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Câncer de próstata: Bruno Santos explica papel da cirurgia robótica

Uro-oncologista aborda diagnóstico precoce, preservação funcional e cuidados que podem impactar a qualidade de vida masculina

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

04/07/2026 • 20:29 • Atualizado em 04/07/2026 • 20:29

Câncer de próstata: Bruno Santos explica o papel da cirurgia robótica

Câncer de próstata: Bruno Santos explica o papel da cirurgia robótica

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O câncer de próstata ainda é um dos temas mais sensíveis da saúde masculina. Mesmo com mais acesso à informação, muitos homens evitam consultas de rotina por medo, vergonha ou receio de receber um diagnóstico difícil. O problema é que, em fases iniciais, a doença pode não apresentar sintomas evidentes, o que torna o acompanhamento médico um fator importante para identificar alterações de forma precoce.

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Segundo o uro-oncologista Bruno Passos Leite dos Santos, o atraso na procura por atendimento ainda está ligado a barreiras culturais e emocionais. Para ele, falar sobre prevenção também significa enfrentar tabus que fazem parte da relação de muitos homens com a própria saúde.

“O que mais atrasa o diagnóstico ainda é o paciente que, por receio, não procura o médico. O câncer pode dar sintomas, mas normalmente eles aparecem em uma fase muito tardia. Às vezes, existe a questão da masculinidade, da vergonha ou o medo de receber um diagnóstico que o paciente não quer ouvir.”

Diagnóstico precoce pode mudar o caminho do tratamento

O acompanhamento urológico não impede que o câncer de próstata apareça, mas permite observar alterações ao longo do tempo e indicar a investigação adequada quando necessário. Em muitos casos, pequenas mudanças nos exames podem levantar a suspeita e levar à realização de biópsia, que é o exame responsável por confirmar o diagnóstico.

Bruno Santos explica que a regularidade no cuidado ajuda o médico a comparar resultados e compreender melhor o histórico de cada paciente. Essa avaliação individualizada é importante porque o câncer de próstata pode surgir mesmo em homens que vinham mantendo exames sem alterações nos anos anteriores.

“O paciente pode ficar dez anos com o urologista fazendo exame, tudo certo, sem nenhuma alteração, e de um ano para o outro apresentar uma mudança e descobrir um câncer. O papel do urologista é perceber essas pequenas alterações no início, levantar a suspeita e conduzir a investigação para que o diagnóstico seja feito no momento adequado.”

A idade para iniciar a avaliação depende do perfil de risco. De acordo com o especialista, homens com histórico familiar de câncer de próstata ou pertencentes a grupos de maior risco costumam precisar de atenção mais precoce. Já na população geral, a recomendação pode começar mais tarde, sempre conforme orientação médica.

Além do câncer, a consulta urológica também pode ajudar a identificar outras condições de saúde. Bruno observa que muitos homens têm no urologista o principal, ou até o único, acompanhamento médico regular, o que pode favorecer a descoberta de alterações como diabetes, colesterol alto e outros problemas que exigem cuidado.

Medo do tratamento ainda pesa na decisão do paciente

Quando o diagnóstico é confirmado, as principais preocupações costumam envolver o risco de progressão da doença, a função sexual e a continência urinária. O impacto emocional é significativo, especialmente porque a próstata está relacionada a temas que muitos homens ainda têm dificuldade de abordar.

Para o uro-oncologista, a disfunção erétil costuma aparecer como o medo mais imediato, mas a incontinência urinária pode gerar grande impacto na qualidade de vida quando ocorre no pós-operatório. A perda urinária pode afetar a rotina, a autoestima, a vida social e a segurança emocional do paciente.

“O medo maior costuma ser a impotência, mas, no dia a dia, a incontinência urinária pode ser o que mais desgasta o paciente. A perda de urina interfere na vida social, causa constrangimento e pode ter um peso psicológico importante. Antes do tratamento, muitos homens não têm dimensão de como isso pode afetar a rotina.”

A escolha do tratamento deve considerar estágio da doença, idade, condições clínicas, expectativa de vida, presença de outras doenças e preferência do paciente. Em alguns casos, a cirurgia pode ser indicada. Em outros, a radioterapia ou outras estratégias podem ser consideradas. A decisão precisa ser tomada de forma individualizada, com explicação clara sobre benefícios, limitações e possíveis efeitos.

Como a cirurgia robótica entra no tratamento

A cirurgia robótica é uma das tecnologias utilizadas no tratamento de tumores urológicos, especialmente no câncer de próstata. Apesar do nome, o procedimento não é realizado de forma autônoma por uma máquina. O cirurgião controla os instrumentos em um console, enquanto o sistema reproduz os movimentos dentro do corpo do paciente.

“O robô oferece visão tridimensional, imagem aumentada, movimentos mais amplos das pinças dentro do paciente e sensores que ajudam a minimizar tremores. A tecnologia não substitui o cirurgião, mas amplia recursos que podem tornar a cirurgia mais precisa e segura em casos bem indicados.”

No câncer de próstata, a cirurgia envolve estruturas próximas a nervos e tecidos relacionados à continência urinária e à função sexual. Por isso, a precisão do procedimento pode ter papel relevante na tentativa de reduzir sequelas, embora nenhum método elimine completamente os riscos.

