
Cirurgia bariátrica: quem pode fazer e o que avaliar antes
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
A cirurgia bariátrica ainda é cercada por medo, desinformação e preconceito. Embora seja reconhecida como uma opção terapêutica para casos específicos de obesidade, muita gente ainda associa o procedimento a situações extremas ou o enxerga como um recurso a ser considerado apenas no limite. Na prática, a indicação depende de critérios médicos, avaliação clínica e acompanhamento antes e depois da operação. As regras mais recentes do Conselho Federal de Medicina reforçam justamente esse caráter técnico e individualizado da decisão.
Para Marianna Monteiro, uma das maiores barreiras continua sendo o atraso na procura por ajuda. “Muitos pacientes pensam na cirurgia por anos, mas adiam a busca por medo. Quando chegam ao cirurgião, em geral já vêm decididos.” A fala ajuda a explicar uma situação frequente: pessoas que convivem por muito tempo com obesidade, doenças associadas e tentativas frustradas de emagrecimento antes de buscar uma avaliação especializada.
Quem pode fazer cirurgia bariátrica
De forma geral, a cirurgia bariátrica pode ser indicada para pacientes com IMC acima de 40, mesmo sem comorbidades, e para pessoas com IMC acima de 35 e abaixo de 40 quando há doenças associadas. A resolução mais recente do CFM também prevê a possibilidade de cirurgia para pacientes com IMC entre 30 e 35 em situações específicas, como diabetes tipo 2, apneia do sono grave, doença cardiovascular grave com lesão em órgão-alvo, doença gordurosa hepática com fibrose e osteoartrose grave, entre outras condições previstas na norma.
Marianna Monteiro reforça que a discussão sobre a bariátrica precisa sair do campo da aparência e ir para o campo da saúde. “A obesidade é uma doença crônica e recidivante. A gente não deve esperar o paciente chegar ao pior estágio para pensar em tratamento.” Na prática, isso significa que a cirurgia não deve ser encarada apenas como último recurso, mas como uma possibilidade terapêutica que precisa ser avaliada com critério.
Cirurgia bariátrica não é atalho
Um dos estigmas mais persistentes em torno da bariátrica é a ideia de que ela seria um “atalho”. Para Marianna Monteiro, esse raciocínio ignora a complexidade da obesidade e reduz um tratamento médico a julgamento moral. “A bariátrica não deve ser vista como atalho, mas como tratamento.”
Ao mesmo tempo, ela faz uma ressalva importante: cirurgia bariátrica não deve ser romantizada. O procedimento pode ser uma ferramenta relevante no tratamento da obesidade, mas não dispensa preparo, seguimento e mudança de rotina. “A cirurgia é uma ferramenta poderosa, mas o principal desafio no pós-operatório é seguir corretamente a dieta e manter o acompanhamento.”
Quais são os tipos de cirurgia bariátrica
Entre as técnicas mais conhecidas estão o bypass gástrico e o sleeve gástrico, duas abordagens amplamente utilizadas na cirurgia bariátrica atual. A escolha entre elas não é automática nem pode ser baseada apenas em relatos de terceiros. Segundo Marianna Monteiro, “Temos duas técnicas principais hoje, o bypass e o sleeve, e essa escolha não é automática: depende de avaliação, exames e conversa detalhada com o paciente sobre o que faz sentido em cada caso.”
Ela explica que o procedimento evoluiu nos últimos anos e hoje costuma ser realizado por videolaparoscopia, com pequenas incisões e recuperação mais rápida quando comparado a técnicas antigas. Ainda assim, a definição da técnica depende do quadro clínico, do histórico do paciente e da indicação individualizada.
O que avaliar antes da cirurgia bariátrica
Antes de pensar na cirurgia, o paciente precisa passar por avaliação clínica, exames e investigação de comorbidades. Também é necessário entender riscos, benefícios, limites do procedimento e responsabilidades do pós-operatório. A decisão não deve ser guiada por ansiedade, pressão estética ou conteúdo fragmentado de redes sociais, mas por orientação médica e análise cuidadosa do quadro.
