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Estreito de Hormuz: conflito pode pressionar preços no Vale do Paraíba

Economista afirma que restrições na principal rota de transporte de petróleo do mundo podem encarecer combustíveis, fertilizantes, alimentos e aumentar os custos de produção e exportação na região.

REDAÇÃO BAND VALE
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13/07/2026 • 16:03 • Atualizado em 13/07/2026 • 16:06

Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz

REUTERS/Stringer

O fechamento do Estreito de Hormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e derivados no mundo, pode trazer reflexos diretos para a economia brasileira e para o Vale do Paraíba. A avaliação é do economista Luiz Carlos Laureano, que alerta para o aumento dos custos logísticos, da inflação e dos impactos sobre a indústria regional.

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Segundo o especialista, a interrupção da passagem obriga navios a utilizarem rotas alternativas, mais longas e caras, elevando o custo do transporte internacional.

"Você vai ter que ter rotas alternativas, e rotas alternativas mais caras. Isso aumenta o tempo de viagem e o custo de transporte para as cargas que vão chegar aqui no país."

Para o economista, um dos setores mais afetados será o de fertilizantes. Como o Brasil depende da importação desses produtos, o aumento dos custos tende a ser repassado ao consumidor.

"Nós temos um problema muito sério, que é a escassez e a disparada nos preços dos fertilizantes. O Brasil depende muito da importação e, ficando mais caro, tem que repassar esse preço para o consumidor. Aí nós temos realmente um problema de inflação."

Laureano também destaca que os efeitos podem atingir o mercado de combustíveis. Embora o Brasil seja produtor de petróleo, o país ainda importa parte dos combustíveis refinados, o que o torna vulnerável às oscilações dos custos internacionais.

Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz | Créditos: Reuters

Impactos no Vale do Paraíba

Na avaliação do economista, o Vale do Paraíba também deve sentir os efeitos da crise, já que concentra importantes polos industriais voltados aos setores automotivo, aeroespacial e de autopeças, fortemente dependentes de matérias-primas importadas e da logística internacional.

"A região tem fábricas de carros, autopeças e aviões que dependem de combustível e derivados petroquímicos. O custo de fabricar e transportar os produtos vai disparar."

Segundo Laureano, o aumento dos custos de produção deve chegar ao consumidor por meio do reajuste dos preços de diversos produtos. Sendo que alimentos e produtos em geral vão ficar mais caros.

Além das importações, o economista afirma que as exportações brasileiras podem sofrer impactos com a alta do frete marítimo.

Para exportar, vai haver uma elevação no custo do frete marítimo. Você perde competitividade e acaba concorrendo em desvantagem com outros países.

Ele cita produtos como carne, milho e petróleo bruto entre aqueles que podem enfrentar dificuldades para manter espaço no mercado internacional.

Alimentos podem sofrer novos reajustes

Laureano ressalta ainda que o transporte rodoviário, predominante no Brasil, depende diretamente do diesel. Caso os combustíveis fiquem mais caros, o efeito deverá chegar rapidamente aos preços dos alimentos.

Os alimentos são transportados por caminhões. Se o petróleo subir, esse aumento será repassado ao consumidor. A tendência é que os alimentos tenham realmente um aumento e isso prejudique o poder de compra do brasileiro.

O economista avalia que os impactos da crise podem ocorrer de forma gradual, mas alerta que, caso as restrições no Estreito de Hormuz persistam, os reflexos tendem a se intensificar nos próximos meses, pressionando a inflação e os custos para consumidores e empresas.

Alta no petróleo

O mercado global de petróleo opera em forte alta nesta segunda-feira (13) devido ao agravamento da crise geopolítica no Oriente Médio. Os contratos futuros das principais referências da commodity registram valorização superior a 4% logo nas primeiras horas de negócios, impulsionados por ataques militares mútuos e ameaças severas às linhas de abastecimento internacional.

O barril de petróleo do tipo Brent, utilizado como referência internacional, apresenta avanço aproximado de 4,3%, sendo negociado na faixa de US$ 79,35 a US$ 79,59. Paralelamente, o West Texas Intermediate (WTI), indicador de referência para o mercado norte-americano, opera com alta de 4,1%, cotado entre US$ 74,20 a US$ 74,47 por barril.

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