
Época de avistamento de baleias jubartes começa em maio
Julio Cardoso/ProBaleia
O mês de maio chegou, assim como a época de observação de baleias em Ilhabela e São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Segundo contagem realizada pela Associação de Biólogos e Fotógrafos ProBaleia, em 2025 foram avistadas 836 baleias jubartes no litoral de Ilhabela.
Julio Cardoso, fotógrafo à frente deste projeto, dedica-se à observação e identificação desses mamíferos desde 2004 e recorda que, até 2016, baleias jubartes quase não eram vistas no litoral norte paulista.
Migração
Durante os meses de maio, junho, julho e agosto baleias jubarte iniciam a migração das águas frias da costa antártica para as águas mais quentes da América do Sul.
O destino final desses mamíferos é o Arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, próximo da costa de Caravelas (BA). O arquipélago é considerado um berçário de baleias, que gestam seus filhotes por 11 meses e migram das águas frias para dar à luz em águas mais quentes.
Outras duas espécies de baleias podem ser vistas na costa de Ilhabela. As baleias-de-bryde, ou baleias tropicais, e as baleias francas-austrais, que realizam a migração para o litoral de Santa Catarina, e podem ser vistas na costa de Imbituba.
Ao longo dos últimos 10 anos, essas baleias começaram a passar mais tempo no litoral de Ilhabela em vez de nadar até o arquipélago na Bahia. Segundo dados levantados pela Associação ProBaleia, em 2016 foram feitos apenas 20 registros de jubartes. Em 2020, esse número saltou para 158; em 2023, foram 786; e em 2024, 561 registros. Neste ano, o ProBaleia já registrou 3 avistamentos de jubartes.
Alimentação

Camarão Krill: pequeno e nutritivo. Sophie Webb: Wikimedia.
Os biólogos e pesquisadores não sabem ao certo o que gerou essa mudança comportamental entre as baleias — passar mais tempo no litoral de Ilhabela, mas o fotógrafo Julio Cardoso explica que pode ter relação com a quantidade de alimento disponível na costa brasileira. “Durante o verão, as baleias migram para regiões de águas frias, como a Antártida, onde tem muita comida disponível para elas. O principal alimento é um camarão bem pequeno e nutritivo chamado krill”.
As baleias consomem uma enorme quantidade de krill, “formam uma camada de gordura e fazem a migração para águas mais quentes, nos meses do nosso inverno. Isso é o comportamento das baleias adultas”, explica Julio. Inclusive, as baleias adultas armazenam tanta gordura que conseguem passar longos períodos sem se alimentar novamente.
Já as baleias juvenis precisam se alimentar com mais frequência, e podem fazer rotas de migração mais curtas se encontrarem alimento no meio do caminho, que é o caso do litoral norte do estado de São Paulo.
“As baleias adultas que passam por aqui em comportamento de reprodução ou para ter filhotes, vão até a Bahia. E o que temos visto bastante são as juvenis, que descobrem alimento e ficam por aqui. Então essa é uma diferença importante: a nossa região passou a ser uma alternativa para as baleias que fizeram o desmame e tem que aprender a se alimentar em algum lugar”, conta o fotógrafo.
Assim, quanto mais alimento disponível na costa do litoral norte, mais tempo as baleias ficam por aqui. E quanto mais baleias, mais turismo de observação. O que é ótimo para cidades como Ilhabela e São Sebastião, que recebiam poucos turistas durante o inverno.
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