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Quer influenciar? Pare de argumentar e comece a perguntar.

Por Redação
REDAÇÃO

23/10/2025 • 11:52 • Atualizado em 23/10/2025 • 11:52

Negociação & Liderança
Quer influenciar? Pare de argumentar e comece a perguntar.

Quer influenciar? Pare de argumentar e comece a perguntar.

Divulgação

“Eu só queria que ele entendesse o meu ponto de vista.” Essa é a frase mais comum que ouço de líderes e negociadores frustrados. Eles acreditam que, se explicarem melhor, o outro finalmente vai entender. O problema é que, quanto mais argumentos usamos, mais resistência criamos. Isso não é falta de lógica... é biologia.

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Quando alguém sente que está sendo empurrado para mudar de opinião, o cérebro ativa a mesma área ligada à defesa física. A pessoa deixa de ouvir para preparar sua resposta, e quanto mais racional for o argumento, mais sofisticada se torna a defesa. É por isso que discussões nas negociações frequentemente terminam em impasse.

Em negociações, reuniões ou conversas de liderança, é comum ver profissionais tentando “vencer” pela razão: dados, relatórios e até slides impecáveis. Mas esquecem que convencer não é o mesmo que influenciar. O primeiro provoca resistência; o segundo desperta reflexão.

Um comprador, por exemplo, tenta pressionar o fornecedor dizendo: “Se você não baixar o preço, não há acordo.” O fornecedor responde com a mesma rigidez: “Não posso reduzir mais, minha margem já está no limite.” Ambos estão certos nos argumentos...e ambos estão presos.

Nenhum dos dois está realmente pensando sobre o que o outro precisa, pois estão somente reagindo.

A diferença aparece quando um dos lados muda a postura ou o jeito de comunicar. Imagine que o comprador, em vez de argumentar, pergunta:

“Se fosse possível reduzir custos sem mexer no preço, o que poderíamos fazer juntos?”

Essa simples pergunta desloca o foco do conflito para a colaboração. O fornecedor sai da defesa e entra na reflexão.

Perguntas bem formuladas não atacam o ego, não impõem uma resposta e não exigem concordância. Elas criam uma pausa, e nessa pausa aparece o pensamento crítico. É o que os bons líderes e negociadores fazem: reduzem a necessidade de convencer e aumentam a capacidade de fazer o outro pensar.

Em psicologia, sabe-se que as pessoas valorizam mais as ideias que descobrem por conta própria do que aquelas que lhes são impostas. O mesmo acontece nas negociações. Perguntar é permitir que o outro “chegue lá” com autonomia. Isso não significa ser passivo ou abrir mão de objetivos. Significa conduzir o diálogo de forma estratégica.

Sócrates já fazia isso há mais de dois mil anos. Em vez de dizer “a verdade”, fazia perguntas que desmontavam certezas.

Líderes contemporâneos que dominam essa arte mostram que a escuta ativa e as perguntas certas criam engajamento e pensamento de longo prazo.

No fundo, fazer perguntas é uma forma de respeito. Reconhece que o outro tem capacidade de pensar, decidir e construir junto. Argumentar é tentar controlar; perguntar é tentar compreender.

E a influência verdadeira nasce da compreensão.

Para terminar, deixo uma sugestão para a próxima vez que você queira convencer alguém, seja um cliente, um colega ou seu time: tente trocar “deixe-me explicar” por “posso te fazer uma pergunta?”.

Talvez você descubra que a mudança começa não quando o outro ouve, mas quando ele/ela começa a pensar.

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