
Sede Social
Divulgação
Desde que fundei o Instituto Regeneração Global, em 2018, tive contato com inúmeras iniciativas voltadas à sustentabilidade, educação e cultura. Mas, em São José dos Campos, poucas delas me surpreenderam tanto quanto o CAEB – Centro Ambiental Artístico-Cultural Edoardo Bonetti. Criado por Dona Ema e seu marido, Edoardo Bonetti, o CAEB nasceu da visão de que arte, cultura e meio ambiente são partes inseparáveis de uma educação verdadeiramente transformadora.
“No início da década de 1990, meu marido, que era engenheiro italiano, e eu, médica, estávamos pensando em como deixar um legado para a comunidade. Assim nasceu a ideia do CAEB, uma instituição voltada para a educação socioambiental e a educação artística e cultural, com foco principal na infância e juventude de famílias em situação de vulnerabilidade, visando diminuir a marginalização social”, explica Dona Ema.
Música: O Elo que Conecta Todas as Ações

Cravo
Se há um fio condutor que liga todas as atividades do CAEB, esse elo é a música. Para Dona Ema, a música não é apenas uma expressão artística, mas um canal que possibilita o desenvolvimento humano em sua plenitude. “A música e as artes enobrecem a alma e ampliam a percepção do mundo. Como dizia Nietzsche, ‘sem a música, a vida seria um erro’. A música desperta a sensibilidade, tornando as pessoas mais atentas à natureza e à vida ao redor”, ressalta.
O Núcleo de Música Antiga, por exemplo, reúne músicos e pesquisadores que exploram a riqueza da música erudita, proporcionando não apenas concertos, mas experiências formativas para novos talentos. Além disso, a Residência Artística permite que músicos e artistas encontrem no CAEB um espaço de criação, longe da pressa e do ruído das cidades. “Criamos um ambiente onde os artistas podem se aprofundar no que realmente importa: a essência da arte”, explica.
Educação e Sustentabilidade Caminhando Juntas
O CAEB propõe um modelo de educação que vai além das salas de aula tradicionais. A formação oferecida aqui é experiencial e sensorial, permitindo que crianças, jovens e adultos se conectem com a natureza e a arte de maneira orgânica. “Precisamos reconectar as pessoas com suas origens, com a natureza e com a arte, pois esses são os elementos que formam um mundo melhor”, afirma Dona Ema.
Na frente socioambiental, atividades como trilhas educativas e escaladas em árvores reforçam a importância da relação com o meio ambiente. Além disso, programas como "Cuidar para Transformar", idealizado por Dona Ema, criam espaços de acolhimento para educadores e profissionais que atuam na linha de frente do ensino e da assistência social, promovendo práticas de escuta ativa e imersão na natureza. “O contato com a natureza ajuda a restaurar o equilíbrio, trazendo um novo olhar sobre o que realmente importa na vida”, destaca.
O CAEB como Modelo de Regeneração
Mais do que um espaço físico amplo e repleto de natureza, o CAEB é um conceito vivo de regeneração cultural e ambiental. Seu impacto vai além das atividades que oferece: ele resgata a essência do aprendizado humano, onde arte e meio ambiente não são meras disciplinas, mas sim forças integradoras de um mundo mais equilibrado. “Queremos formar jovens e crianças com criatividade, com desejo de preservar e enobrecer a natureza”, enfatiza Dona Ema.
Dona Ema e Edoardo Bonetti materializaram um sonho que hoje inspira aqueles que têm o privilégio de conhecer esse tesouro. O CAEB é um exemplo de como a cultura pode ser a chave para um desenvolvimento sustentável, e como a música pode unir todas as áreas do conhecimento em um propósito comum. “A sustentabilidade e a arte caminham juntas. Uma completa a outra”, conclui.
Ainda há muito a ser descoberto sobre esse espaço singular. E para aqueles que buscam uma experiência que transcende o convencional, vale acompanhar a programação do CAEB e mergulhar em seu universo transformador.

Evento na sede social
Entrevista completa com Ema Bonetti - Fundadora CAEB
Origem e Propósito do CAEB
Como nasceu a ideia do CAEB? Qual foi a motivação para criar esse espaço?No início da década de 1990, meu marido, que era engenheiro italiano, e eu, médica, estávamos pensando na aposentadoria profissional e em como deixar um legado para a comunidade. Assim nasceu a ideia do CAEB, uma instituição voltada para a educação socioambiental e a educação artística e cultural, com foco principal na infância e juventude de famílias em situação de vulnerabilidade, visando diminuir a marginalização social.
Quem foi Edoardo Bonetti e qual a importância dele para o centro?Edoardo Bonetti foi meu marido, engenheiro de origem italiana, amante da natureza e das artes. Ele acreditava que tanto as artes quanto a natureza eram elementos essenciais para enobrecer a dignidade humana e fundamentais para retirar a humanidade da marginalização social. Essa foi a inspiração para a criação do CAEB: levar educação socioambiental e educação artístico-cultural a crianças e jovens de famílias em vulnerabilidade.
No início, qual era a principal missão do CAEB? Como esse propósito evoluiu ao longo do tempo?O CAEB foi idealizado para atuar em duas frentes principais: educação socioambiental e educação artístico-cultural. Desde 2017, buscamos aprimorar nossa atuação, pois entendemos que a primeira infância é uma fase essencial para a formação de valores e princípios. Criamos parcerias com instituições como a FUNDAS, a UNIFESP, a Fundação Cultural Cassiano Ricardo e o poder público para fortalecer nossa missão de promoção e divulgação do conhecimento.
Cultura como Ferramenta de Regeneração

