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Cidades brasileiras se antecipam ao verão e adotam medidas contra desastres climáticos

Com base na Lei 14.750, municípios reforçam planos de prevenção, sistemas de alerta e obras de contenção para reduzir riscos de tragédias

THE SP TIMES

10/11/2025 • 13:56 • Atualizado em 10/11/2025 • 13:56

Cidades brasileiras se antecipam ao verão e adotam medidas contra desastres climáticos

Cidades brasileiras se antecipam ao verão e adotam medidas contra desastres climáticos

Divulgação

A proximidade do verão reacende o alerta para chuvas intensas, enchentes e deslizamentos em várias regiões do Brasil. Nos últimos anos, tragédias provocadas por eventos climáticos extremos expuseram a vulnerabilidade de cidades e a necessidade de políticas mais efetivas de prevenção. Para responder a esse desafio, diferentes municípios têm recorrido à Lei 14.750, que estabelece regras claras para a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.

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A legislação prevê a responsabilidade de governos locais em criar planos de contingência, investir em obras estruturais e adotar sistemas de monitoramento e alerta. Mais do que reagir a desastres, a lei exige que os gestores atuem de forma preventiva, reduzindo riscos e protegendo vidas.

Entre as medidas mais comuns estão a instalação de sirenes e sistemas de mensagens via celular para avisar moradores em áreas de risco, a limpeza de bueiros e córregos antes do período de chuvas, além de programas de capacitação da população sobre rotas de fuga e primeiros socorros.

Cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba já ampliaram seus protocolos de emergência com base na lei, incluindo simulações de evacuação em comunidades vulneráveis. Já em municípios do litoral catarinense, onde enchentes se repetem ano após ano, foram implantados novos radares meteorológicos e parcerias com universidades para prever e mapear pontos de alagamento.

Em Petrópolis (RJ), município historicamente afetado por tragédias, a Defesa Civil aposta em novas tecnologias e estudos científicos para reforçar a prevenção. Segundo o pesquisador e tenente-coronel Gil Kempers, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desastres da UFF (NEPED/UFF), o Brasil ainda precisa avançar no entendimento da importância da atuação preventiva. “Ainda se entende que se deve atuar após a ocorrência do desastre. A malha de radares é insuficiente e são poucas as pesquisas voltadas ao tema”, avalia. Ele cita estudos do pesquisador Kobiyama, que demonstram que a cada R$ 1,00 investido em prevenção, economiza-se cerca de R$ 50,00 em resposta e reconstrução, além de salvar vidas e reduzir prejuízos.

Kempers destaca ainda o papel de tecnologias inovadoras, tanto nacionais quanto internacionais, na gestão de riscos. “O desenvolvimento de novos sensores, sistemas de predição e o conceito de cidades esponja — capazes de absorver grandes volumes de água e reduzir enchentes — são referências que o Brasil precisa discutir com mais profundidade”, comenta.

O tema da inovação tecnológica é reforçado por Leonardo Peters, Gerente de Inovação e Novos Negócios da Unifique e especialista em Cidades Inteligentes. Para ele, a tecnologia tem um papel decisivo na prevenção e na resposta a desastres.

“Ela atua em duas frentes complementares: de forma preditiva, antecipando riscos, e de forma reativa, tornando a resposta mais eficiente quando o evento ocorre. Sensores que monitoram o nível de rios, estações meteorológicas conectadas, câmeras com inteligência artificial e plataformas de dados integradas permitem prever situações de risco e emitir alertas antecipados. Quando o desastre acontece, essas mesmas ferramentas ajudam a coordenar equipes, otimizar rotas de emergência e comunicar a população em tempo real. O grande valor está na integração das informações, que transforma dados em ações capazes de salvar vidas.”

Cita o profissional que acaba de fechar parceria com uma empresa referência em cidades inteligentes para investir cada vez mais no modelo da inovação sustentável, que salva vidas.

