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Além da estética: em quais casos o laser íntimo pode ser avaliado

A ginecologista Iriana Bertin explica em quais situações o laser íntimo pode ser considerado e por que o recurso costuma estar ligado à funcionalidade e à qualidade de vida

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02/04/2026 • 09:32 • Atualizado em 02/04/2026 • 09:32

Além da estética: em quais casos o laser íntimo pode ser avaliado

Além da estética: em quais casos o laser íntimo pode ser avaliado

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Quando se fala em saúde íntima feminina, alguns temas ainda são atravessados por vergonha, silêncio e desinformação. Um deles é o laser íntimo, frequentemente associado apenas à estética, embora, segundo a ginecologista Iriana Bertin, o recurso também possa ser indicado em queixas funcionais que afetam o bem-estar e a rotina de muitas mulheres.

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De acordo com a especialista, um dos equívocos mais comuns é justamente tratar o procedimento como algo exclusivamente estético. No consultório, ela afirma que a procura costuma estar ligada, sobretudo, a sintomas que impactam a qualidade de vida. “Hoje, no consultório, eu utilizo muito mais o laser para tratamentos funcionais do que propriamente para a questão estética. Ele pode ser empregado em quadros como ressecamento vaginal, perda urinária e flacidez da região íntima. São sintomas que podem trazer desconforto tanto na relação sexual quanto no dia a dia da paciente”, explica.

Em quais casos o laser íntimo pode ser indicado

Na prática, o laser íntimo pode ser considerado após avaliação individual, especialmente quando há sintomas que comprometem o conforto e a rotina da mulher. Entre as queixas citadas por Iriana estão ressecamento vaginal, desconforto nas relações sexuais, flacidez da região íntima e episódios de perda urinária.

Segundo a médica, esses sintomas não afetam apenas a vida sexual, mas também atividades cotidianas e a autoconfiança. “A paciente que apresenta perda de urina, por exemplo, às vezes deixa de ir a alguns lugares por receio de não conseguir controlar esse sintoma. Muitas vezes, o impacto não está só no corpo, mas também na forma como ela vive e se relaciona”, afirma.

A ginecologista destaca ainda que a indicação não se limita ao período da menopausa. Embora o tema seja frequentemente associado a essa fase, o recurso também pode ser avaliado em outros contextos clínicos. “Existe ressecamento no período pós-parto, e o laser também pode ser uma alternativa nesses casos. Nós também utilizamos esse recurso em algumas pacientes com ressecamento vaginal relacionado a infecções vaginais de repetição”, diz.

Nessas situações, a conduta deve ser individualizada. A necessidade do tratamento, bem como o número de sessões, depende do quadro clínico, da intensidade dos sintomas e da avaliação médica.

Menopausa, pós-parto e outras queixas íntimas

Outro ponto abordado por Iriana é o uso do laser como parte do cuidado em pacientes com líquen, doença autoimune que pode comprometer a elasticidade da região íntima e provocar fissuras, dor e dificuldade nas relações sexuais. Segundo a especialista, o recurso não substitui o tratamento convencional, mas pode ser associado à conduta médica em alguns casos.

“A gente consegue utilizar o laser para favorecer a regeneração dessa área de tecido, sempre em associação ao tratamento clássico. Em algumas pacientes, isso pode contribuir para uma melhora mais rápida e para o resgate da qualidade de vida”, explica.

Para a médica, o assunto exige atenção também porque muitas mulheres demoram a buscar ajuda, seja por vergonha, seja por acreditarem que determinados desconfortos fazem parte da vida e precisam apenas ser suportados. Essa percepção, segundo ela, pode atrasar a investigação e o tratamento de sintomas que merecem avaliação adequada.

“Muitas pacientes perguntam se o que sentem é normal, se são as únicas a passar por isso. E não são. Algumas dessas queixas são comuns, mas isso não significa que devam ser ignoradas. O problema é que, por tabu, muitas mulheres ainda não conseguem falar sobre isso nem mesmo entre amigas”, observa.

O impacto na qualidade de vida feminina

Ao comentar os efeitos percebidos após um tratamento bem indicado, Iriana afirma que os relatos das pacientes costumam ir além da sexualidade. Conforto, liberdade e autoconfiança aparecem com frequência entre os principais ganhos mencionados no consultório.

“Depois do tratamento, muitas pacientes passam a falar sobre essas questões com mais naturalidade. Elas se sentem mais confortáveis, mais seguras e mais à vontade com o próprio corpo. Isso repercute na autoestima, nos relacionamentos e também na forma como enfrentam a rotina”, relata.

Ainda assim, a ginecologista ressalta que nem toda queixa leva ao mesmo tipo de conduta. Antes de qualquer indicação, é necessário compreender a história da paciente, seus sintomas e a fase de vida em que ela se encontra.

“Antes de pensar em tratamento, é preciso entender a história da paciente, o que a incomoda, por que ela procurou ajuda e o que ela espera melhorar. Também considero fundamental explicar por que aquele sintoma aparece naquele momento, para que ela compreenda as mudanças do próprio corpo e participe da decisão sobre a conduta”, pontua.

Em um cenário em que a saúde íntima feminina ainda convive com muitos tabus, a escuta qualificada continua sendo parte central do cuidado. Para a especialista, o primeiro passo é garantir que a mulher consiga falar sem constrangimento sobre sintomas que, muitas vezes, permanecem silenciados por anos.

Quem é Iriana Bertin

Iriana Maria Lorandi Bertin é médica formada em Medicina pela Universidade do Planalto Catarinense, com residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Geral de Caxias do Sul. Inspirada pela trajetória da mãe, enfermeira, decidiu seguir a medicina e se aproximou da ginecologia ainda no início da graduação. Possui fellow em cirurgia íntima e é pós-graduanda em Sexualidade Humana. Atualmente, atua na rotina ginecológica e no cuidado da saúde íntima feminina, com foco em queixas que impactam conforto, sexualidade, autoestima e qualidade de vida da mulher.

CRM: 40161/RS | RQE Nº: 36545

Fotos: Greyce L. R. da Rosa

Fotos: Greyce L. R. da Rosa

Instagram: @drairianabertin