
Dor na coluna: Iuri Honcy alerta para sinais que não devem ser ignorados
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
A dor na coluna está entre as queixas que mais levam pacientes a buscar atendimento médico, mas nem toda alteração identificada em exames exige cirurgia. Em muitos casos, o tratamento depende da relação entre sintomas, exame físico, histórico clínico, grau de limitação e resposta às primeiras condutas.
Na cirurgia de coluna, uma das técnicas que ganhou espaço nos últimos anos é a cirurgia endoscópica, abordagem minimamente invasiva que pode ser indicada em situações específicas, especialmente em quadros de dor de origem discal. O procedimento, no entanto, não deve ser tratado como solução automática para toda dor nas costas.
Para o neurocirurgião Iuri Araújo Honcy, que atua em neurocirurgia e cirurgia de coluna, o ponto central está na indicação correta. Antes de qualquer decisão, é necessário compreender a origem da dor, o tempo de evolução e o impacto do problema na rotina do paciente.
“Todo paciente tem uma forma diferente de ser tratado, ainda que apresente a mesma doença. O enfoque depende de vários parâmetros, como o tempo de dor, a localização do sintoma e o grau de incapacidade que aquela dor provoca. O entendimento do paciente sobre a própria condição também é um divisor de águas no tratamento.”
Quando a dor na coluna merece atenção
Dores passageiras podem melhorar com medidas clínicas, acompanhamento e mudança de hábitos. O sinal de alerta surge quando o quadro persiste, não responde às condutas iniciais ou vem acompanhado de sintomas neurológicos.
Segundo Iuri Honcy, dores que permanecem por quatro a seis semanas, mesmo após analgésicos ou fisioterapia, devem ser avaliadas com mais cuidado. A atenção deve ser ainda maior quando há irradiação para as pernas, perda de força, dificuldade para caminhar ou alterações urinárias e intestinais.
“Uma dor que persiste por quatro a seis semanas, que não melhora com analgésico e, em alguns casos, nem com fisioterapia, precisa ser observada. Quando está associada a sintomas motores ou alterações do trato urinário ou digestivo, acende uma luz vermelha e merece atenção imediata.”
A avaliação especializada também ajuda a evitar dois extremos comuns: ignorar sintomas importantes ou interpretar qualquer achado de imagem como motivo para cirurgia. Na coluna, exames como ressonância ajudam no diagnóstico, mas não substituem a análise clínica.
Hérnia de disco nem sempre significa cirurgia
A hérnia de disco ainda causa medo em muitos pacientes, principalmente pela associação imediata com cirurgia. O neurocirurgião explica que a maioria dos casos não evolui para procedimento cirúrgico e pode melhorar com acompanhamento adequado.
“A gente opera cerca de 10% a 15% dos casos de hérnia de disco. A maioria das hérnias reabsorve, e os sintomas, em até quatro a seis semanas, podem melhorar até sem medicação.”
A hérnia ocorre quando há alteração no disco intervertebral, estrutura localizada entre as vértebras. Em determinadas situações, esse disco pode sofrer abaulamento, protrusão ou extrusão e comprimir estruturas nervosas, provocando dor irradiada, formigamento ou perda de força.
Nesses casos, a indicação de tratamento depende da intensidade dos sintomas, do comprometimento neurológico, do tempo de evolução e da resposta ao tratamento conservador. A cirurgia pode ser necessária em alguns quadros, mas deve ser indicada de forma individualizada.
Como funciona a cirurgia endoscópica de coluna
A cirurgia endoscópica de coluna utiliza um sistema de cânulas associado a uma câmera, que projeta a imagem das estruturas da coluna em uma tela. Por meio desse acesso, o cirurgião consegue visualizar a região comprometida e remover o tecido que comprime a estrutura nervosa, quando essa for a indicação.
A proposta da técnica é reduzir a agressão aos tecidos em comparação com abordagens mais amplas. Isso pode contribuir para menor trauma muscular, menor perda sanguínea e menor tempo de internação em casos selecionados. Ainda assim, trata-se de um procedimento cirúrgico que exige avaliação criteriosa.
“A cirurgia minimamente invasiva trata, basicamente, uma dor de origem discal. O disco pode sofrer um abaulamento, uma protrusão ou uma extrusão e começar a comprimir estruturas nervosas, seja a raiz, seja a medula. A técnica vem no sentido de causar menos trauma muscular, ter uma resposta metabólica mais favorável e permitir menor tempo de hospitalização em casos bem indicados.”