Em Pindamonhangaba (SP), o foco está na retomada de projetos tecnológicos locais. “Temos a intenção de retomar o projeto. Ele foi paralisado devido à restrição da Prefeitura para novos contratos, já que houve necessidade de ajustes, como a quantidade de sensores. O projeto já está pronto, e a expectativa é retomá-lo em breve, inclusive com mais sensores”, explicou Rodrigo Leite, secretário de Inovação do município. A interrupção, no entanto, levanta dúvidas sobre a prioridade dada à resiliência climática, especialmente após o sucesso da iniciativa anterior — que recebeu reconhecimento internacional e salvou vidas em dezembro passado. A prefeitura, por sua vez, alega falta de recursos para manter o sistema, porém promete retomar em 2026, com possiblidade de ampliação.

No Espírito Santo, o secretário de Estado Bruno Lamas destacou em vídeo publicado nas redes sociais uma parceria com uma startup e a Prefeitura de Alegre para a instalação de dispositivos voltados à prevenção de desastres naturais. “Tecnologia na veia que informa em tempo real a previsão de deslocamento de terra e de enchente”, afirmou o secretário, enfatizando o papel da inovação na gestão de riscos e resiliência são temas prioritários na sua pasta.

Leonardo Peters ressalta que o grande desafio está em integrar essas soluções dentro de uma visão contínua de política pública:

“As cidades precisam encarar a prevenção de desastres como parte de uma política pública de longo prazo. Ainda é comum encontrar soluções isoladas, sistemas que não conversam entre si, dados que não são compartilhados e estruturas sem planejamento integrado. O que falta é governança e interoperabilidade, para que todas as áreas da cidade atuem de forma coordenada. Também é essencial fortalecer parcerias entre governos, empresas e universidades, criando um ecossistema que use a tecnologia de forma estratégica e não apenas como resposta emergencial.”

A importância do tema ganhou repercussão internacional recentemente, após reportagem da Forbes destacar o avanço de cidades brasileiras em adotar políticas modernas de gestão de riscos, alinhadas a práticas recomendadas pela ONU, contando a história de sucesso do cidade viva, um sistema de prevenção a desastres por empreendedores brasileiros que se mostra um grande aliado na luta na mitigação e resiliência climática. Peters acrescenta que o momento global, com debates como os da COP30, exige ações concretas:

“Precisamos contribuir para que a pauta de cidades inteligentes saia do discurso e vá para a prática, resolvendo problemas concretos, promovendo qualidade de vida e garantindo sustentabilidade — especialmente neste momento em que o mundo discute o futuro do planeta.”

Para este verão, Kempers explica que há possibilidade de o fenômeno La Niña interferir no clima do Hemisfério Sul, “com tendência de um verão mais chuvoso no Norte e um cenário de maior neutralidade no Sul”. Ele reforça, no entanto, a necessidade de manter o monitoramento constante para proteger a população.

No Brasil, o debate se intensifica à medida que o verão se aproxima. Órgãos de defesa civil já alertam que o fenômeno climático previsto para a próxima estação pode trazer chuvas acima da média em regiões como Sudeste e Sul, aumentando a probabilidade de enchentes.

Para especialistas em políticas públicas, a Lei 14.750 marca uma mudança de paradigma: não basta reconstruir depois da tragédia, é preciso planejar para evitá-la. “A prevenção salva vidas e custa menos que a reconstrução. O desafio é transformar a lei em ação concreta em cada município”, avalia um técnico da área de defesa civil.

Assim, ao mesmo tempo em que reforça a importância da prevenção, o Brasil também busca consolidar uma cultura de responsabilidade compartilhada entre governo e sociedade, garantindo que comunidades estejam preparadas para enfrentar os impactos da crise climática.

A reportagem entrou em contato com outras secretarias de governo e estado de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, que sofrem com a crise climática, mas não obteve retorno.