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Brasil precisa investir US$ 6 trilhões para alcançar Net Zero até 2050

Na América Latina, potencial natural e avanços em renováveis podem impulsionar crescimento sustentável; investimentos são fundamentais para garantir energia segura e acessível

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23/09/2025 • 09:38 • Atualizado em 23/09/2025 • 09:38

Brasil precisa investir US$ 6 trilhões para alcançar Net Zero até 2050

Brasil precisa investir US$ 6 trilhões para alcançar Net Zero até 2050

Foto: Freepik

A América Latina vive um momento decisivo no que se refere à transição energética. O relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), Latin America Energy Outlook 2023, aponta que a região da América Latina e Caribe estão bem posicionadas para prosperar à medida que as transições para a energia limpa avançam, com grande presença de hidrelétricas e crescimento acelerado de fontes solar e eólica.

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Em países como Brasil, Chile e Uruguai, os progressos seguem um ritmo consistente. Já em outras economias, gargalos estruturais e falta de investimentos comprometem a segurança do suprimento, um cenário desigual dentro do próprio continente. Um estudo da PSR, consultoria especialista em energia, mostra que, enquanto algumas nações já incorporam inovações tecnológicas em suas redes, outras ainda enfrentam dificuldades para expandir e modernizar os sistemas.

De acordo com os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, o Brasil é líder na América Latina, com 91% de sua geração proveniente de fontes renováveis em 2024. O índice expressivo demonstra o potencial de crescimento sustentável, no entanto, não elimina os desafios relacionados ao custo elevado da energia elétrica convencional e às limitações logísticas da rede.

Os caminhos para 2050

A expansão das fontes limpas deve continuar acelerada. Para que essa transição se torne segura e acessível, será necessário ampliar os investimentos em transmissão, armazenamento e integração regional. A América Latina já possui vantagens naturais e estruturais para se destacar na transição energética global.

Mas, para alcançar o Net Zero até 2050, ou seja, a meta para equilibrar as emissões de gases de efeito estufa com a remoção ou compensação dessas emissões, de forma que o saldo líquido de carbono liberado na atmosfera seja zero, serão necessários investimentos massivos, estimados em US$ 6 trilhões apenas no Brasil, segundo a Bloomberg NEF.

É preciso equilibrar três pilares: infraestrutura completa, integração regional e inovação tecnológica. A combinação dos fatores determinará não apenas a sustentabilidade da matriz elétrica, mas também a competitividade das empresas e a qualidade de vida da população.

Integração regional e inovação tecnológica

A interconexão elétrica entre países latino-americanos aparece como uma solução estratégica para reduzir custos, ampliar a confiabilidade e equilibrar a oferta de energia. Projetos como a usina binacional de Itaipu, compartilhada entre Brasil e Paraguai, demonstram as competências desse modelo de cooperação.

Tecnologias emergentes podem ajudar a superar parte dos obstáculos. O armazenamento em baterias de grande escala surge como ferramenta essencial para lidar com a intermitência das renováveis. Além disso, soluções baseadas em Inteligência Artificial vêm sendo aplicadas para prever padrões de consumo, otimizar o uso das redes e minimizar perdas.

Algoritmos de aprendizado de máquina analisam dados históricos, condições climáticas e comportamento dos consumidores para antecipar picos de demanda e ajustar automaticamente o fluxo de energia, o que melhora a eficiência e diminui os custos operacionais.

No longo prazo, os investimentos em hidrogênio verde e captura de carbono também podem ser decisivos para que a região cumpra suas metas climáticas, diversifique a matriz e fortaleça a segurança energética.

Soluções em energia para empresas

Neste contexto, muitas vezes, a busca por soluções em energia mostra-se inevitável. Entre as principais estratégias estão a geração distribuída, a autoprodução e a participação no Mercado Livre de Energia.

As companhias que migraram para o MLE registraram economia média de até 30% em comparação ao mercado regulado, ou seja, negociando contratos personalizados e escolhendo fontes renováveis, é possível que as empresas consigam reduzir custos e ainda fortalecer seu pilar ESG.

Não menos importante, as alternativas também garantem maior previsibilidade orçamentária. Modelos como o pay-per-use, que permite pagar apenas pelo consumo efetivo, e a compra de certificados de energia renovável contribuem para um gerenciamento mais eficiente e sustentável.

Pequenas e médias empresas, liberadas para acessar o Mercado Livre a partir de 2024, também passaram a investir em alternativas que ampliam sua autonomia energética. O movimento revela como a transição energética pode ser descentralizada e acessível a diferentes perfis de negócios.