
Dor no cotovelo: quando o incômodo pode indicar epicondilite
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
A dor no cotovelo nem sempre começa de forma intensa. Em muitos casos, ela aparece primeiro como um incômodo discreto, em gestos repetidos do dia a dia, e vai ganhando espaço até comprometer tarefas simples. É justamente aí que mora o risco: por parecer suportável no início, o sintoma costuma ser subestimado e tratado apenas com repouso improvisado ou remédios por conta própria.
Dentro desse cenário, uma das condições mais frequentes é a epicondilite, especialmente a lateral, associada a sobrecarga dos tendões do cotovelo. Segundo o ortopedista Carlos Eduardo Abreu Azevedo, o quadro aparece com frequência em pessoas que fazem esforço manual ou movimentos repetitivos com os braços, mas o que mais confunde os pacientes é o comportamento da própria dor: ela pode melhorar, desaparecer e voltar em outro momento.
“A epicondilite, principalmente a lateral, é uma doença bem comum. Ela atinge uma grande parte da população, principalmente pessoas que fazem trabalhos mais braçais, que exigem mais trabalho manual também. E acontece que a epicondilite é uma doença que vai curar, só que ela pode voltar várias vezes. Então as pessoas às vezes têm uma vez, têm duas, têm três vezes e acham que continua tendo sempre. Não, na verdade a doença foi e voltou, foi e voltou.”
Por que a epicondilite pode se repetir
A recorrência ajuda a explicar por que tanta gente demora a entender o problema. Quando o desconforto melhora, o paciente tende a imaginar que o cotovelo está resolvido. Mas, se o movimento que provocou a sobrecarga continua presente na rotina, o tendão pode voltar a ser exigido da mesma forma e o quadro reaparece. Na avaliação do médico, isso mostra que o tratamento não depende apenas de aliviar a dor, mas também de reconhecer o que desencadeia a crise.
“Talvez porque ela não tenha tido uma boa orientação, um bom cuidado, o profissional não orientou ela corretamente como deve ser feito os movimentos, como tem que ser feito o trabalho dela. Mas realmente pode: ela é uma doença que pode ir e voltar várias vezes. Sempre vai ter um gatilho para que ela ocorra. Quando a gente consegue identificar esses gatilhos, a gente evita que a doença se prolongue e a gente evita também que ela retorne a acontecer.”
Os gatilhos mais comuns no dia a dia
Carlos Eduardo chama atenção para um aspecto importante para o leitor leigo: os gatilhos nem sempre estão em grandes esforços. Muitas vezes, o problema aparece em movimentos corriqueiros, repetidos ao longo da rotina profissional, doméstica ou até na prática de exercícios. O ponto central, segundo ele, é o padrão de torção, pegada e força com punho e antebraço.
“É bem comum em pessoas que fazem manutenção, por exemplo. O movimento de girar o punho, de fazer o torque da chave, é um gatilho. Alguns exercícios na academia, como fazer exercício de bíceps com a mão pronada, muitas vezes acaba machucando. A pegada na elevação lateral, às vezes, do halter, acaba machucando o cotovelo. Tem gente que sente dor até para torcer um pano ou fazer força no punho.”
Quando o erro está em tentar resolver sozinho
Outro ponto forte está nos erros mais frequentes de quem tenta controlar a dor sem orientação. De acordo com o ortopedista, uma das falhas é tratar o cotovelo como se o problema estivesse restrito à articulação, quando boa parte da sobrecarga vem do uso da mão e do punho. Outra atitude comum é insistir em remédios enquanto a atividade que desencadeia a dor continua sendo repetida.
“Geralmente o pessoal imobiliza o cotovelo porque sente a dor no cotovelo, mas na verdade o músculo que está fazendo a força é na mão. Por exemplo, a pessoa fica tomando remédio, a dor até passa, mas continua fazendo a atividade que causa dor e não percebe isso. Percebeu que a dor está arrastada, que não está resolvendo, é melhor procurar um especialista para ser melhor orientado.”
A consequência desse atraso, segundo ele, não é apenas prolongar o desconforto. Em quadros mais arrastados, a dor pode comprometer autonomia e rotina, atingindo atividades básicas que o paciente só valoriza quando começa a perder.
“Quando a gente começa a tratar no início, é bem mais fácil do que pegar depois de um tempo, já arrastado, já com o cotovelo inchado. Às vezes a pessoa não consegue nem escovar o dente.”
Recuperação exige paciência e acompanhamento
A fala do médico também ajuda a corrigir uma expectativa muito comum: a de que a melhora será rápida. Na epicondilite, a evolução tende a ser gradual. Por isso, a leitura do tratamento precisa ser feita no médio prazo, e não no intervalo de poucos dias. Esse ponto é importante para evitar abandono precoce da conduta ou frustração com a ausência de alívio imediato.
“A média de recuperação da epicondilite é entre 6 e 8 meses, mas a gente sabe que pode levar até 2 anos para ficar bom. Então tem que ter disciplina, tem que ter paciência. O que eu falo para o paciente é notar que a dor vai de um mês para o outro, não é de um dia para o outro. Isso é gradual, e é aos poucos mesmo.”
Ao trazer esse horizonte de tempo, o ortopedista não promete resultado uniforme nem sugere uma resposta única para todos os casos. O que a fala deixa claro é que a condução costuma exigir constância, ajuste de hábitos e acompanhamento adequado, sobretudo quando a dor já se prolonga há meses.
Procurar ajuda cedo pode mudar o curso do problema
Na prática clínica, Carlos Eduardo relata que hoje muitos pacientes chegam mais informados do que no passado e já procuram atendimento mais cedo. Ainda assim, quadros com meses de evolução continuam sendo frequentes, o que reforça a importância de não banalizar sintomas persistentes.
“As pessoas já estão se informando melhor, então elas percebem que estão sentindo dor e já procuram um especialista no início. Mas eu ainda chega paciente que já está com dor arrastada, dor crônica, há bastante tempo.”
Ele resume esse alerta de forma direta: dor persistente não deve ser incorporada à rotina como se fosse algo normal. Quando o sintoma afeta sono, disposição ou atividades simples, a tendência é que ele repercuta também na qualidade de vida.
“Tem que lembrar que a dor não é a sua vida. Se a dor é persistente, você precisa procurar um especialista para começar a se tratar. Conviver com a dor não é normal. A dor vai atrapalhar o sono, a qualidade de vida, os momentos em família.”
Quem é Carlos Eduardo Abreu Azevedo
Carlos Eduardo Abreu Azevedo é médico ortopedista com atuação em ombro e cotovelo. Filho de ortopedista, amadureceu a decisão de seguir a Medicina no fim do ensino médio. Durante a graduação, passou a se interessar por áreas cirúrgicas e definiu a escolha pela Ortopedia no último ano do curso. Mais tarde, já no fim da residência, direcionou a formação para ombro e cotovelo. Hoje, atende em Macaé, onde atua no Instituto de Traumatologia Azevedo, clínica da família voltada à Ortopedia.
CRM: 52779628 | RQE: 55034
Instagram: @dreduardoazevedo.ombro

Fotos: Ana Amado e Acervo pessoal
Nota ao leitor
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos por profissional habilitado após avaliação individual. Não há promessa de resultado; cada caso depende de fatores clínicos e do plano terapêutico indicado.
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