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Dor irradiada e perda de força podem indicar hérnia de disco

Cirurgião da coluna, Filipe Arruda, explica sinais de alerta, mitos sobre cirurgia e por que a avaliação individual faz diferença

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11/04/2026 • 13:55 • Atualizado em 11/04/2026 • 13:55

Dr. Filipe Arruda

Dr. Filipe Arruda

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Dor lombar persistente, formigamento, dificuldade para movimentar o pé, desconforto que desce pela perna ou se espalha para o braço: sintomas como esses ainda costumam ser subestimados por muitos pacientes. Em parte, porque a dor na coluna é frequentemente tratada como algo passageiro; em parte, porque a hérnia de disco ainda é cercada por medo, automedicação e desinformação.

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Para o cirurgião da coluna Filipe Arruda, esse é um dos pontos mais delicados da prática clínica: identificar quando o quadro pode ser acompanhado de forma conservadora e quando os sinais exigem avaliação mais rápida.

“A hérnia de disco não deve ser entendida de forma simplificada. Muitas vezes, o problema não é apenas uma dor localizada, mas a compressão de uma estrutura nervosa. Isso pode provocar dormência, dor irradiada para o braço ou para a perna e, em quadros mais delicados, perda de força. Por isso, o exame físico bem-feito e a correlação com a imagem são fundamentais para definir a conduta.”

O que é a hérnia de disco

Segundo o médico, a coluna é formada por vértebras separadas por discos, estruturas que funcionam como amortecedores. Com o passar do tempo, esses discos podem sofrer desgaste e fissuras. Quando parte de seu conteúdo se desloca e comprime um nervo, surgem sintomas que variam conforme a região afetada.

“Quando a hérnia atinge a coluna cervical, a dor pode irradiar para a região da escápula ou para o braço. Já nos casos lombares, esse quadro pode alcançar a coxa, a perna e, em alguns pacientes, até o pé, a depender do nervo comprimido. Há também situações em que não existe uma irradiação tão evidente, mas o paciente convive com uma dor lombar crônica que passa a limitar movimentos simples da rotina, como sentar, abaixar-se ou até dormir com conforto.”

Quando a dor deixa de ser um incômodo comum

Filipe Arruda afirma que nem toda hérnia exige cirurgia. Em muitos casos, o tratamento inicial é conservador, com medicação, fisioterapia e reabilitação. Ainda assim, existem sinais que não devem ser ignorados.

“Na maioria dos casos, o primeiro tratamento não é cirúrgico. Mas, se o paciente começa a perder força, passa a ter dificuldade para movimentar o pé, sente a dor se espalhar e piorar com o tempo ou apresenta sinais neurológicos mais importantes, é preciso agir mais rápido. Em alguns casos, adiar o tratamento pode dificultar a recuperação dos movimentos.”

Entre os principais alertas, o especialista destaca dor persistente por semanas ou meses, piora progressiva, dormência, irradiação para os membros, perda de força e dor noturna. Em situações mais graves, alterações urinárias ou intestinais também podem indicar urgência.

Tratamento e prevenção

De acordo com o cirurgião, a maior parte dos pacientes inicia o tratamento de forma conservadora. Além de medicação e fisioterapia, alguns quadros podem se beneficiar de procedimentos como infiltrações e bloqueios, principalmente em fases inflamatórias mais intensas, sempre após avaliação individual.

Ele ressalta, no entanto, que essas abordagens não substituem o acompanhamento adequado nem devem ser vistas como solução padronizada para todos os casos.

“Há pacientes que melhoram com medicação, fisioterapia e reabilitação bem conduzida. Em outros casos, bloqueios e infiltrações podem ajudar a controlar a fase inflamatória e permitir que o paciente retome o tratamento em melhores condições. O mais importante é entender que a conduta depende do quadro clínico, do exame físico e do impacto que aquela dor já está causando na vida da pessoa.”

Na prevenção, o médico chama a atenção para fatores que podem contribuir para o agravamento do quadro, como sedentarismo, tabagismo, execução inadequada de exercícios e hábitos que sobrecarregam a coluna. Fortalecimento muscular, orientação correta para a atividade física e atenção aos sinais do corpo são medidas que podem reduzir riscos e evitar piora funcional.

