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Rio Jaguari: O tesouro azul desconhecido de São José dos Campos

Por Fabiano Porto (@fabiano.pporto)

Por Redação
REDAÇÃO

20/03/2025 • 10:00 • Atualizado em 20/03/2025 • 10:00

Sustentabilidade e Regeneração - com Fabiano Porto
Dia mundial das águas

Dia mundial das águas

Divulgação

No dia 22 de março, celebramos o Dia Mundial da Água, uma data para refletirmos sobre a importância desse recurso essencial à vida. Muitas vezes, ao pensarmos na água em São José dos Campos, a primeira referência que nos vem à mente é o Rio Paraíba do Sul, o maior e mais conhecido curso d’água da região. No entanto, nossa cidade é entrecortada por outros rios igualmente valiosos, como o Rio Jaguari, um rio belíssimo, navegável e repleto de potencial pouco explorado.

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Para conhecer melhor esse rio, realizei uma expedição com o Instituto Regeneração Global e a CIA de Rafting, onde percorremos praticamente todo o trecho navegável do Jaguari dentro de São José dos Campos, em uma descida de 19 quilômetros. Essa jornada revelou um rio de águas cristalinas, sem corredeiras, rodeado por paisagens exuberantes e uma biodiversidade impressionante.

Expedição pelo Rio Jaguari: um percurso de beleza e história

O Rio Jaguari nasce em Guarulhos e percorre cidades como Arujá, Santa Isabel, Igaratá e Jacareí antes de desaguar no Rio Paraíba do Sul em São José dos Campos. Durante sua jornada, ele é represado, formando a Represa de Igaratá, um dos grandes reservatórios de abastecimento do estado.

Ao navegar por suas águas, pude perceber o quão pouco conhecemos e valorizamos esse rio. Ele é perfeitamente navegável, tem um trajeto cênico, repleto de fauna e flora ao longo das margens, e poderia ser um grande atrativo para o turismo ecológico e a educação ambiental na região. Além disso, sua conexão com a cidade nos convida a um questionamento maior: por que não olhamos para ele com a mesma importância que damos ao Paraíba do Sul?

O Jaguari não é apenas um afluente, mas sim um rio com identidade própria, que corta nossa cidade silenciosamente, muitas vezes esquecido, e que poderia desempenhar um papel relevante na oferta de lazer sustentável, preservação ambiental e até no fortalecimento da conexão das pessoas com os recursos hídricos.

A transposição das águas: impactos e desafios

Linha azul demonstra o caminho da transposição das águas

Linha azul demonstra o caminho da transposição das águas

Além de sua beleza e potencial turístico, o Rio Jaguari também faz parte de uma grande obra de infraestrutura hídrica: a interligação Jaguari-Atibainha. Esse projeto, inaugurado em 2018, foi criado para permitir a transferência de água entre a Bacia do Paraíba do Sul e o Sistema Cantareira, garantindo maior flexibilidade na distribuição hídrica para o estado de São Paulo e até para o Rio de Janeiro.

A obra consiste em um sistema de adutoras e túneis de quase 20 quilômetros, que permite bombear até 5.130 litros de água por segundo do Jaguari para a represa Atibainha, em Nazaré Paulista, que faz parte do Cantareira. O objetivo é mitigar crises hídricas transferindo água para a Grande São Paulo em momentos de escassez e, em contrapartida, também possibilitar o fluxo reverso para abastecer o Vale do Paraíba e o Rio de Janeiro quando necessário.

Esquema para compreender a transposição das águas, realizada pra funcionar em mão dupla.

Esquema para compreender a transposição das águas, realizada pra funcionar em mão dupla.

No entanto, essa transposição não está isenta de preocupações. Entre os principais desafios desse projeto estão:

  • A pressão sobre o Jaguari, que pode sofrer impactos em sua vazão natural, especialmente em períodos de seca.
  • O risco de desequilíbrios ecológicos, já que a conexão entre bacias hidrográficas distintas pode afetar a biodiversidade e a qualidade da água.
  • O impacto na governança da água, pois a interligação envolve interesses de diferentes estados e municípios, o que pode gerar disputas pelo uso do recurso.

Embora a obra tenha sido justificada como uma solução para a segurança hídrica da região, o ideal seria que medidas estruturantes, como o reuso da água, a preservação de nascentes e a redução do desperdício, fossem priorizadas em vez de intervenções que alteram drasticamente o fluxo natural dos rios. A interligação Jaguari-Atibainha representa um modelo de gestão baseado na redistribuição de recursos, mas não resolve a necessidade urgente de um uso mais sustentável da água.

Precisamos olhar para nossos rios antes que seja tarde

O Rio Jaguari é muito mais do que um simples afluente do Paraíba do Sul. Ele carrega potencial, história e riqueza ecológica, e sua preservação deve ser vista como parte fundamental do planejamento sustentável de São José dos Campos.

Neste Dia Mundial da Água, nossa reflexão precisa ir além da captação e do abastecimento. Precisamos enxergar nossos rios como parte da identidade da cidade, como espaços de lazer, educação e conservação da biodiversidade. O Jaguari está ali, fluindo silencioso, esperando para ser redescoberto. O que faremos com essa oportunidade?

Veja outras matérias da coluna SUSTENTABILIDADE E REGENERAÇÃO no link: https://www.band.uol.com.br/band-vale/colunistas/sustentabilidade-regeneracao

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