A evolução da técnica também permitiu sua associação a outros recursos em situações mais complexas. Em alguns casos de instabilidade da coluna, procedimentos percutâneos e técnicas endoscópicas podem ser combinados com dispositivos de estabilização, sempre conforme a necessidade clínica.
Menos invasiva não significa indicada para todos
Um dos cuidados no debate sobre cirurgia endoscópica é não transformar a técnica em promessa de resultado. O fato de ser menos invasiva não elimina riscos, não dispensa preparo e não substitui a boa indicação.
Para Iuri Honcy, a decisão cirúrgica deve considerar a doença, o paciente e o momento correto de intervir. Em alguns casos, operar pode evitar agravamento. Em outros, não operar pode ser a melhor conduta.
“O mais importante na neurocirurgia e na medicina é saber indicar. Uma indicação inadequada pode trazer consequências importantes. Em determinadas situações, a melhor solução para o paciente pode ser justamente não indicar um procedimento.”
Essa cautela também ajuda a enfrentar um dos principais tabus ligados à coluna: o medo de ficar com sequelas após a cirurgia. O receio é comum, mas precisa ser discutido com base no diagnóstico, no risco individual e nos possíveis efeitos de adiar um tratamento necessário.
Recuperação depende também do paciente antes da cirurgia
O pós-operatório não é determinado apenas pela técnica utilizada. Condição muscular, sedentarismo, idade, doenças associadas e preparo físico influenciam a recuperação. Por isso, o cuidado com a coluna não começa nem termina no centro cirúrgico.
“O que mais influencia na recuperação é o que o paciente era antes da cirurgia. É diferente operar um paciente sedentário, com musculatura fraca, de operar alguém que já pratica atividade física e tem massa muscular satisfatória. O grau de recuperação pode ser totalmente diferente.”
Entre os mitos mais frequentes, o repouso absoluto ainda aparece como resposta automática para qualquer dor na coluna. O neurocirurgião alerta que, após controle da dor e orientação adequada, o movimento progressivo costuma ser parte importante da recuperação.
“Existe o mito de que toda dor na coluna precisa de repouso absoluto. Não é assim. Quanto mais o paciente permanece em repouso, maior pode ser a atrofia da musculatura. O objetivo é controlar a dor e, a partir disso, retomar a marcha, o exercício e o fortalecimento.”
Tecnologia deve caminhar com avaliação clínica
A cirurgia de coluna avançou com endoscopia, imagem, navegação e recursos robóticos. Na visão de Iuri Honcy, a tecnologia amplia a precisão, mas não substitui a escuta, o exame físico e a análise individual.
Ele também ressalta que o acesso a essas ferramentas ainda é desigual, especialmente em regiões mais distantes e no sistema público de saúde. Para o especialista, o futuro da área passa por usar a tecnologia de forma responsável e sempre em benefício do paciente.
“A tecnologia precisa ser usada a favor do paciente, de uma forma menos invasiva possível, mas com efetividade. O atendimento humanizado, associado à tecnologia, é o caminho para um futuro mais próximo daquilo que o paciente realmente precisa.”
O avanço técnico, portanto, não elimina a base da medicina: avaliação cuidadosa, informação clara e decisão compartilhada. No caso da dor na coluna, compreender o momento certo de tratar pode ser tão importante quanto escolher a técnica.
“A medicina precisa manter o olho no olho. É essa relação que permite explicar riscos, possibilidades e caminhos de tratamento com mais segurança para o paciente.”
Quem é Iuri Honcy
Iuri Araújo Honcy é médico neurocirurgião, natural de Iguatu, no Ceará, e criado em Fortaleza. Com trajetória construída na área cirúrgica, fez residência em neurocirurgia no Instituto Dr. José Frota, na capital cearense, onde relata ter acompanhado o início do serviço de residência no Estado. Sua atuação reúne neurocirurgia e cirurgia de coluna, com atenção a técnicas minimamente invasivas e à cirurgia endoscópica de coluna. No atendimento, valoriza a indicação criteriosa, a escuta do paciente e uma medicina conduzida com clareza, responsabilidade e cuidado individualizado.
CRM: 9305/CE | PE/37818 | RQE Nº: 6117 Instagram: @driurihoncy

Fotos: Breno Rocha
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