Crianças na trilha
De que forma a arte e a cultura podem contribuir para a regeneração social e ambiental?Arte e cultura são indispensáveis para o desenvolvimento da sensibilidade e da dignidade humana. A arte tem o poder de transformar e sensibilizar o indivíduo, promovendo um olhar mais atento para a natureza e para o outro. É por meio do contato com a arte e a natureza que conseguimos despertar uma consciência mais empática e humana.
O CAEB já realizou atividades culturais voltadas para a conscientização ambiental? Pode nos contar alguns exemplos?Sim. Um dos nossos principais projetos é a "Silvoterapia", idealizado pelo nosso diretor Rogério Mazzeo. Ele inclui trilhas, meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão), horta de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), hortas medicinais e diversos ateliês de arte natural. Também promovemos atividades como escalada em árvores, palestras de educação ambiental e a "Sala das Essências", onde os participantes despertam seus sentidos por meio dos aromas naturais.
Educação e Impacto Comunitário
Quais projetos educacionais o CAEB já desenvolveu ou apoiou? Como eles impactaram a comunidade?O CAEB apoiou muitos projetos na área socioambiental e artística. Um exemplo marcante foi o projeto "Alimentação Saudável", ministrado pela chefe de gastronomia Analice Correia, voltado para mulheres da comunidade joseense. Ele ensinou receitas com PANCs, ajudando na geração de renda dessas mulheres. Na área artística, temos o projeto "Sopro de Música", voltado para o ensino da flauta doce, inspirado no ideal de Edoardo Bonetti.
Como a música e as artes podem ajudar na formação de uma sociedade mais consciente e conectada com a sustentabilidade?A música e as artes enobrecem a alma e ampliam a percepção do mundo. Como dizia Nietzsche, "o homem sem música é um ser imperfeito". A música desperta a sensibilidade, tornando as pessoas mais atentas à natureza e à vida ao redor.
Há programas ou iniciativas voltadas para crianças e jovens? Como esses projetos incentivam uma visão mais sustentável do mundo?Sim. O programa "Jovens Músicos Novos Talentos" busca aprimorar o talento de jovens músicos e prepará-los para a carreira artística. Contamos com a pianista russa Olga Lazareva e o professor Rodrigo, que trabalham na educação musical desses jovens.

Concerto na sede social
O Processo de Transformação do CAEB
O CAEB está passando por um processo de reformulação. Quais são as principais mudanças que estão sendo implementadas?Estamos reformulando a equipe, diversificando a captação de recursos e profissionalizando nossas ações para garantir um impacto ainda maior.
Quais desafios vocês têm enfrentado nessa transição e como pretendem superá-los?Crescer é desafiador. A falta de tempo e a dinâmica do mundo moderno são nossos maiores desafios. Para superá-los, buscamos flexibilidade e adaptação constantes.
Visão para o Futuro

Cuidar para transformar
Qual é a sua visão para o CAEB nos próximos anos? O que você deseja que o centro se torne?
Eu desejaria que o CAEB cumpra a sua missão. Como? Formando jovens e crianças em artes, com criatividade, com desejo de preservar, respeitar e enobrecer a natureza. Respeitando seus semelhantes, porque o amor à natureza traz também o respeito ao próximo, respeitando os animais e contribuindo para a sustentabilidade em um mundo melhor.
Ao mesmo tempo, que jovens e crianças se tornem profissionais integrais, íntegros, holísticos, com uma formação humanística e profissional de excelência, que possam competir em todos os desafios da vida e contribuir para um mundo melhor. Criando artes maravilhosas inspiradas na natureza, inspiradas no amor. E é também para os músicos, pois isso é muito importante para o mundo atual, que está tão distante da natureza, das artes e do amor.
Você acredita que o modelo do CAEB poderia ser replicado em outras cidades? Que conselhos daria para quem deseja criar um espaço cultural com foco em regeneração?
Eu acredito que sim, basta que essa pessoa entenda que a missão da sustentabilidade é primordial nos dias de hoje. Temos que voltar, nos reconectar com as origens, pois elas é que vão nos motivar e inspirar.
E qual é a maior fonte de inspiração? A natureza. Qual a maior fonte de inspiração e criatividade? As artes. Então, esses dois elementos, quando atuam conjuntamente, podem formar um mundo melhor e um ser humano melhor.
O que falta para que a arte, a cultura e a regeneração ganhem ainda mais espaço na sociedade?
É preciso promover ações que encurtem esse distanciamento que existe atualmente entre o homem, a natureza e as artes. Reconectar esse homem com suas origens, trazendo-o de volta ao contato com a arte e com a natureza.
Veja outras matérias da coluna SUSTENTABILIDADE E REGENERAÇÃO no link: https://www.band.uol.com.br/band-vale/colunistas/sustentabilidade-regeneracao
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