Marianna Monteiro destaca que esse processo começa ainda na consulta. “A gente vai construindo essa confiança mostrando a indicação, explicando como é a cirurgia e como é o pós.” Segundo ela, isso faz diferença porque muitos pacientes chegam ao consultório carregando medo, insegurança e informações desencontradas.
Acompanhamento multidisciplinar faz parte do tratamento
Um ponto importante na cirurgia bariátrica é entender que o tratamento não se resume ao ato cirúrgico. O acompanhamento multidisciplinar, com apoio de diferentes profissionais de saúde, pode ser decisivo tanto na preparação quanto no pós-operatório. O próprio EME Instituto, fundado por Marianna Monteiro, se apresenta com proposta de cuidado integrado e acompanhamento da paciente bariátrica antes, durante e depois da cirurgia.
Marianna Monteiro chama atenção para essa estrutura. “A obesidade é uma doença complexa.” Por isso, a avaliação e o seguimento não devem ficar restritos ao centro cirúrgico. Nutrição, suporte psicológico, controle de comorbidades e orientação clínica fazem parte de uma abordagem mais ampla, especialmente em uma condição crônica e multifatorial.
Como é o pós-operatório da cirurgia bariátrica
Se a cirurgia costuma concentrar a atenção de quem pensa em operar, o pós-operatório é uma das fases mais importantes do tratamento. É nesse período que o paciente passa por adaptação alimentar, reorganização da rotina e acompanhamento mais próximo da equipe de saúde.
Marianna Monteiro costuma explicar essa etapa de forma bastante objetiva. “Durante a cirurgia, o estômago é grampeado e precisa cicatrizar.” A frase ajuda a traduzir por que a dieta do pós-operatório não é um detalhe, mas parte central da segurança do tratamento.
Ela reforça que a recuperação exige disciplina e alinhamento com a equipe. “O principal desafio no pós-operatório é seguir corretamente a dieta e manter o acompanhamento.” Isso inclui respeitar as etapas da alimentação, seguir orientações clínicas e entender que o cuidado não termina na alta hospitalar.
Medo do reganho de peso ainda acompanha muitos pacientes
Entre as dúvidas mais frequentes de quem cogita a bariátrica está o medo de voltar a ganhar peso. Marianna Monteiro afirma que esse é um receio recorrente no consultório. “Todos eles têm medo de reganhar o peso. Por isso, a decisão pela cirurgia precisa ser acompanhada de uma conversa honesta sobre expectativas.”
A médica observa que o paciente precisa entender que obesidade é uma condição crônica e que o tratamento não se resume ao ato cirúrgico. A cirurgia pode ser uma ferramenta importante, mas o resultado também depende de seguimento, rotina e cuidado continuado.
Quem é Marianna Monteiro
Marianna Monteiro atua em Brasília na área de cirurgia bariátrica e é fundadora do EME Instituto. Formada em Medicina pela Universidade Estácio de Sá, residência em Cirurgia Geral pela SES-DF, no Hospital de Sobradinho, e fellow em Cirurgia Bariátrica e Metabólica pela DIABESIDADE. O EME Instituto, por sua vez, é um espaço voltado ao cuidado do paciente bariátrico, com proposta de acolhimento, orientação e acompanhamento integral.
Na forma como conduz seu trabalho, Marianna Monteiro associa técnica cirúrgica, informação clara e atenção ao percurso do paciente antes e depois da cirurgia. Esse olhar aparece tanto na maneira como explica os critérios da bariátrica quanto na ênfase que dá ao seguimento multidisciplinar ao longo do tratamento.
CRM: 24276 • RQE: 18912
Instagram: @dra.marimonteirov | @emeinstituto

Fotos: Nathan Amorim
Nota ao leitor
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos por profissional habilitado após avaliação individual. Não há promessa de resultado; cada caso depende de fatores clínicos e do plano terapêutico indicado.
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