“A cirurgia robótica pode permitir menos sangramento, alta mais rápida e melhor preservação anatômica. No caso da próstata, isso pode favorecer o retorno da continência e da função sexual, mas não existe garantia absoluta. O resultado depende da doença, das condições do paciente, da técnica empregada e da experiência da equipe.”

Tecnologia exige treinamento e indicação correta

Um dos pontos ressaltados pelo especialista é que a cirurgia robótica não deve ser vista como solução automática para todos os casos. A tecnologia exige treinamento específico, curva de aprendizado e atuação de uma equipe preparada. O robô é uma ferramenta, mas o julgamento médico continua sendo decisivo.

“Não é um procedimento que dispensa treinamento. Pelo contrário, exige preparo, acompanhamento e experiência. Os resultados funcionais não vêm somente do robô. Eles dependem do que o médico consegue preservar durante a cirurgia, da técnica utilizada e da experiência acumulada ao longo do tempo.”

A ampliação do acesso à robótica também tem mudado o cenário fora dos grandes centros. Bruno Santos atua em Macaé, no Rio de Janeiro, cidade que recentemente passou a contar com esse recurso em procedimentos urológicos. Para pacientes da região, a interiorização da tecnologia pode reduzir deslocamentos e facilitar o acompanhamento mais próximo de casa.

Ainda assim, o especialista reforça que a decisão pelo tratamento não deve ser baseada apenas na disponibilidade da tecnologia. O mais importante é avaliar se a cirurgia é adequada para o caso, quais são as alternativas possíveis e quais riscos precisam ser considerados.

Câncer de rim também pode ser silencioso

Embora o foco da prevenção masculina costume estar mais associado à próstata, o câncer de rim também merece atenção. Segundo Bruno Santos, muitos tumores renais são descobertos por acaso, em exames de imagem feitos por outros motivos, antes que o paciente apresente sintomas.

No passado, explica o médico, era mais comum que o câncer de rim fosse identificado em fases avançadas, quando surgiam sinais como dor, sangramento ou massa abdominal. Com o maior acesso a exames como ultrassom e tomografia, parte desses tumores passou a ser encontrada em estágios iniciais.

“Com o acesso maior aos exames de imagem, muitos tumores no rim começaram a ser identificados em uma fase em que ainda não causam sintomas. O paciente faz um ultrassom por check-up ou por uma dor sem relação com o rim, e a lesão acaba sendo descoberta. Isso pode permitir um tratamento mais preservador, retirando apenas a lesão em alguns casos.”

A conduta para tumores renais depende de fatores como tamanho, localização da lesão, função renal e condições clínicas do paciente. Em casos selecionados, pode ser possível preservar parte do rim saudável, mas essa decisão exige avaliação individual.

Cuidar antes dos sintomas é a principal mensagem

Para Bruno Santos, a principal mudança necessária é fazer com que o homem entenda o cuidado com a saúde como rotina, e não apenas como resposta a sintomas. No caso do câncer de próstata, esperar sinais evidentes pode significar descobrir a doença em fase mais complexa.

“A mensagem principal é que o homem precisa cuidar da saúde. Quando a doença é descoberta no início, o tratamento tende a ser menos agressivo, com melhores possibilidades de controle e menor risco de sequelas. O diagnóstico precoce permite que o paciente enfrente a doença em uma condição mais favorável.”

A orientação médica, o acompanhamento regular e a escolha individualizada do tratamento continuam sendo os pilares do cuidado. A tecnologia pode ampliar possibilidades, mas não substitui prevenção, diagnóstico adequado e uma conversa clara entre médico e paciente.

Quem é Bruno Santos

Bruno Passos Leite dos Santos é urologista e uro-oncologista, natural de Macaé (RJ), onde também concentra sua atuação atual. Filho de médico urologista, construiu sua trajetória na especialidade desde a formação em medicina, concluída em Teresópolis (RJ), em 2008. Depois, fez residência em cirurgia geral em Porto Alegre (RS), etapa necessária para seguir na urologia, e ingressou em 2012 na residência em urologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, no Rio de Janeiro.

Ao longo da carreira, direcionou sua prática para a uro-oncologia e para técnicas minimamente invasivas. Em 2015, realizou formação em laparoscopia e cirurgia minimamente invasiva no Hospital Sírio-Libanês, na capital de São Paulo. Mais tarde, aprofundou sua atuação em cirurgia robótica, com especializações no Hospital Israelita Albert Einstein, também em São Paulo, e no IDOR, no Rio de Janeiro.

Atualmente, Bruno atua principalmente no tratamento de tumores urológicos, com foco em próstata e rim, além de procedimentos por cirurgia robótica. Sua prática é marcada pela combinação entre tecnologia, precisão cirúrgica e cuidado próximo ao paciente, especialmente em diagnósticos que costumam envolver medo, dúvidas e impacto emocional.

CRM: 5286033-6/RJ | RQE Nº: 18886 | RQE Nº: 24836

Instagram:@dr_brunosantos

Site: www.drbrunosantos.com.br