Band Vale

Dor que interrompe a rotina: Paulo Sartori fala sobre endometriose

Ginecologista explica quando o sintoma merece investigação e por que o diagnóstico da doença não deve ser associado automaticamente à infertilidade.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

11/08/2026 • 16:43 • Atualizado em 12/08/2026 • 10:00

Dor que interrompe a rotina: Paulo Sartori fala sobre endometriose

Dor que interrompe a rotina: Paulo Sartori fala sobre endometriose

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

A dor menstrual pode fazer parte do ciclo de muitas mulheres, mas deixa de ser apenas um desconforto quando interfere na rotina, impede atividades habituais ou se torna recorrente e incapacitante. Nessas situações, investigar a origem do sintoma é importante, especialmente porque doenças ginecológicas como a endometriose podem estar associadas ao quadro.

Compartilhar

Para o ginecologista e cirurgião ginecológico Paulo Tiago de Faria Sartori, um dos desafios no cuidado com a saúde feminina ainda é a tendência de incorporar determinadas dores à rotina como se fossem uma consequência inevitável da menstruação.

A intensidade do sintoma e, principalmente, seu impacto na qualidade de vida ajudam a indicar quando é necessário buscar avaliação médica.

“Quando a mulher começa a sentir uma dor tão intensa que precisa faltar à escola, interromper atividades ou não consegue manter a rotina durante o período menstrual, isso merece investigação. O mesmo vale para a dor durante a relação sexual. Não é um sintoma que deve simplesmente ser incorporado à vida como se fosse inevitável”, explica Sartori.

O que é a endometriose

A endometriose é uma doença caracterizada pela presença, fora da cavidade uterina, de tecido semelhante ao endométrio, que reveste internamente o útero.

Essas lesões podem estar localizadas em diferentes regiões da pelve e responder às variações hormonais do organismo. Dependendo de onde estão e de como a doença se apresenta, podem ocorrer processos inflamatórios, aderências e alterações nos tecidos próximos.

É justamente essa diversidade que faz com que a endometriose não se manifeste da mesma maneira em todas as mulheres.

“Esse processo pode se repetir ao longo dos ciclos. A região inflama e ocorre uma resposta de cicatrização. Dependendo da localização das lesões, podem surgir aderências, fibroses e alterações na anatomia pélvica. Isso ajuda a compreender por que algumas pacientes desenvolvem quadros importantes de dor”, afirma o ginecologista.

A doença também pode variar em extensão e localização. Por isso, a intensidade dos sintomas, por si só, não é suficiente para estabelecer como está o quadro de cada paciente.

Endometriose pode provocar diferentes tipos de dor

Embora a cólica menstrual intensa seja uma das manifestações mais conhecidas, a endometriose pode estar relacionada a outros tipos de dor.

Entre as queixas observadas estão dor pélvica persistente, desconforto durante a relação sexual, dor ao evacuar, dor ao urinar e sintomas que também aparecem fora do período menstrual.

Essa variedade pode dificultar o reconhecimento do problema. Uma mulher que apresenta dor apenas durante a relação sexual, por exemplo, pode não relacionar o sintoma a uma condição ginecológica.

“Nem todas as pacientes descrevem a mesma dor. Algumas sentem principalmente durante a menstruação; outras apresentam dor na relação sexual, ao evacuar, ao urinar ou fora do período menstrual. Quando esses sintomas se repetem ou começam a limitar a vida da mulher, é importante entender a origem, em vez de simplesmente aprender a conviver com eles”, orienta Sartori.

Alterações no sangramento menstrual também merecem atenção. Um fluxo persistentemente aumentado pode ter diferentes causas e não significa, isoladamente, que exista endometriose, mas mudanças que comprometem o cotidiano devem ser levadas ao ginecologista para avaliação.

Como é feita a investigação da endometriose

A investigação não começa necessariamente por um exame. Antes deles, a história clínica da paciente pode fornecer informações importantes.

Entender quando a dor surgiu, em quais momentos acontece, se acompanha a menstruação, se está presente nas relações sexuais e quanto interfere nas atividades habituais ajuda o médico a identificar se existe necessidade de uma investigação direcionada.

A partir dessa avaliação, exames de imagem podem ser solicitados conforme as particularidades de cada caso. Entre os recursos utilizados estão a ressonância magnética da pelve e a ultrassonografia transvaginal realizada com protocolo direcionado para pesquisa de endometriose.

Nesse ponto, Sartori destaca uma dúvida frequente entre as pacientes: por que a doença pode não ter aparecido em ultrassonografias realizadas anteriormente?

“Muitas pacientes dizem que realizam ultrassonografia transvaginal todos os anos e nunca receberam um diagnóstico. Isso pode acontecer porque a investigação da endometriose exige um olhar direcionado. Quando existe uma suspeita clínica, o exame precisa ser solicitado e realizado com essa finalidade para oferecer informações mais adequadas ao planejamento do caso”, explica.

