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Estética íntima vai além da aparência e impacta a qualidade de vida

Ginecologista Danielle Beran explica como a ginecologia regenerativa íntima pode aliviar desconfortos, romper tabus e melhorar o bem-estar feminino.

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24/03/2026 • 16:20 • Atualizado em 24/03/2026 • 16:20

Estética íntima vai além da aparência e impacta a qualidade de vida

Estética íntima vai além da aparência e impacta a qualidade de vida

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Durante muito tempo, falar sobre incômodos na região íntima foi tratado como exagero, vaidade ou assunto proibido. Mas, para muitas mulheres, especialmente após os 40 anos, mudanças como ressecamento vaginal, perda urinária aos pequenos esforços, flacidez local, desconforto na relação sexual e insegurança com o próprio corpo têm impacto direto na autoestima, na rotina e na qualidade de vida.

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Nesse contexto, a ginecologia regenerativa íntima vem ganhando espaço por propor um olhar que vai além da estética. Apesar do nome ainda causar estranhamento em parte do público, a proposta dessa área também envolve funcionalidade, conforto e saúde íntima.

“A gente chama de medicina estética íntima, mas a parte ginecológica é muito mais funcional e muito mais profunda. É uma região que não se vê no dia a dia, mas mexe demais com a vida da mulher. Muitas vezes, não é só uma questão estética: existe desconforto, existe impacto na sexualidade, existe vergonha, existe sofrimento silencioso”, explica a médica.

O que é a ginecologia regenerativa íntima

A ginecologia regenerativa íntima reúne abordagens clínicas e procedimentos voltados para melhorar a saúde dos tecidos da região genital feminina, sobretudo em fases em que há mudanças hormonais mais marcantes, como o climatério e a menopausa.

Na prática, isso pode incluir recursos indicados para queixas como ressecamento vaginal, perda de elasticidade, desconforto local, dor na relação sexual, redução da lubrificação e perdas urinárias leves. A indicação, no entanto, depende da avaliação individual de cada paciente.

“O que eu mais faço no consultório é atender mulheres que chegam dizendo: ‘eu não estou me reconhecendo’. Elas falam que engordaram, que perderam a libido, que o cabelo caiu, que a região íntima mudou, que a relação sexual já não é a mesma. Muitas não entendem o que está acontecendo com o próprio corpo e isso gera medo, angústia e uma sensação de perda de identidade”, relata.

Quando a queixa não é só estética

Um dos pontos mais enfatizados pela especialista é que nem toda procura por tratamento íntimo está relacionada à aparência. Muitas pacientes convivem com desconfortos reais por anos, sem sequer levar o assunto ao consultório.

Entre as queixas mais comuns estão a secura vaginal, o incômodo na relação sexual e a perda de urina em situações simples do cotidiano, como tossir, espirrar, rir ou praticar atividade física.

“Muitas mulheres chegam constrangidas porque começam a perder urina aos pequenos esforços. Outras dizem que a lubrificação já não é mais a mesma, que a relação sexual incomoda, que precisam usar lubrificante e, ainda assim, não fica bom. São situações que afetam a autoconfiança, a vida afetiva e até momentos profissionais, porque às vezes essa mulher está numa reunião, espirra e passa por um constrangimento que parece pequeno, mas para ela é enorme”, afirma.

Como esses tratamentos atuam

Os recursos utilizados na ginecologia regenerativa variam conforme a necessidade de cada paciente. Alguns atuam estimulando a produção de colágeno, melhorando a qualidade dos tecidos e favorecendo mais sustentação, elasticidade e hidratação da região íntima. Outros podem ser indicados para melhorar o tônus local e auxiliar em sintomas urinários leves.

Há também abordagens voltadas para alterações anatômicas que causam desconforto funcional ou emocional.

A médica explica que existem tecnologias baseadas em calor controlado, estímulo tecidual e remodelação local, sempre com indicação individualizada.

“Hoje a gente já dispõe de recursos que estimulam o tecido íntimo, melhoram a qualidade dessa mucosa, ajudam na lubrificação e podem trazer benefícios para sintomas que antes eram vistos como algo que a mulher simplesmente tinha que aceitar. Claro que cada caso precisa ser examinado com cuidado, porque não existe procedimento universal nem solução pronta”, pontua.

Labioplastia e outros procedimentos

Entre os procedimentos mais conhecidos está a labioplastia, cirurgia indicada em casos selecionados de hipertrofia dos pequenos lábios, quando essa anatomia provoca incômodo com roupas, atividade física, relações sexuais ou até infecções de repetição em algumas pacientes.

