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Dra. Camila Pinheiro alerta para sinal silencioso da incontinência urinária

Ginecologista e obstetra explica como o problema pode afetar a autoestima, a vida sexual e a rotina das mulheres.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

03/08/2026 • 17:48 • Atualizado em 03/08/2026 • 17:48

Dra. Camila Pinheiro alerta para sinais silenciosos da incontinência urinária

Dra. Camila Pinheiro alerta para sinais silenciosos da incontinência urinária

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Perder urina ao tossir, espirrar, rir, correr ou levantar peso é uma situação relativamente frequente entre as mulheres, mas não deve ser tratada como uma consequência inevitável da idade, da gestação ou do parto.

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A incontinência urinária pode surgir de maneira discreta e progredir ao longo do tempo. Além do desconforto físico, o problema pode interferir na autoestima, na vida sexual, no trabalho, na prática de exercícios e no convívio social.

Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Camila Pinheiro, diferentes fatores podem comprometer a sustentação dos órgãos pélvicos e favorecer a perda involuntária de urina.

“Existem fatores de risco associados à incontinência, como a gestação, independentemente da via de parto, o sobrepeso e o próprio envelhecimento, que provoca uma perda contínua de colágeno. Essa perda não envolve apenas a pele, mas também a sustentação dos nossos órgãos.”

O que pode causar incontinência urinária

A gestação está entre os fatores associados à incontinência, mesmo quando não há parto vaginal. O envelhecimento e as alterações que se tornam mais evidentes após a menopausa também podem afetar os tecidos responsáveis pela sustentação da bexiga e de outros órgãos da pelve.

Os primeiros sinais nem sempre aparecem como perdas intensas. Algumas mulheres relatam sensação de relaxamento vaginal ou percebem mudanças durante a relação sexual antes de a incontinência se tornar frequente.

A investigação médica é importante para identificar o tipo de alteração e verificar se há outros fatores envolvidos. A conduta depende do histórico da paciente, da intensidade dos sintomas e das condições observadas durante a avaliação.

Incontinência de esforço e urgência urinária

A incontinência urinária de esforço ocorre quando a mulher perde urina ao tossir, espirrar, rir, correr, praticar exercícios ou realizar atividades que aumentam a pressão sobre o assoalho pélvico.

Já a urgência urinária é caracterizada por uma vontade súbita e difícil de controlar. Embora os dois quadros possam ocorrer simultaneamente, suas causas e formas de tratamento não são necessariamente as mesmas.

Dra. Camila explica que alguns hábitos podem favorecer a urgência, enquanto a perda aos esforços costuma ter relação mais direta com alterações na sustentação pélvica.

“A urgência urinária está ligada também a hábitos de vida, como o consumo de alimentos muito condimentados, pimenta, temperos, excesso de cafeína e chás. A incontinência urinária de esforço tem mais relação com a flacidez e com a perda da sustentação pélvica.”

A diferenciação entre os quadros deve ser realizada durante a avaliação clínica. Reduzir o problema a um único diagnóstico pode levar a uma conduta inadequada ou insuficiente.

Perda de urina pode limitar a rotina

A incontinência não afeta somente o funcionamento da bexiga. O receio de perder urina em público pode fazer com que a mulher deixe de realizar atividades que antes faziam parte de sua rotina.

Há pacientes que evitam academias, relações sexuais, compromissos profissionais e encontros sociais. Em alguns casos, a perda também pode ocorrer durante a relação sexual ou no ambiente de trabalho, aumentando o constrangimento e a insegurança.

“Isso pode acontecer durante a relação sexual ou no próprio trabalho, deixando a roupa molhada. É realmente muito constrangedor. A longo prazo, pode levar a mulher a não querer trabalhar, ter relação sexual ou ir à academia por medo de perder urina.”

Quando o problema se intensifica, algumas pacientes passam a utilizar absorventes diariamente. A umidade constante na região íntima pode aumentar o desconforto e favorecer irritações, corrimentos e outros sintomas que também precisam ser avaliados.

Vergonha ainda atrasa a procura por atendimento

Queixas relacionadas à perda de urina e à sexualidade ainda são cercadas de tabus. Muitas mulheres convivem com os sintomas por anos por acreditarem que fazem parte do envelhecimento ou que não existem alternativas de tratamento.