Dúvidas e mitos

Um dos pontos mais recorrentes no consultório, segundo Filipe Arruda, é o medo histórico da cirurgia de coluna. Muitos pacientes ainda chegam à consulta acreditando que o procedimento sempre leva a maus resultados ou limitações permanentes.

Para ele, essa percepção persiste porque ainda há muita desinformação em torno do tema, mesmo com a evolução técnica dos últimos anos.

“Existe um medo histórico em torno da cirurgia de coluna, mas a especialidade evoluiu muito. Hoje, há procedimentos menos invasivos, com menor agressão aos tecidos e recuperação mais precoce em casos selecionados. Isso, no entanto, não elimina a necessidade de uma indicação precisa. Nem toda hérnia pode ser tratada da mesma forma, e nem todo paciente terá a mesma recuperação.”

O especialista pondera ainda que a internet pode ajudar o paciente a reconhecer sintomas e buscar informação, mas não substitui a consulta, o exame físico e a análise individualizada. Para ele, o maior risco está em transformar conteúdos genéricos em diagnóstico definitivo ou adiar a procura por ajuda.

O que mudou na cirurgia

Na avaliação de Filipe, uma das maiores transformações da área está no avanço das técnicas minimamente invasivas. Em casos selecionados, esses procedimentos permitem maior precisão, menor agressão aos tecidos e recuperação mais rápida no pós-operatório.

“Hoje, em muitos casos, conseguimos realizar procedimentos minimamente invasivos, com incisões muito pequenas e uma visualização muito mais precisa da região tratada. Isso traz mais segurança para o médico durante o procedimento e também para o paciente, porque há menor agressão aos tecidos e uma recuperação mais precoce em situações bem indicadas.”

Segundo ele, em algumas cirurgias menos invasivas, o paciente pode, inclusive, receber alta no mesmo dia ou na manhã seguinte, a depender do horário do procedimento e da evolução clínica. Ainda assim, o médico reforça que isso não transforma a cirurgia em algo banal e que a indicação continua dependendo do quadro, do tempo de compressão do nervo e das condições gerais de cada paciente.

“A cirurgia, quando indicada, é apenas uma etapa do processo. Sem fisioterapia, sem fortalecimento, sem mudança de hábitos e sem compreender o próprio corpo, o paciente pode continuar exposto aos fatores que contribuíram para o adoecimento. O tratamento da coluna precisa ser individualizado e visto de forma mais ampla.”

O paciente além do diagnóstico

Ao mesmo tempo, o especialista afirma que o medo do diagnóstico ainda faz muita gente adiar a busca por ajuda. No consultório, ele diz receber, com frequência, pacientes que já passaram por outros serviços, convivem com dor crônica e chegam inseguros sobre o próprio futuro.

“Antes da doença, existe uma pessoa. Muitas vezes, ela já chega fragilizada, com medo, sem conseguir trabalhar e sem esperança. O cuidado começa quando o paciente entende que está sendo ouvido com seriedade e que a decisão sobre o tratamento será tomada com responsabilidade, sem promessas irreais e sem negligenciar o que ele está vivendo.”

No fim, a orientação do médico é que a dor persistente não seja naturalizada. Quando a dor na coluna começa a comprometer o movimento, o sono, o trabalho e a qualidade de vida, a investigação deixa de ser adiável.

Quem é Filipe Arruda

Filipe Arruda é médico e cirurgião da coluna, com atuação voltada ao cuidado de pacientes que convivem com dores, limitações funcionais e diferentes patologias da coluna vertebral. Natural do Ceará, formou-se em Medicina no estado, fez residência em Ortopedia na Universidade Federal do Ceará e aprofundou sua formação em cirurgia da coluna em serviços de referência, como o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e a UFMG, em Minas Gerais.

Hoje, dedica-se ao tratamento de quadros como hérnia de disco, escoliose e outras doenças da coluna, com foco em condutas individualizadas e procedimentos cirúrgicos, inclusive minimamente invasivos. Em sua prática, alia formação técnica à defesa de um atendimento mais próximo e humanizado, voltado não apenas ao diagnóstico, mas também ao impacto que a dor e a limitação causam na rotina e na qualidade de vida dos pacientes.

CRM: 12409/CE | RQE Nº: 9254

Instagram: @drfiliperarrudaSite: https://drfilipearruda.com.br