A especialista destaca que a avaliação precisa considerar não apenas a anatomia, mas também o impacto funcional e emocional relatado pela mulher.

“Muitas pacientes me dizem: ‘eu sempre detestei isso, mas nunca ninguém me perguntou’. E isso me impressiona até hoje. Porque, muitas vezes, essa mulher ouviu durante anos que era assim mesmo, que não tinha jeito, que precisava aceitar. Só que, em alguns casos, há desconforto físico, há impacto na sexualidade e há um sofrimento subjetivo que não pode ser tratado com descaso”, diz.

Ela observa ainda que procedimentos como clareamento e preenchimento íntimo também existem, mas não devem ser tratados de forma banalizada ou como imposição estética.

“Não é para agradar ninguém. Quando a mulher busca esse cuidado de forma consciente, com boa indicação e entendimento do que quer, isso pode estar ligado à autoestima, à segurança e ao conforto dela com o próprio corpo. O problema é quando esse tema é tratado com julgamento ou superficialidade”, acrescenta.

O tabu ainda é um dos maiores obstáculos

Apesar do avanço das técnicas e da maior circulação de informação sobre saúde da mulher, o tabu continua sendo um dos principais entraves. Segundo a médica, muitas pacientes demoram anos para falar sobre a própria região íntima, mesmo quando o desconforto já interfere claramente no bem-estar.

“Na maioria das vezes, elas não chegam falando disso. É preciso perguntar, abrir espaço e acolher. Quando eu examino e converso, muitas respondem: ‘eu sempre senti isso, mas nunca trouxe esse assunto’. Ainda existe vergonha, ainda existe medo de ser julgada e ainda existe a ideia de que a mulher precisa suportar certas mudanças em silêncio”, afirma.

Informação segura e expectativa realista

A especialista também chama atenção para o risco de banalização do tema nas redes sociais, onde procedimentos íntimos podem ser apresentados de forma simplificada ou excessivamente comercial.

Para ela, o principal cuidado é não transformar uma área delicada da medicina em promessa rápida ou em resposta padronizada.

“Eu explico muito às pacientes que não existe receita de bolo. Cada mulher é uma mulher. O que serve para uma pode não servir para outra. O tratamento precisa ser personalizado, com exame, conversa, entendimento da rotina e das queixas reais. Quando a paciente entende o que está acontecendo, ela consegue escolher com mais consciência e menos medo”, destaca.

Quem pode buscar avaliação

Mulheres com ressecamento, dor ou desconforto na relação sexual, perda urinária leve, alterações na lubrificação, flacidez local, incômodo anatômico ou sofrimento emocional relacionado à região íntima podem procurar avaliação ginecológica.

Isso não significa que todas serão candidatas a procedimentos. Em muitos casos, a melhor conduta pode envolver acompanhamento clínico, mudança de hábitos, tratamento hormonal quando indicado ou uma combinação de estratégias.

A médica reforça que a decisão deve ser sempre individualizada.

“O mais importante é a mulher entender que não precisa tratar isso como futilidade, mas também não deve cair em modismos. Nem tudo é para todo mundo. O caminho seguro é procurar um profissional capacitado, entender o que está acontecendo no corpo e decidir de forma livre e consciente”, conclui.

Quem é Danielle Beran

Danielle Beran é médica ginecologista atuante no Rio de Janeiro, com foco na saúde da mulher a partir dos 40 anos. Formada em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), fez residência em Ginecologia e Obstetrícia e, ao longo da trajetória, aprofundou a formação em áreas como medicina fetal, ultrassonografia, reposição hormonal, obesidade, sarcopenia e tricologia.

Parte importante de sua trajetória profissional foi construída na França, onde permaneceu por seis anos estudando medicina fetal. Ao retornar ao Brasil, passou a atuar fortemente com ultrassonografia e, mais tarde, ampliou o olhar clínico para um atendimento voltado à mulher de forma mais integrada, reunindo ginecologia, climatério, menopausa, emagrecimento, saúde hormonal e ginecologia regenerativa íntima.

Hoje, seu trabalho é direcionado principalmente às mulheres 40+, com uma proposta de cuidado individualizado, baseada em escuta, personalização terapêutica e atenção aos impactos físicos, hormonais e emocionais do envelhecimento feminino.

CRM 621986 | RQE 18291/18292

Instagram: @dradanielleberanSite: https://dradanielleberan.com.br/

Fotos: Dani Justus

Fotos: Dani Justus

Nota ao leitor

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos por profissional habilitado após avaliação individual. Não há promessa de resultado; cada caso depende de fatores clínicos e do plano terapêutico indicado.