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A trajetória que construiu áreas inteiras do zero no sistema financeiro

Com mais de duas décadas dedicadas ao setor bancário, o catarinense Jonatan Moreira ajudou a erguer, literalmente do nada, operações que hoje movimentam centenas de milhões de reais, e aprendeu, no caminho, que liderar é sobretudo uma questão de presença

BANDFY POR MARCELO PRIMO DE JESUS

04/08/2026 • 15:04 • Atualizado em 04/08/2026 • 15:04

Do balcão à mesa de decisão: a trajetória de um executivo que construiu áreas inteiras do zero no sistema financeiro brasileiro

Do balcão à mesa de decisão: a trajetória de um executivo que construiu áreas inteiras do zero no sistema financeiro brasileiro

Arquivo pessoal

Há histórias de carreira que seguem uma linha reta, previsível, de promoção em promoção. A de Jonatan Moreira não é uma delas. É feita de projetos que começaram em uma folha em branco, sem estrutura, sem equipe, sem clientes, e que, sob sua gestão, se transformaram em operações consolidadas, com centenas de colaboradores e carteiras bilionárias.

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Formado em Administração de Empresas, o executivo catarinense construiu toda a sua trajetória dentro do sistema bancário, passando por Itaú Unibanco e, atualmente, Banco Safra, sempre em posições de liderança comercial e gestão de grandes carteiras corporativas.

  • Uma joint venture montada do zero, aos 23 anos

Em 2007, ainda no início de carreira, Moreira foi contratado por headhunter para uma missão pouco comum: estruturar, desde a concepção, a joint venture entre o Unibanco (que no ano seguinte se fundiria ao Itaú) e a Breithaupt, uma das maiores redes de materiais de construção e supermercados de Santa Catarina, com 17 lojas no estado.

Coube a ele contratar e liderar os 54 profissionais que passaram a compor a operação em média três funcionários por loja, distribuídos em Núcleos de Atendimento aos Clientes, além de três supervisores regionais. O resultado superou as projeções: a operação atingiu o ponto de equilíbrio em menos de dois anos, período em que já havia divisão de lucros entre os sócios do negócio.

"Não existia manual para aquilo. A gente ia desenhando o modelo enquanto operava", resume o executivo ao descrever o período.

  • Padronizando um dos maiores cases de fusão bancária do mundo

Anos depois, com a fusão entre Itaú e Unibanco já concluída, Moreira assumiu outro desafio estrutural: padronizar o modelo comercial, o atendimento e os produtos das agências recém-unificadas. À frente da regional de Santa Catarina, dividindo o estado com mais um colega, ele respondeu por 31 agências, treinando pessoalmente mais de 31 gerentes de agência e mais de 90 gerentes de relacionamento, além de conduzir a gestão de resultados de toda a rede sob sua responsabilidade.

O processo de integração entre os dois bancos é hoje citado como um dos maiores cases de sucesso corporativo do mundo e Moreira foi parte da engrenagem que tornou essa padronização possível na prática, agência por agência, gestor por gestor.

  • A criação do segmento Empresas em um banco tradicional

Em outubro de 2018, Moreira migrou para o Banco Safra com uma nova missão: ajudar a criar, do zero, o segmento Empresas da instituição na região Norte de Santa Catarina, até então, o banco operava apenas com os segmentos Middle e Corporate.

Ele montou a equipe local, atuou lado a lado com as áreas de produto no desenho de soluções voltadas a empresas com faturamento entre R$ 1 milhão e R$ 50 milhões por ano, e hoje lidera uma estrutura de 14 pessoas, entre assistente, executivos de adquirência, especialistas em investimentos e seguros, e gerentes seniores, além de áreas de apoio sob gestão indireta.

Os números do projeto, seis anos depois, falam por si: mais de 650 grupos empresariais atendidos, acima de R$ 100 milhões em ativos de crédito, mais de R$ 90 milhões em investimentos sob gestão e receita mensal superior a R$ 1,3 milhão. O desempenho lhe rendeu bônus de contratação e um prêmio de reconhecimento nacional do Banco Safra já no primeiro ano na instituição.

  • Formação de gente, não só de resultados

Ao longo da carreira, Moreira também se dedicou a formar outros profissionais. Atuou como avaliador oficial do programa PROFORGE, ministrando centenas de sessões de treinamento estratégico para gerentes e executivos em todo o país, e mais recentemente integrou o PAR (Programa de Aceleração de Resultados) do Banco Safra como mentor de gerentes.

Atualmente cursando um MBA Executivo em Finanças e Controladoria pela INPG Business School, com conclusão prevista para julho de 2026, o executivo resume sua filosofia de trabalho em uma frase simples: construir estrutura onde não havia nenhuma, e formar pessoas capazes de sustentá-la depois que ele já tiver seguido para o próximo desafio.

Depois de participar da construção de operações que hoje movimentam centenas de milhões de reais e formar dezenas de líderes ao longo da carreira, Jonatan Moreira acredita que os maiores resultados não são medidos apenas pelos números apresentados nos balanços. Para ele, o verdadeiro legado de um executivo está na capacidade de desenvolver pessoas, criar estruturas sustentáveis e preparar organizações para crescer além da presença de quem as lidera.

"Resultados abrem portas, mas são as pessoas que garantem que elas permaneçam abertas. Meu maior objetivo sempre foi construir negócios sólidos e formar líderes capazes de levar esse crescimento ainda mais longe", conclui Jonatan.