
Dor no ombro à noite pode sinalizar lesão do manguito rotador
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
A dor começa pequena e, quando a pessoa percebe, já está mudando a própria rotina para “não provocar” o incômodo. Evita pegar algo no alto, veste a blusa com cuidado, troca o treino por medo de piorar e passa a negociar posições na cama. Quando o sono é interrompido, o alerta fica mais claro. Para o ortopedista Victor Luiz Bastos Corrêa, cirurgião de ombro e cotovelo em Brasília, a combinação de dor persistente com dor noturna merece atenção porque pode indicar um problema nos tendões do ombro, entre eles o manguito rotador.
Ele explica que o manguito rotador é formado por quatro músculos e seus tendões, responsáveis por manter a cabeça do úmero bem posicionada e por ajudar nos movimentos do braço. Em outras palavras, é uma estrutura que trabalha o tempo todo, no esporte e também no cotidiano. Por isso, quando algo não vai bem, o ombro costuma “avisar” com dor, limitação e perda de força.
O que é a lesão do manguito rotador e por que ela acontece
A lesão do manguito rotador não é uma coisa única. Ela pode ir de um quadro inflamatório com dor e sensibilidade, passando por desgaste do tendão, até chegar a rupturas parciais ou completas. Segundo Victor, há duas origens principais: a traumática e a degenerativa.
No trauma, geralmente existe um começo mais marcado. A pessoa cai, apoia o braço, sente a fisgada e, nos dias seguintes, percebe que levantar o braço ou alcançar objetos virou um desafio. Já no componente degenerativo, a história é mais silenciosa. Entra em cena a soma de fatores como idade, predisposição individual, sedentarismo e tabagismo, entre outros aspectos que afetam a qualidade do tendão. O resultado é uma dor que se arrasta, vai limitando movimentos e, muitas vezes, passa a atrapalhar o sono.
Quando a dor é sinal de alerta e não apenas “cansaço”
O ponto central, segundo o especialista, é observar o comportamento do sintoma. Ele chama atenção para um padrão típico: dor na região anterolateral do ombro que incomoda à noite e piora ao movimentar, especialmente quando a pessoa tenta elevar o braço ou fazer gestos do dia a dia, como pegar algo no carro ou alcançar um objeto.
Em consulta, Victor costuma reforçar que a dor não deve ser normalizada quando ela muda o jeito de viver. “Quando o paciente começa a evitar movimentos simples para não sentir dor, isso já diz muito sobre o impacto funcional”, explica. E faz um alerta: “Se a dor acorda à noite e incomoda até com o ombro ‘quieto’, está passando da hora de procurar um especialista”.
O risco de empurrar com a barriga é que algumas alterações tendíneas podem evoluir. Em cenários mais avançados, a lesão pode se tornar mais complexa e mais difícil de reparar, o que afeta o prognóstico e pode prolongar o tempo de recuperação.
Sinais que merecem avaliação
- Dor no ombro que acorda à noite ou impede dormir de lado
- Dor ao elevar o braço ou alcançar objetos
- Perda de força ou limitação que progride
- Dor que persiste mesmo sem esforço recente
Por que “esperar passar” pode piorar o quadro
Existe um tipo de paciente que chega ao consultório depois de meses, às vezes anos, tentando contornar a dor: troca exercícios, reduz atividades, vive de analgésicos e adapta o corpo. Victor explica que parte do problema está na falta de informação sobre o que, de fato, está acontecendo. “Às vezes, o paciente tem uma lesão que é cirúrgica e ninguém falou para ele que aquilo se resolve cirurgicamente”, diz. Nesses casos, o tempo vira inimigo: a dor se prolonga, a função piora e a pessoa perde qualidade de vida.
Ele também cita um exemplo de evolução que pode acontecer em paralelo na ortopedia: instabilidades do ombro que começam na juventude, não são tratadas, e mais tarde podem vir acompanhadas de desgaste articular. A mensagem é direta: quanto antes entender a origem do sintoma, melhor a chance de conduzir o tratamento com mais previsibilidade.
Tratamento: um caminho que depende do diagnóstico e da vida real do paciente
Nem toda dor no ombro vira cirurgia. Para Victor, o tratamento começa com uma avaliação clínica completa e, quando necessário, exames de imagem para entender se existe uma alteração estrutural. A partir daí, o plano se desenha de forma progressiva.
Em muitos casos, o primeiro passo é controlar a dor e recuperar a função com fisioterapia e fortalecimento, além de corrigir o que está sobrecarregando o ombro. Ele observa que uma parte importante dos pacientes chega com dor relacionada à execução inadequada de exercícios. “Muitas vezes não é uma lesão cirúrgica. É o paciente que treina, mas está fazendo movimentos de um jeito que o ombro não tolera”, explica.