A forma como a paciente é recebida pode fazer diferença na identificação do problema. Para a Dra. Camila, a escuta deve reunir conhecimento técnico, acolhimento e ausência de julgamento.

“ É importante avaliar a paciente tanto quanto escutá-la. Não se trata apenas de empatia e humanidade, mas de oferta de tratamento de qualidade, comunicação clara e decisão compartilhada.”

A humanização do atendimento é uma aliada da avaliação médica. Ela permite que a mulher fale com mais liberdade sobre sintomas íntimos, dificuldades sexuais e mudanças que afetam sua qualidade de vida.

Tratamento não se limita à cirurgia

Um dos principais mitos sobre a incontinência urinária é a ideia de que toda paciente precisará passar por uma cirurgia de perineoplastia. Conforme o tipo e o estágio do quadro, diferentes recursos podem ser considerados.

Entre as possibilidades mencionadas pela ginecologista estão a fisioterapia pélvica, medicamentos, controle de peso e, em pacientes selecionadas, tecnologias aplicadas à região íntima. As alternativas podem ser usadas isoladamente ou de forma complementar, sempre após avaliação individual.

“O maior mito é achar que o tratamento é apenas cirúrgico. Existem tratamentos eficazes e menos invasivos, como o laser íntimo e a fisioterapia pélvica.”

A fisioterapia pélvica auxilia a paciente a reconhecer e contrair corretamente a musculatura responsável pela sustentação dos órgãos e pelo controle urinário. Em determinados casos, esse trabalho pode ser associado a outros tratamentos.

“Não adianta estimular o colágeno com o laser se a paciente não sabe fazer a contração da musculatura vaginal. Por isso, há pacientes em que eu associo o laser à fisioterapia. São abordagens que não se excluem.”

Laser íntimo exige indicação individual

O laser íntimo é uma das tecnologias citadas pela Dra. Camila como possibilidade para casos selecionados. A profissional ressalta, no entanto, que o recurso não deve ser indicado indiscriminadamente nem apresentado como solução para todos os graus de incontinência.

Pacientes com alterações mais avançadas podem precisar de outras formas de tratamento. A decisão deve considerar a intensidade dos sintomas, as condições da região pélvica e as limitações de cada alternativa.

“O laser precisa ser bem indicado. Não é correto indicar para uma paciente com a bexiga extremamente caída. Ele deve ser considerado em uma fase na qual o desfecho mais grave ainda não aconteceu.”

A tecnologia também não elimina a necessidade de acompanhamento clínico ou de fortalecimento muscular. A resposta pode variar entre as pacientes, e nenhum procedimento deve ser apresentado como garantia de resultado.

Decisão deve ser compartilhada com a paciente

A escolha do tratamento precisa ser construída com informação clara sobre possibilidades, limites e eventuais riscos. Para Camila, a conduta não deve ser tomada de forma unilateral pelo profissional.

“Eu explico quais opções a paciente tem, as possibilidades de tratamento e decidimos juntas. As minhas condutas são conversadas e bem alinhadas.”

Reconhecer os primeiros sinais e procurar avaliação pode evitar que a perda urinária passe a controlar a rotina da mulher. O tratamento deve ser individualizado e definido de acordo com o diagnóstico, sem normalização do sintoma e sem indicação automática de procedimentos.

Quem é a Dra. Camila Pinheiro

A Dra. Camila Pinheiro Carvalho é ginecologista e obstetra, com trajetória construída entre a prática clínica, o ensino e o serviço público e privado. Além do atendimento a pacientes, atua como professora universitária e preceptora do internato médico, participando da formação de novos profissionais e mantendo contato constante com diferentes realidades da saúde feminina.

Sua atuação inclui o acompanhamento ginecológico, alterações do assoalho pélvico, saúde íntima e cirurgias ginecológicas. No consultório, procura associar conhecimento técnico a uma escuta cuidadosa, especialmente em temas ainda cercados por vergonha, insegurança ou tabu. Para a Dra. Camila, a paciente deve compreender as possibilidades de tratamento e participar das decisões sobre o próprio cuidado.

CRM: 23327/DF | RQE Nº: 20529