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Muito calor? Maresias inaugura nova cachoeira em ação coletiva pelo turismo sustentável

Por Fabiano Porto (@fabiano.pporto)

Por Redação
REDAÇÃO

27/02/2025 • 10:05 • Atualizado em 27/02/2025 • 10:05

Sustentabilidade e Regeneração - com Fabiano Porto
Muito calor? Maresias inaugura nova cachoeira

Muito calor? Maresias inaugura nova cachoeira

Divulgação

O Carnaval chegou e, com ele, a previsão de ondas de calor intensas para todo o Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte. Para quem está curtindo a folia ou apenas aproveitando o feriado para relaxar, a busca por um bom banho de água fresca se torna quase uma necessidade. A novidade é que, além das praias e cachoeiras já conhecidas da região, há um novo e lindo atrativo natural aberto ao público: a cachoeira das 7 Quedas, em Maresias.

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Portanto, além das famosas ondas que fazem de Maresias um paraíso do surfe — berço do campeão mundial Gabriel Medina —, a região conta com mais uma opção para quem busca um banho refrescante, contato com a natureza e momentos de tranquilidade em meio à Mata Atlântica. Além de uma “escola ao ar livre” para projetos educacionais com escolas e estudantes.

Por trás dessa conquista, há um exemplo inspirador de como a cooperação entre empresários, associações e comunidade pode transformar desafios em soluções sustentáveis. A Associação de Pousadas e Hotéis de Maresias (APHM) mobilizou esforços para viabilizar a reabertura da cachoeira com um modelo de gestão responsável, garantindo que o espaço fosse acessível sem comprometer sua preservação.

“Desde 2019 batalhamos pela reabertura da trilha, mas precisávamos encontrar um formato que evitasse o turismo predatório e os impactos ambientais”, explica Marina Veltman, Diretora Executiva da APHM. A preocupação fazia sentido: sem controle, o fluxo desordenado de visitantes estava gerando lixo, barulho excessivo e até acampamentos irregulares na mata. Para resolver o problema, a associação assumiu a gestão do local, implementando uma taxa simbólica de preservação de R$ 5,00 (apenas para turistas) e contratando monitores para orientar os visitantes. “Nosso compromisso sempre foi equilibrar turismo e conservação, garantindo que essa riqueza natural permaneça protegida”, completa.

A iniciativa também tem impacto direto no turismo regional. Rodrigo Costa, proprietário da Pousada Porto Mare, destaca que um atrativo natural bem estruturado amplia o tempo de permanência dos visitantes, impulsiona a economia local e fortalece Maresias como destino sustentável. “Essa cachoeira agrega valor para toda a região. Além de oferecer mais opções de lazer, reforça a imagem do Litoral Norte como um polo de ecoturismo e turismo de aventura”, afirma.

Mas o impacto positivo não se restringe a Maresias. O sucesso da reabertura da cachoeira das 7 Quedas serve de inspiração para outras cidades da nossa região. O modelo adotado mostra que a cooperação entre empresários, associações representativas e comunidade local pode ser um caminho eficiente para estruturar e preservar novos atrativos, fortalecendo o turismo sustentável como um todo.

A experiência de Maresias evidencia que preservar a natureza e promover o desenvolvimento econômico não são caminhos opostos. Pelo contrário, quando bem planejadas, iniciativas ambientais se tornam diferenciais competitivos e geram benefícios para todos: visitantes, moradores, empresários e, claro, o meio ambiente. Em um cenário de mudanças climáticas e crescente valorização do turismo responsável, esse é um exemplo que deveria se multiplicar por todo o Vale, Serra e Litoral.

Seja na praia, nas montanhas ou às margens de um rio, a mensagem é clara: quando diferentes setores da sociedade se unem em torno de um propósito comum, os resultados aparecem. E a reabertura da cachoeira das 7 Quedas é a prova viva de que cooperação e sustentabilidade são caminhos indispensáveis para o futuro do turismo na nossa região.

ENTREVISTA COMPLETA

Com Marina veltman - diretora executiva APHMBR - Associação de Pousadas, Hotéis, Bares, Restaurantes e Receptivos de Maresias

1. Como surgiu a ideia da APHM e qual foi o processo para unir os empresários do setor de turismo em Maresias? Quais são os maiores desafios enfrentados pela associação e como ela se relaciona com a comunidade local?

A APHM surgiu na década de 90, após um grande boom imobiliário e turístico no bairro. Os hotéis e pousadas viram a necessidade de se unir para tentar representatividade e busca por um crescimento ordenado no bairro. Após um período dormente, a entidade foi reativada após uma grande calamidade, a enchente de 2014, quando o bairro se viu tomado por águas logo no início da temporada, e passou a enfrentar uma crise de imagem muito grande, além de perceber a necessidade da busca por infraestrutura e planejamento visando impedir que uma situação como aquela se repetisse novamente.

