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Cidade e biodiversidade: o desafio dos animais silvestres nos meios urbanos

Por Fabiano Porto (@fabiano.pporto)

Por Redação
REDAÇÃO

01/05/2025 • 08:53 • Atualizado em 01/05/2025 • 08:53

Sustentabilidade e Regeneração - com Fabiano Porto

Com o avanço da urbanização, as cidades têm ocupado cada vez mais áreas naturais, criando um cenário onde a convivência com animais silvestres se torna inevitável. São José dos Campos instalou recentemente 55 placas educativas para alertar motoristas sobre a travessia de animais em pontos estratégicos da cidade — uma medida simples, mas essencial para lembrar que, mesmo no ambiente urbano, ainda compartilhamos território com outras espécies.

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O processo de urbanização, somado ao crescimento de condomínios fechados que formam “ilhas” de vegetação isoladas, fragmenta os habitats naturais e força muitos animais a circular próximo às áreas urbanas. Os casos como o aparecimento de lobos-guará na portaria de condomínios, ou mesmo nas ruas das cidades, mostram até onde o desequilíbrio pode chegar. O sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), um primata ameaçado de extinção, também circula por diversos pontos de São José dos Campos e outras cidades do Vale reforçando o quanto precisamos olhar com mais atenção para a biodiversidade urbana. Além da capivara, cachorro do mato, tatu, entre outros.

Entre os exemplos mais emblemáticos está o saruê, ou gambá. Apesar de ser inofensivo e extremamente benéfico para as pessoas — atuando no controle de pragas como insetos, cobras e aranhas —, ele costuma ser alvo de medo e perseguição, muitas vezes por conta de sua aparência, que lembra a de um rato. Esse tipo de desinformação acaba agravando ainda mais o impacto da urbanização sobre os animais silvestres.

Saruê com filhotes, uma das espécies que mais são observadas dentro de residências e são frequentemente alvo de violência, apesar da sua benéfica atuação na natureza e no combate de animais peçonhentos

Saruê com filhotes, uma das espécies que mais são observadas dentro de residências e são frequentemente alvo de violência, apesar da sua benéfica atuação na natureza e no combate de animais peçonhentos

A instalação das placas não apenas sinaliza a presença da fauna — ela tem potencial direto de salvar vidas. Dados do “atropelômetro” do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), com sede na Universidade Federal de Lavras (Ufla), indicam que a cada segundo, 17 animais silvestres morrem atropelados no país. O Sudeste concentra cerca de 56% desse total. Esses números reforçam a urgência de medidas que vão além da sinalização, envolvendo também educação ambiental e planejamento urbano.

O ponto central é entender que esses animais não estão “invadindo” as cidades — somos nós que avançamos sobre seus habitats. E, ao fazer isso, comprometemos não apenas a sobrevivência das espécies, mas também os serviços ecossistêmicos que elas oferecem, fundamentais para manter o equilíbrio ecológico e até a saúde humana.

Logo Guará avistado em ruas do Bairro Urbanova em São José dos Campos

Logo Guará avistado em ruas do Bairro Urbanova em São José dos Campos

Conviver com a fauna urbana é possível e necessário. E importante lembrar: quando encontramos um animal ferido ou em risco, o correto é acionar o Corpo de Bombeiros ou buscar o encaminhamento para um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), que possui estrutura especializada para o acolhimento e cuidado adequado.

Respeitar e proteger a fauna urbana é, no fundo, um ato de responsabilidade coletiva — um lembrete de que cidades inteligentes não são feitas apenas de tecnologia e concreto, mas também de empatia e coexistência com todas as formas de vida.

Veja outras matérias da coluna SUSTENTABILIDADE E REGENERAÇÃO no link: http://www.band.com.br/band-vale/colunistas/sustentabilidade-regeneracao

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