
Dra. Alini Cunha alerta: menopausa também afeta sono, memória e libido
DIRETO DE PORTUGAL , TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
A menopausa costuma ser associada aos calorões, mas a transição hormonal feminina pode se manifestar de formas muito mais amplas. Para algumas mulheres, os primeiros sinais surgem no sono irregular. Para outras, aparecem como irritabilidade, dificuldade de concentração, mudanças no ciclo menstrual, dor na relação sexual, ressecamento vaginal, perda urinária leve ou queda da libido.
Esse conjunto de sintomas pode surgir ainda na perimenopausa, fase que antecede a menopausa e que, segundo a ginecologista Dra. Alini Cunha, nem sempre é reconhecida de imediato pelas pacientes.
“Muitas mulheres chegam dizendo que não estão bem, mas não conseguem identificar exatamente o que mudou. Elas relatam piora do sono, alteração de humor, falhas de memória, dor na relação sexual ou mudanças no sangramento. A perimenopausa pode atingir várias dimensões da vida da mulher, por isso a avaliação precisa olhar o corpo como um todo”, explica.
Perimenopausa pode começar antes da última menstruação
A menopausa é definida quando a mulher completa 12 meses consecutivos sem menstruar. Antes disso, existe a perimenopausa, período de transição marcado por oscilações hormonais que podem provocar sintomas físicos, emocionais, sexuais e cognitivos.
Na prática, isso significa que a mulher pode apresentar queixas relevantes mesmo antes de parar de menstruar. Por isso, a idade não deve ser o único critério de avaliação.
“Os sintomas podem aparecer anos antes da menopausa. Às vezes, a mulher escuta que é cedo demais para pensar nisso, mas cada caso precisa ser investigado. Pode não ser perimenopausa, mas também não é correto descartar essa possibilidade sem uma avaliação adequada”, afirma Dra. Alini Cunha.
Entre os sintomas mais comuns estão alterações no fluxo menstrual, piora do sono, irritabilidade, ressecamento vaginal, fogachos, ganho de peso, alterações urinárias e redução da libido. Em alguns casos, a paciente também percebe queda de rendimento no trabalho e sensação de confusão mental.
Quando o corpo muda, a rotina também muda
As mudanças hormonais podem interferir em áreas que muitas mulheres não associam imediatamente à ginecologia. A memória, por exemplo, aparece com frequência nas queixas de pacientes que relatam dificuldade para lembrar palavras, compromissos simples ou tarefas do dia a dia.
Para a especialista, esse tipo de sintoma precisa ser acolhido sem banalização. Ao mesmo tempo, é necessário investigar outros fatores que podem contribuir para o quadro, como estresse, sono de má qualidade, excesso de demandas e falta de descanso.
“A mulher pode perceber que a memória não responde como antes, que a disposição caiu ou que a libido diminuiu. Mas nada deve ser analisado de forma isolada. Se ela não dorme bem, isso pode afetar humor, desejo sexual, concentração e energia. O cuidado precisa organizar essas peças antes de definir uma conduta”, pontua.
Terapia hormonal não deve ser vilã nem promessa
A terapia hormonal segue entre os assuntos que mais geram dúvidas durante a menopausa. O tema exige cautela porque, durante anos, parte das mulheres passou a associar o tratamento a riscos de forma generalizada. Hoje, a orientação depende da avaliação individual, do histórico clínico, da idade, do tempo desde a menopausa e das possíveis contraindicações.
Segundo Dra. Alini Cunha, o erro está tanto em tratar a terapia hormonal como solução universal quanto em descartá-la de forma automática.
“A terapia hormonal não é indicada para todas as mulheres, mas também não deve ser vista como algo proibido para todas. Existem pacientes que podem se beneficiar quando a indicação é correta e segura. O mais importante é avaliar riscos, sintomas, momento de vida e histórico de saúde antes de decidir”, explica.
Mulheres com histórico de câncer de mama hormônio-dependente, determinados tumores, infarto ou algumas doenças cardiovasculares podem ter contraindicação à terapia hormonal sistêmica. Nesses casos, a conduta deve considerar outras possibilidades para aliviar sintomas e preservar qualidade de vida.
“Quando a terapia hormonal clássica não é uma opção, ainda existem caminhos. Alguns tratamentos locais podem ajudar no ressecamento vaginal e em sintomas urinários, e há alternativas não hormonais para queixas como os fogachos. O plano precisa ser individualizado, sem simplificar uma fase tão complexa da vida da mulher”, afirma.
Saúde íntima também faz parte da qualidade de vida
A menopausa pode afetar diretamente a saúde íntima. Ressecamento vaginal, dor durante a relação, redução da lubrificação, desconforto urinário e incontinência leve são queixas que costumam aparecer, mas muitas mulheres demoram a falar sobre o assunto por vergonha ou por acreditarem que esses sintomas são inevitáveis.