Dentre os principais desafios enfrentados pela entidade, podemos destacar a crise econômica mundial e seus reflexos no turismo local, o crescimento desordenado e suas consequências estruturais e sociais, a crise climática e a estrutura ainda precária do bairro para lidar com elas.

Nos relacionamos com a comunidade local mantendo um diálogo aberto e muitas parcerias com as demais entidades representativas, de setores diversos como esportivas, da comunidade pesqueira, sociedade amigos do bairro, entre outros, assim como buscando fomentar e/ou inaugurar novas opções de lazer no bairro, o que beneficia não apenas ao público turístico como também à comunidade local, assim como a busca por planejamento e estruturas públicas que beneficiam não apenas ao turista como todos frequentadores do bairro. Também, por englobarmos grande parte dos estabelecimentos comerciais do bairro, temos uma grande atuação local focada em capacitação e profissionalização da mão de obra do bairro, assim como divulgação constante de vagas e captação de currículos.

2. Como a APHM conseguiu mobilizar diferentes setores para a reabertura da cachoeira em Maresias? Quais foram as principais dificuldades e como foram superadas?

Desde 2019 que batalhamos pela abertura da cachoeira da 7 quedas, um atrativo potente, mas que necessitava de controle e cuidado para evitar que a abertura ao público acarretasse em turismo predatório e impactos ambientais.

Com o tempo percebemos a urgência disso, visto que o público já havia descoberto a trilha, mesmo com a entrada fechada, e o fluxo de pessoas no espaço, sem nenhum controle, ia aumentando, com geração de lixo, consumo de bebidas alcoólicas, uso de caixas de som, camping irregular entre outros.

Após algumas demandas levadas ao COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) e muitas reuniões com o PESM - Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo São Sebastião e com a Fundação Florestal, foi estabelecido termos para um chamamento público de interesse. Inicialmente buscávamos um receptivo que assumisse a gestão da trilha, mas meses se passaram sem que conseguíssemos viabilizar. Então decidimos assumir esse risco, de gerir o espaço , e custear os gastos com a estruturação e contratação de monitores.

Entendemos como essencial essa monitoria, formada por agentes capacitados pelo parque, já que cotidianamente temos pessoas tentando adentrar na mata com coolers, garrafas de vidro, caixas de som e, inclusive, itens de churrasco.

A taxa de preservação, simbólica, exclusiva para turistas, de R$5,00, visa auxiliar no custeio da manutenção dessa estrutura. Importante destacar que apesar de buscarmos o fomento turístico, prezamos sempre pelo turismo sustentável.

O controle do acesso à trilha visa, essencialmente, permitir a visitação garantindo que o percurso da trilha, cachoeira e acessos se mantenham preservados, limpos e com o mínimo possível de impacto na fauna e flora locais. O turismo de natureza é um nicho ainda pouco explorado em nosso bairro, que carece de opções além da praia, e é essencial que seja preservado para que se sustente.

3. Quais foram os impactos positivos dessa reabertura para o turismo local e para a preservação ambiental?

No turismo, o principal impacto da abertura da trilha foi a criação de mais uma opção de atrativo de turismo de natureza/aventura no bairro. Apenas em janeiro, mês da abertura e ainda sem divulgação na mídia, tivemos cerca de 1000 visitantes no espaço, entre turistas e locais, uma prova da demanda reprimida existente. É importante diversificarmos as opções turísticas e ter atrativos além da praia para ofertar.

No quesito ambiental, o principal benefício imediato foi o controle do acesso, impedindo a entrada com caixas de som, coolers, itens para churrasco, barracas entre outros - o que já estava se tornando comum. A monitoria passou a inibir e impedir essas posturas, o que já garante maior sustentabilidade e perenidade ao atrativo.

Importante destacar que a preservação ambiental anda lado a lado com o turismo sustentável. Em Maresias, nossos principais atrativos são naturais, sem preservação e cuidado ambiental eles ficam em risco. Daí a necessidade de cuidarmos dos atrativos e do equilíbrio ambiental do bairro

4. Além da reabertura da cachoeira, quais outras iniciativas a APHM tem promovido para a conscientização ambiental dos empresários e turistas?

Considerando que conscientização ambiental e preservação fazem parte da nossa atuação como turismo sustentável, ao longo da trajetória da entidade desenvolvemos ações diversificadas nesse sentido.