Quando o caso exige algo além do conservador, podem entrar estratégias intermediárias para reduzir sintomas e permitir que a reabilitação avance, sempre com indicação individualizada. Já quando há uma alteração estrutural importante, como determinadas rupturas tendíneas ou lesões associadas à instabilidade, a cirurgia pode ser indicada para devolver estabilidade, reduzir dor e permitir retorno seguro às atividades. Victor reforça um ponto que costuma orientar suas condutas: o paciente precisa saber todas as possibilidades e entender o porquê do plano proposto, inclusive quando a resolução definitiva depende do procedimento.
Prevenção no treino: o ombro responde melhor à consistência do que à pressa
Entre os conselhos práticos, ele costuma orientar quem está começando ou retomando a academia a não “queimar etapas”. Um caminho possível é reduzir carga, trabalhar mais repetições e caprichar na cadência e na consciência corporal. É a diferença entre treinar com o corpo e treinar contra o corpo. “Aumentar carga rápido demais e ignorar a dor é um atalho que, muitas vezes, leva direto ao consultório”, afirma.
Sobre alongamento, ele explica que não há um consenso absoluto sobre a melhor sequência, mas destaca que alongar melhora circulação local e percepção corporal, o que pode contribuir para proteção. Além disso, reforça que encurtamentos podem estar por trás de dores recorrentes e merecem avaliação individual.
Tecnologia na cirurgia e o que não muda: exame físico e reabilitação alinhada
Victor aponta que a cirurgia de ombro evoluiu muito em tecnologia, com planejamento pré-operatório em casos como prótese, usando tomografia e softwares para melhorar previsibilidade. No intraoperatório, ferramentas e guias aumentam precisão e segurança, aproximando o conceito de uma cirurgia “guiada” por tecnologia.
Mas ele faz questão de destacar o que segue insubstituível: o olhar clínico, o exame físico bem feito e o pós-operatório bem conduzido. “Eu individualizo o tratamento. Eu converso com o fisioterapeuta, explico o que foi feito e a gente constrói um protocolo personalizado”, diz. A ideia, segundo ele, é dar previsibilidade ao resultado, reduzir dor e necessidade de medicações, e devolver função com segurança.
As dúvidas que ninguém quer ter depois da cirurgia (e que todo mundo tem)
É no pós-operatório que a ansiedade aparece em perguntas simples, mas carregadas de significado, porque elas representam autonomia. “Vou conseguir comer sozinho?” “Como vou lavar o cabelo?” “Quando eu consigo dirigir?” “Vou conseguir voltar para a academia?” Victor conta que esse tipo de dúvida é frequente e, para ele, faz parte do cuidado deixar o paciente seguro sobre cada fase.
Ele explica que, em geral, o objetivo não é “parar a vida”, e sim ajustar a rotina com proteção. “Eu costumo não restringir completamente. Com a imobilização e tomando cuidado para não cair, o paciente pode manter atividade física adaptada”, afirma. Nesse contexto, ele comenta também o conceito de estimulação cruzada, em que treinar o lado não operado e membros inferiores ajuda a reduzir a sensação de inatividade total e mantém o corpo mais preparado para a reabilitação. O que muda de paciente para paciente é o ritmo e o tipo de atividade permitido, sempre respeitando o que foi reparado e o protocolo individual.

Quem é Victor Luiz Bastos Corrêa
Victor Luiz Bastos Corrêa é ortopedista e cirurgião de ombro e cotovelo em Brasília. Ele nasceu em Goiânia e conta que cresceu sob a influência de duas referências familiares na saúde: a mãe, enfermeira, e a avó, que retomou os estudos, formou-se em enfermagem e chegou à coordenação de UTI. Essa vivência, segundo ele, ajudou a construir uma visão de cuidado baseada em presença, escuta e explicação clara, especialmente quando o paciente está vulnerável e inseguro diante da dor.
Formado em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Victor relata ter vivido uma rotina intensa de estudo e prática desde a graduação, com experiências de monitoria e estágio prolongado em ortopedia. Ele também passou pela experiência militar na Aeronáutica, que, segundo conta, reforçou disciplina e organização. Mais tarde, escolheu a ortopedia como caminho definitivo e se especializou em ombro e cotovelo após a residência.
Ele possui título de Ortopedista pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e título de especialista em cirurgia do ombro e cotovelo pela Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), além de pós-graduação em Ortopedia e Traumatologia do Esporte. Hoje, ele também é fundador da Clínica BACOV, em Brasília, com proposta de atendimento integrado e humanizado, reunindo fisioterapia, nutrição e educação física para reabilitação e prevenção. Entre projetos futuros, ele afirma que deseja ampliar o suporte a atletas e desenvolver iniciativas com idosos, valorizando autonomia, movimento e qualidade de vida.
CRM 24884-DF | RQE 20059-DF
Instagram: @dr.victorluizortopedistaSite: https://www.drvictorluiz.com.br
Nota ao leitor
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos por profissional habilitado após avaliação individual. Não há promessa de resultado; cada caso depende de fatores clínicos e do plano terapêutico indicado.
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