
Dor no quadril ou ciático? Nem sempre é coluna; veja sinais e caminhos
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Tem dores que parecem “óbvias”: incomodou na lombar, vira “coluna”; puxou para a perna, vira “ciático”. Só que nem sempre é assim. O quadril, por exemplo, pode passar despercebido por muito tempo — até a rotina começar a travar.
Acontece quando descer do carro exige estratégia, quando a escada vira um desafio e até movimentos simples começam a pedir cautela. Para Bruno Fernandes Vargas, reconhecer os sinais cedo muda o jogo, porque evita que a pessoa normalize limitações e adie uma avaliação que poderia ser mais simples.
Por que o quadril costuma “gritar” tarde
O quadril é uma articulação com grande amplitude de movimento. Isso permite compensações: se um movimento dói, o corpo “dribla” com outro. O problema é que essa adaptação cobra um preço com o tempo.
Bruno Vargas descreve que a busca por ajuda costuma ser tardia e já com impacto real no dia a dia. “As pessoas chegam já com limitação do dia a dia”, afirma. E explica por que isso acontece: “se dói ao flexionar o quadril, ele evita flexionar e tem outros movimentos que compensam essa flexão”.
Na prática, a pessoa vai “se virando” até que a dor e a rigidez aumentam. Quando percebe, já existe um quadro mais inflamado ao redor do quadril, com redução funcional.
As confusões mais comuns: coluna, ciático e até hérnia inguinal
Uma das razões para o quadril ser negligenciado é que a dor pode aparecer longe da articulação. E aí entram as confusões clássicas.
Bruno Vargas conta que alguns pacientes chegam a procurar outras especialidades antes de pensar no quadril. Um exemplo é a dor na virilha, que pode levar a uma suspeita de hérnia. “As pessoas têm hérnia inguinal. Primeiro, o pessoal procurou cirurgião geral ou urologista para tratar-se de uma hérnia inguinal”, diz.
Outra confusão comum é com a coluna. Segundo ele, a dor lombar costuma “espalhar” e isso empurra a pessoa para um diagnóstico presumido de hérnia de disco. “A dor na coluna desce e irradia para os outros pontos”, explica. Bruno Vargas lembra que esse “espalhar” da dor favorece o rótulo automático de “ciático”, mesmo quando o ponto de origem não é tão simples quanto parece.
Ou seja: nem toda dor que desce para glúteo e perna é “ciático”, e nem toda dor na virilha é “hérnia”. Sem avaliação, a pessoa pode tratar o lugar errado e perder tempo.
Quando a dor do quadril deixa de ser “normal”
Um sinal importante é quando o corpo começa a limitar a própria vida para evitar dor. Isso aparece em pequenas decisões: o jeito de sentar, de calçar sapato, de subir degraus, de entrar e sair do carro.
Bruno Vargas resume esse cenário com exemplos que costumam surgir no consultório. Ele diz que o paciente relata situações como “para descer o carro está doendo” e que isso vai chegando junto de rigidez e inflamação. “Ele já chega um pouco deteriorado e com limitações funcionais, com rigidez, com dor e já com muita inflamação ao redor do quadril”, afirma.
Outro alerta é quando a dor deixa de ser episódica e passa a organizar o dia. A pessoa começa a planejar movimentos, reduzir deslocamentos e evitar atividades que antes eram automáticas.
Medos que fazem a pessoa adiar o cuidado
Além da confusão com a coluna, existe um medo simples: o de “não ter solução”. Bruno Vargas diz que, em dor crônica, o receio do paciente costuma ser justamente a falta de resolução e a crença de que não vai melhorar. “O maior medo do paciente é a não resolução”, afirma.
Do lado médico, ele chama atenção para outro risco: a escalada de remédios sem acompanhamento adequado. “O meu maior medo é a automedicação. É uma medicação desenfreada”, diz Bruno Vargas, citando também preocupação com o uso de muitos medicamentos ao mesmo tempo.
Tratamentos mudaram: nem sempre “quadril” é sinônimo de bisturi
Por muitos anos, falar em dor no quadril parecia um caminho direto para cirurgia. Hoje, o cenário é mais amplo.
Bruno Vargas explica que há técnicas modernas que podem atuar de forma precisa no ponto de lesão com apoio de imagem em tempo real. “Hoje em dia tem técnicas minimamente invasivas, com a imagem da ultrassonografia em tempo real ou da radiografia em tempo real”, diz. Na prática, isso significa orientar o procedimento “vendo onde está”, aumentando precisão e reduzindo o risco de atuar fora do alvo.
Segundo ele, em alguns casos, é possível usar agulhas ou cânulas para chegar “bem especificamente” ao local da lesão e aplicar recursos que ajudam a controlar a dor e a inflamação. “Você entra bem especificamente no ponto da lesão do quadril e libera substâncias e fármacos”, afirma.
A ideia central é que existe um caminho entre “aguentar” e “operar”: avaliação correta, indicação precisa e estratégia por etapas. E, quando cirurgia é necessária, a tendência é buscar mais precisão e menos agressão — sem prometer resultados, porque cada caso tem limite e risco próprios.
Tecnologia e precisão: o que ajuda a enxergar melhor o problema
Parte dessa mudança vem do avanço dos exames e da precisão no diagnóstico. Bruno Vargas cita ferramentas que, na prática, tornam a condução mais direcionada.
Ele destaca, por exemplo, exames de imagem mais específicos: “a ressonância MAPIM-T2… mostra com qualidade a cartilagem”. Também menciona a popularização de dispositivos portáteis para avaliação em tempo real: “Existem ultrassons portáteis, de bolso, que permitem avaliar o paciente em tempo real, no próprio consultório, ajudando no diagnóstico imediato.”.
Para ele, o caminho é combinar tecnologia com critério clínico. Não é sobre “fazer mais exames”, e sim usar informação de forma inteligente para não tratar no escuro.
Pistas de que pode não ser só coluna/ciático
- Dor na virilha que levanta suspeita de hérnia: “o pessoal procurou cirurgião geral ou urologista”
- Irradiação para glúteo/perna que vira “ciático” por padrão, mas pode ter outra origem
- Dor ao entrar e sair do carro: “para descer o carro está doendo”
- Rigidez e limitação funcional progressiva
Erros comuns que atrasam o diagnóstico
- Tratar apenas “onde dói” sem investigar a origem do padrão de dor
- Normalizar limitação e compensar por tempo demais
- Trocar de abordagem sem continuidade
O que costuma fazer diferença
- Avaliação detalhada do padrão de dor e movimento
- Exames bem indicados (sem excesso e sem falta)
- Estratégia em etapas para controlar dor/inflamação e recuperar função
Quem é Bruno Vargas
Bruno Vargas nasceu em Goiânia e se mudou aos 11 anos para São José dos Campos. No fim do ensino médio, decidiu seguir a medicina ao juntar afinidade por ciências biológicas com facilidade de comunicação e contato com pessoas.
Na escolha da ortopedia, Bruno Vargas se identificou com uma área resolutiva e com potencial de devolver movimento e função ao paciente. Ele também cita a tecnologia como parte do interesse pela especialidade, acompanhando a evolução de exames e ferramentas que ajudam no diagnóstico e na precisão do cuidado.
Atualmente, Bruno Vargas atua como ortopedista e traumatologista em São Paulo (SP). Na sua prática, defende acompanhamento contínuo e condução individualizada, considerando contexto, hábitos e rotina, com foco em recuperar qualidade de vida e movimento.
CRM-SP 236902 | RQE-SP 133316
Instagram: @dr.brunofvargasSite: https://brunovargasortopedista.com
Fotos: Vision Produtora

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