
Artrose no joelho não é só “problema da idade”, diz ortopedista
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Dor ao caminhar, dificuldade para subir escadas, inchaço frequente e uma limitação que se instala aos poucos. Para muita gente, esses sinais acabam sendo tratados como consequência natural do envelhecimento. Mas, segundo o ortopedista Marcos Suehara, especialista em joelho, essa leitura simplifica demais um quadro que precisa ser avaliado com mais atenção.
A artrose costuma ser associada ao avanço da idade, mas não deve ser vista apenas dessa forma. Na prática, explica o médico, trata-se de um processo de envelhecimento natural da articulação, que pode se manifestar de maneiras muito diferentes de uma pessoa para outra. Isso porque nem sempre o grau de desgaste visto nos exames corresponde ao nível de dor ou de limitação do paciente.
“A artrose é o envelhecimento articular. Todo mundo vai ter isso durante a vida, em maior ou menor grau. Pode ser acelerado por lesões ou por questões genéticas. Mas temos que lembrar que não necessariamente o paciente que tem uma artrose classificada no exame de imagem como mais grave vai ter mais dor ou mais sintomas.”
Quando o problema começa a afetar a rotina
Suehara explica que a articulação funciona como um conjunto. Ossos, cartilagem, ligamentos, meniscos e músculos participam da estabilidade para garantir movimento. Com o passar do tempo, esse sistema pode sofrer desgaste progressivo, mas o desconforto não depende apenas da articulação em si.
“A dor pode ser potencializada por diversos fatores. A condição clínica e hábitos precisam se ajustar. Orientar atividade física regular, hábitos alimentares, regular o sono e transtornos emocionais, e otimizar ou regular questões metabólicas são pilares fundamentais.”
Na prática, isso ajuda a explicar por que pessoas com exames semelhantes podem ter quadros completamente diferentes. Enquanto algumas mantêm boa funcionalidade, outras passam a conviver com dor, insegurança ao andar e perda gradual de autonomia.
Segundo o especialista, a artrose começa a chamar mais atenção quando deixa de ser um incômodo pontual e passa a interferir nas atividades do dia a dia.
“Às vezes, o paciente fala: antes eu andava quilômetros; hoje ando poucos quarteirões e já preciso parar. Ou começa a ter dificuldade para dobrar e esticar o joelho, para subir e descer escadas, para fazer tarefas simples do dia a dia.”
Para ele, esse impacto vai além da dor. A perda de mobilidade pode reduzir a independência e aumentar o risco de quedas, especialmente com o envelhecimento.
“Quando a população envelhece sem qualidade para deslocamentos, fica mais suscetível a acidentes. Então, quanto mais preservar essa autonomia, melhor.”
O tratamento nem sempre começa com cirurgia
Quando não há indicação cirúrgica, o tratamento conservador possui bons resultados. O objetivo é controlar a dor, recuperar a função e melhorar a proteção da articulação por meio do fortalecimento muscular. Nesse processo, podem entrar medicações para fases de crise, fisioterapia e outras estratégias definidas após avaliação individual.
Um dos pontos que o ortopedista mais procura esclarecer é que atividade física orientada não é inimiga da artrose. Pelo contrário: ela costuma ter papel importante na melhora clínica.
“A atividade física direcionada é uma das medidas mais importantes no tratamento conservador. O paciente precisa ganhar resistência e competência muscular para proteger essa articulação. O que a gente faz é modular: às vezes, ele não vai poder fazer atividades de impacto, mas pode e deve fazer outras atividades.”
Na avaliação dele, a fisioterapia ajuda justamente nessa transição, permitindo que o paciente saia de uma fase de dor e instabilidade para um momento em que consiga retomar o treinamento resistido e hábitos mais saudáveis com segurança. O controle do peso também entra nessa equação, especialmente porque o joelho é uma articulação de carga.
“Eu preciso entender o que esse paciente quer recuperar. Tem gente que quer voltar a caminhar sem dor, tem gente que quer pedalar, tem gente que quer voltar a praticar um esporte específico. A gente precisa alinhar expectativa, quadro clínico e tratamento.”
Quando o quadro avança e as medidas conservadoras já não oferecem o resultado esperado, a cirurgia pode passar a fazer parte do tratamento. Segundo Suehara, essa decisão não depende apenas de exames, mas principalmente da limitação funcional e do impacto da artrose na rotina do paciente.
“Tem situações em que o desgaste já compromete muito a função e a qualidade de vida. Nesses casos, a cirurgia passa a ser uma opção para devolver mobilidade e permitir que o paciente retome atividades do dia a dia com mais segurança.”
Tratamento complementar exige critério
O especialista também cita que, em alguns contextos, há interesse crescente em terapias ortobiológicas como parte de uma linha complementar de cuidado, como o PRP (Plasma Rico em Plaquetas). Segundo ele, essas abordagens não substituem os tratamentos tradicionais e devem ser consideradas com critério, de acordo com a avaliação de cada caso.
“São abordagens que podem fazer parte de uma linha de cuidado em evolução, com indicação criteriosa e sem substituir os tratamentos já consolidados.”
No fim, a principal mensagem é direta: o envelhecimento articular faz parte da vida, mas conviver com dor e limitação crescente não deve ser tratado como algo inevitável. Para o especialista, a avaliação correta pode ajudar o paciente a preservar autonomia e envelhecer com mais qualidade.
Quem é Dr. Marcos Suehara
Marcos Suehara é ortopedista com atuação voltada ao joelho. Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP, fez residência em Ortopedia e Traumatologia na mesma instituição e especialização em Cirurgia do Joelho e Artroscopia na Santa Casa -SP. Possui Pós-graduação em Medicina Regenerativa Músculo-Esquelética na Cetrus-SP, onde atua como Instrutor. Em sua prática, alia a abordagem técnica ao olhar individualizado sobre o paciente, com foco em mobilidade, funcionalidade e qualidade de vida.
CRM: 121274/SP | RQE Nº: 69890
Instagram: @sueharamarcosSite: https://drmarcossuehara.com.br

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