Portanto, um exame ginecológico de rotina e um exame direcionado à investigação da endometriose podem ter objetivos diferentes. A escolha da avaliação adequada deve considerar os sintomas e a suspeita clínica.

Endometriose não é sinônimo de infertilidade

O diagnóstico também pode despertar outro receio: a possibilidade de não conseguir engravidar.

A endometriose pode afetar a fertilidade em determinadas pacientes. Processos inflamatórios e alterações anatômicas envolvendo estruturas importantes para a reprodução, como ovários e trompas, estão entre os fatores que podem influenciar esse cenário.

Isso não significa, porém, que toda mulher diagnosticada com endometriose terá dificuldade para engravidar.

A fertilidade é influenciada por diferentes fatores, e cada caso precisa ser analisado individualmente. Quando há dificuldade para alcançar uma gestação, a investigação pode envolver tanto a saúde reprodutiva feminina quanto aspectos relacionados ao parceiro.

Para Sartori, esclarecer essa diferença também reduz uma carga emocional que pode acompanhar o diagnóstico.

“Receber o diagnóstico de endometriose e imediatamente concluir que não será possível engravidar cria uma preocupação que nem sempre corresponde à realidade daquela paciente. A fertilidade depende de diversos fatores, e a presença da doença precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo”, explica.

Por isso, o planejamento para mulheres que desejam engravidar deve considerar as características da doença, a saúde reprodutiva e os projetos individuais de cada paciente.

Nem toda endometriose precisa de cirurgia

Outro ponto importante é que o diagnóstico não leva automaticamente a uma indicação cirúrgica.

O tratamento depende de fatores como sintomas, localização da doença, impacto sobre a qualidade de vida, desejo reprodutivo e características clínicas individuais. A estratégia pode incluir acompanhamento, medicamentos, mudanças no estilo de vida ou cirurgia, quando houver indicação.

“O mais importante é entender como a endometriose se apresenta naquela mulher. Existem pacientes que precisam de tratamento medicamentoso, outras podem se beneficiar de mudanças no estilo de vida e há situações em que a cirurgia entra no planejamento. Não é uma decisão automática a partir do diagnóstico”, afirma Sartori.

Nos quadros de maior complexidade, a localização das lesões também influencia o planejamento. Quando outros órgãos estão envolvidos, pode ser necessária uma atuação multidisciplinar, com a participação de profissionais de especialidades como urologia, coloproctologia ou cirurgia do aparelho digestivo.

A definição da conduta deve, portanto, partir da avaliação de cada paciente, e não apenas da presença da doença.

Quando a dor começa a mudar a vida

Além do diagnóstico, observar o impacto dos sintomas no cotidiano é uma parte importante do cuidado.

Uma adolescente que frequentemente deixa de ir à escola por causa da cólica, uma mulher que reorganiza compromissos todos os meses em razão da dor ou alguém que passa a evitar relações sexuais por desconforto recorrente já apresenta repercussões que ultrapassam o sintoma físico.

É nesse aspecto que o atendimento também exige escuta. Para Sartori, reconhecer a capacidade de resistência das mulheres não significa esperar que elas suportem a dor indefinidamente.

“A força e a resiliência das mulheres são características que admiro, mas elas não deveriam precisar ser usadas para suportar um sofrimento que pode ser investigado e tratado. A mulher não precisa permanecer em silêncio diante de uma dor que compromete sua vida”, diz.

A orientação não significa transformar toda cólica em sinal de endometriose. O alerta está na persistência, na intensidade e, sobretudo, no momento em que a dor começa a interferir na qualidade de vida.

Investigar o sintoma permite compreender sua causa e avaliar, de maneira individual, se existe necessidade de acompanhamento ou tratamento.

Quem é Paulo Sartori

Paulo Tiago de Faria Sartori é ginecologista e cirurgião ginecológico e construiu sua formação profissional em torno do cuidado com a saúde da mulher e da cirurgia ginecológica.

Após a formação em Ginecologia e Obstetrícia, aprofundou os estudos em endoscopia ginecológica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, área que reúne técnicas como histeroscopia e videolaparoscopia. Durante esse período, teve contato mais próximo com o acompanhamento de pacientes com endometriose e com procedimentos ginecológicos minimamente invasivos.

Na mesma instituição, deu continuidade à vida acadêmica com mestrado em Ciências Médicas, desenvolvendo trabalho relacionado à endometriose e à dor. A experiência acadêmica passou a dialogar diretamente com questões que também observa na prática clínica, especialmente o impacto que sintomas persistentes podem exercer sobre a vida das pacientes.

Atualmente, atua em ginecologia e cirurgia ginecológica, com foco em procedimentos minimamente invasivos e casos cirúrgicos de maior complexidade. No consultório, procura associar a avaliação técnica à escuta individual, considerando não apenas o diagnóstico ou a necessidade de uma intervenção, mas também os receios, as dúvidas e a forma como cada condição interfere na qualidade de vida da mulher.

CRM 521107445 | RQE 41184, 46135Instagram:@paulotsartori

Site: https://lp.paulosartori.com.br

Tópicos relacionados