Para a ginecologista, esse silêncio pode atrasar o cuidado. A sexualidade da mulher madura ainda é atravessada por tabus, embora faça parte da saúde e do bem-estar.
“Ainda existe uma ideia de que, depois de certa idade, a mulher deve aceitar perdas na vida sexual como se isso fosse natural e definitivo. Mas dor, ressecamento, perda de conforto e insegurança íntima não precisam ser tratados como destino. A mulher madura também tem direito a viver essa fase com saúde, prazer e autonomia”, destaca.
Ginecologia regenerativa pode ser opção em casos selecionados
Dentro desse contexto, a ginecologia regenerativa pode ser considerada em situações específicas, especialmente quando há impacto funcional. A área pode envolver recursos voltados ao cuidado de ressecamento, desconforto na relação sexual, vaginismo, incontinência urinária leve e alterações da região íntima que afetam a rotina.
Dra. Alini reforça, porém, que o tema deve ser conduzido sem promessas e sem reduzir a saúde íntima a uma questão estética.
“Prefiro olhar para essa área pelo aspecto funcional. Quando uma mulher tem dor na relação, vaginismo, desconforto para atividades simples ou perda urinária leve, existem recursos que podem ser avaliados. Mas a indicação depende do exame, da história clínica e das expectativas da paciente. Não se deve prometer resultado absoluto”, reforça.
Entre as possibilidades citadas pela especialista estão fisioterapia pélvica, tratamentos locais, laser e ultrassom, sempre conforme o quadro clínico. A escolha do método depende da causa dos sintomas, da avaliação médica e da segurança para cada mulher.
O risco das soluções rápidas
Com o aumento da visibilidade da menopausa nas redes sociais, também cresceu a oferta de tratamentos apresentados como atalhos para energia, libido, emagrecimento ou rejuvenescimento. Para a médica, essa simplificação pode levar ao uso inadequado de hormônios e à frustração com promessas que não consideram a complexidade da fase.
“Essa fase precisa ser construída com acompanhamento. Não existe receita mágica. É necessário ajustar o tratamento conforme os sintomas, a resposta da paciente e a segurança. Doses excessivas de hormônios, especialmente quando usadas sem critério, podem trazer efeitos colaterais importantes e não devem ser banalizadas”, alerta.
A orientação vale especialmente para o uso de testosterona em mulheres. Quando há indicação clínica, o tratamento pode trazer benefícios para pacientes selecionadas, desde que seja conduzido de forma individualizada, com avaliação criteriosa, definição da dose adequada e acompanhamento médico regular. Como qualquer terapia hormonal, sua utilização deve priorizar a segurança e as necessidades específicas de cada mulher.
Quando procurar ajuda?
A mulher deve buscar avaliação quando alterações físicas, emocionais, sexuais ou urinárias passam a afetar a rotina. Sono persistentemente ruim, dor na relação, ressecamento vaginal, sangramentos irregulares, perda urinária, irritabilidade intensa, queda importante da libido e falhas de memória merecem investigação.
Mais do que tratar sintomas isolados, o cuidado na menopausa envolve compreender a fase de vida da paciente e construir estratégias possíveis para que ela volte a se reconhecer.
“Muitas mulheres se acostumam ao desconforto e acreditam que faz parte da idade. Mas não é normal viver com dor, não dormir bem ou abrir mão da vida sexual por falta de orientação. O primeiro passo é procurar uma escuta qualificada e entender que há formas de cuidar dessa fase com segurança”, conclui Dra. Alini Cunha.
Quem é Dra. Alini Cunha
Dra. Alini de Paula Severo da Cunha é médica ginecologista e obstetra brasileira, nascida em Carazinho, no Rio Grande do Sul. Formou-se em Medicina pela Universidade de Passo Fundo (RS) e fez especialização em ginecologia e obstetrícia em Porto Alegre. Também possui pós-graduação em ginecologia regenerativa e estética íntima, além de formação em ginecologia da infância e adolescência, áreas que consolidam sua trajetória no cuidado à saúde feminina.
Após anos de atuação no Brasil, mudou-se para Portugal, onde revalidou o diploma médico e se tornou membro do Colégio da Especialidade em Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos de Portugal. Atualmente, atende presencialmente em Lisboa, além de realizar atendimentos online para mulheres que vivem em diferentes países da União Europeia e no Brasil.
Com foco em pacientes 40+, perimenopausa, menopausa, terapia hormonal e ginecologia regenerativa, Dra. Alini defende uma prática baseada em escuta, acolhimento e individualização do cuidado. Para ela, a consulta ginecológica deve ser um espaço seguro para que a mulher fale sobre sintomas, dúvidas, sexualidade, medos e mudanças do corpo sem constrangimento.
OMP: 73.687 | CREMERS: 28.887 | RQE:18.969
Instagram: @ginecologistabrasileira
Site: https://ginecologistabrasileira.pt

Foto: Raiza Barbosa
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