
Negociação oculta
Imagens da internet
Quando um profissional coloca uma opinião na mesa, ele/ela costuma acreditar que aquilo é a verdade absoluta. Existe um conforto psicológico em achar que essa visão de mundo é um fato incontestável. Só que, muitas vezes, a sua verdade pessoal não é a verdade do mercado e muito menos a da mesa de negociação. Já vi muitos profissionais inteligentes caírem nessa armadilha o tempo todo. Eles confundem anos de experiência (ou um cargo importante) com ter a razão ou apego ao próprio ego. E o resultado é quase sempre uma discussão inútil onde ganha quem grita mais alto ou quem tem o crachá mais pesado, e não quem traz os melhores dados.
Mas o que é realmente uma opinião? Opinião é um julgamento pessoal sobre algo. É a forma como você interpreta um fato, e não o fato em si. Ela nasce das suas experiências, das suas crenças e até do seu humor naquele dia. Por isso, uma opinião pode ser valiosa quando vem acompanhada de argumentos e dados, ou pode ser apenas um palpite quando vem sozinha.
Imagine um diretor de suprimentos entrando em uma reunião decisiva. Ele está focado em baixar os custos e pressiona o fornecedor com força. O detalhe é que ele faz isso baseado apenas no que "acha" ou no que o preço "deveria ser". Sem planilhas ou dados de mercado, isso fica no puro instinto. E o que acontece depois? O fornecedor se fecha, a confiança desaparece e o acordo final fica ruim para os dois lados.
Essa história ilustra um problema muito comum: a maioria das pessoas diz que toda opinião deve ser respeitada. Mas isso é uma mentira... mas uma mentira bastante confortável, pois a verdade é que uma opinião sem argumentos válidos não serve para muita coisa. Falar por falar é fácil. Qualquer pessoa faz isso. Mas no mundo dos negócios, opiniões rasas disfarçadas de estratégia custam milhões de reais todos os dias. E o pior é que ninguém percebe o estrago imediato no lucro. Opinião sem base é apenas um barulho que sai caro.
As consequências dessa arrogância intelectual aparecem rápido. Você perde margem de lucro e destrói a confiança entre parceiros. O achismo não gera apenas resistência. Ele mata qualquer chance de criar soluções criativas e de valor. Já vi muito esse padrão autodestrutivo. Muitos profissionais preferem defender uma ideia furada a admitir que não sabem os números exatos do outro lado da mesa.
Como podemos quebrar esse ciclo? A resposta não é falar menos. É estruturar o pensamento antes de abrir a boca. Como um executivo amigo meu do chile me dice: “É como tentar pilotar um avião confiando apenas no que você sente, ignorando os painéis de controle. Uma hora o desastre acontece.”
Há pouco tempo, estive ajudando um executivo de uma multinacional no Brasil quase destruiu uma parceria estratégica de anos, já que ele achava que a outra parte (da china) estava agindo de má-fé por causa de um e-mail mal escrito. Fazia sentido jogar anos de relacionamento no lixo por uma impressão puramente subjetiva? Claro que não. O mercado não liga para o que você sente. Ele responde ao que você consegue provar com lógica.
Os profissionais de elite veem a negociação como uma ferramenta de organização mental e não como palco para o ego. Eles não entram em uma sala para impor verdades, mas sim para testar hipóteses usando dados rigorosos. As equipes que mudam essa mentalidade e que também aprendem a separar a pessoa do problema conseguem resgatar margens de lucro que pareciam perdidas e conseguem fechar acordos muito mais fortes e duradouros. Para conseguir isso, as equipes devem ter a coragem de trocar o "eu acho" pelo "os dados mostram".
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