Desde ações visando a tão buscada implantação do saneamento básico no bairro - com organização e divulgação, junto com demais entidades locais, de audiências públicas, ofícios, manifestações , etc demandando a urgência na implantação da rede de coleta de esgoto - até a atuação de nossos “fiscais de praia”, uma ação em parceria com a Somar (sociedade amigos de maresias) que envolve monitoramento semanal nas areias da praia, com conscientização do público sobre a legislação local e proibições , como presença de animais na faixa de areia, uso de caixa de som, circulação de quadriciclos, descarte de resíduos, realização de churrascos, entre outros.

Também apoiamos diversas ações de manutenção nas trilhas e mirantes do bairro, apoiamos ações de reciclagem e redução de resíduos nos estabelecimentos, estimulando os associados a adotarem posturas sustentáveis em seus respectivos comércios.

De uma forma geral, considerando a falta de saneamento e precariedade estrutural, o fato de Maresias seguir rotineiramente com bandeira verde e suas areias serem consideradas das mais limpas do país mostra que a comunidade local - estimulada tanto pela APHM quanto pelas demais entidades - tem buscado suprir as deficiências estruturais e o impacto turístico com conscientização e ações diversas tanto individuais como coletivas

5. Como a associação trabalha para incentivar práticas sustentáveis nos hotéis e pousadas da região, especialmente no que diz respeito ao tratamento de esgoto e gestão de resíduos?

A implantação de fossa ou ETE individual é uma obrigatoriedade. Não trabalhamos especificamente estimulando a implantação dessas, visto sabermos ser uma obrigação, mas sim temos uma ação de monitoria de possíveis descartes irregulares, que são repassados a outra entidade local para que a fiscalização e multa seja feita. Já sobre a gestão de resíduos, estimulamos e trazemos as opções de coleta existentes no bairro para conhecimento dos associados, além de mostrarmos a relevância de se assumir uma postura verde e consciente em seus estabelecimentos. Também fazemos a ponte com a prefeitura, sempre buscando a melhoria e ampliação do serviço de coleta de resíduos, com constante busca de destino correto para os resíduos gerados.

Temos alguns associados já cadastrados no projeto “lixo zero” e percebemos que, com conscientização e estímulo, essas posturas ainda individuais vão ganhando força e escopo coletivo.

6. Como a cooperação entre empresários, comunidade e o setor público pode contribuir para a regeneração ambiental e o desenvolvimento sustentável de Maresias

A união entre esses setores garante agilidade, empenho, representatividade e maior alcance de objetivos. No caso de Maresias, temos unido forças na busca pela implantação do saneamento, mas seguimos sem sucesso, e hoje caminhamos para ações como preservação de atrativos turísticos de segmento de natureza, assim como na busca pelo fortalecimento da reciclagem e redução de resíduos.

Seja qual for o objetivo, quando empresariado, comunidade e setor público se une, a transformação acontece. Unidos somos mais fortes

7. Além da cachoeira, há outros atrativos naturais que a APHM pretende preservar e promover? Como o setor de turismo pode ajudar a fortalecer essa valorização?

Além da trilha das 7 quedas e da monitoria da praia em si, fomentar o turismo dos mirantes e a trilha Maresias-Pauba também faz parte da nossa atuação. O turismo sustentável e preservação ambiental caminham lado a lado. Temos um cuidado e busca por sustentabilidade, seja na pressão política, conscientização turística e atuação junto aos associados visando a preservação do meio ambiente.

8. Como os turistas podem contribuir para a conservação desses espaços naturais enquanto visitam Maresias?

Cuidando de seu lixo (levando de volta ao estabelecimento ou residência em que se encontra), respeitando o silêncio (seja na praia, seja nas casas), não levando animais à praia (existem estabelecimentos pet friendly frente ao mar específicos para isso, que divulgamos e estimulamos) e respeitando a legislação já é mais do que suficiente. De resto, cabe a nós e a municipalidade facilitar ainda mais o acesso a ecopontos, produtos biodegradáveis, entre outros, para diminuirmos cada vez mais as pegadas turísticas no bairro.

9. Quais são os próximos planos da APHM para continuar fortalecendo a sustentabilidade na região? Existe algum novo projeto ou parceria em andamento

Uma coisa por vez. Agora o foco é garantir a melhor estrutura e fiscalização possível na 7 Quedas, quem sabe estruturando acesso às demais quedas, além da atual (Véu de Noiva). E seguirmos na batalha constante por implantação do saneamento, conscientização turística e facilitação de medidas sustentáveis por parte dos associados. Mas uma coisa é certa, o trabalho em busca de turismo sustentável e preservação da nossa praia e floresta é constante. Uma vez que uma atuação está completa, sempre outra surgirá.

Veja outras matérias da coluna SUSTENTABILIDADE E REGENERAÇÃO no link: https://www.band.uol.com.br/band-vale/colunistas/sustentabilidade-regeneracao

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