de tomar decisões, com receio de dizer “não” a um cliente ou sem saber como pedir aquilo que precisa. Isso trava a operação, gera retrabalho e desgaste... isso deixa dinheiro na mesa.
Agora pense em uma equipe onde todos — do estagiário ao vp — têm segurança para negociar dentro do seu escopo. Isso cria agilidade, confiança e melhores relações internas e externas.
Quando digo em “democratizar a negociação”, estou dizendo que essa habilidade não pode ficar restrita aos altos cargos ou a quem fez MBA. Negociar é uma habilidade essencial, que todos deveriam aprender — independente da profissão, do cargo ou do momento de carreira. É uma ferramenta de inclusão, crescimento e autonomia. Quanto mais pessoas souberem negociar, melhor será o ambiente de trabalho, melhores serão os resultados das empresas e mais oportunidades surgirão para todos.
Negociar deveria ser uma troca de mão dupla, com o objetivo de chegar a um acordo — de preferência, satisfatório para os dois lados. No entanto, a maioria das pessoas encara a negociação pensando apenas no seu próprio lado. Isso, muitas vezes, leva ao rompimento de relações profissionais e pessoais que poderiam ter sido preservadas com um pouco mais de escuta e empatia.
Você já parou para pensar em quantas vezes por dia você negocia? Talvez não se dê conta, mas a verdade é que todos nós negociamos o tempo todo. Negociamos com clientes, fornecedores, colegas de trabalho, filhos, parceiros e até com nós mesmos. E o mais curioso é que, mesmo sendo algo tão presente na nossa vida, ainda existe a ideia errada de que negociar é coisa apenas de vendedores, executivos ou advogados.
Muita gente tem medo da palavra “negociação” porque associa com briga, disputa, ou com alguém tentando levar vantagem sobre o outro. Mas negociar, de verdade, é buscar um acordo que funcione para os dois lados. É encontrar um caminho no meio do conflito, sem precisar gritar, ameaçar ou ceder tudo para manter a paz.
Por exemplo: um colaborador que quer mais tempo para entregar uma tarefa está negociando. Um líder que tenta ajustar metas com sua equipe, também. Um pai que quer que o filho vá dormir mais cedo, idem. Em todos esses casos, negociar é conversar com clareza, com respeito e com objetivo.
Muitas vezes escuto frases como: “Eu não levo jeito pra isso”, ou “Meu perfil não combina com negociação”. E eu sempre respondo: ninguém nasce sabendo negociar, mas todo mundo pode aprender.
Negociar bem não é uma questão de personalidade. É uma questão de preparo. E preparo não depende de ser extrovertido, experiente ou ocupar um cargo alto. Preparo é entender o que você quer, o que o outro quer e como construir um caminho entre os dois. Com prática, qualquer pessoa pode desenvolver essa habilidade.
Quando a negociação entra na cultura de uma organização, acontecem três coisas importantes:
- Mais autonomia: as pessoas sabem lidar com conflitos e tomar decisões no dia a dia, sem depender tanto da liderança.
- Melhores acordos: a empresa consegue vender melhor, comprar melhor e manter relacionamentos mais duradouros.
- Menos desperdício: de tempo, de dinheiro, de talento e de energia.
Negociar bem é bom para o negócio. E melhor ainda para as pessoas.
Se você é líder, incentive sua equipe a aprender sobre negociação. Se você está começando na carreira, não espere chegar a um cargo alto para desenvolver essa habilidade. E se você já negocia no dia a dia, reflita: será que está fazendo isso da melhor forma?
A negociação não precisa ser complicada. Ela só precisa ser levada a sério. E quanto mais a democratizarmos e a tratarmos como parte essencial do nosso trabalho, mais preparados estaremos para os desafios do presente — e do futuro.
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