Band Vale

Fábio Thadeu Ferreira diz que urinar mal pode indicar aumento da próstata

Urologista explica quais sintomas merecem atenção e quando o HoLEP pode ser considerado no tratamento da hiperplasia benigna.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

07/08/2026 • 14:35 • Atualizado em 07/08/2026 • 14:35

Fábio Thadeu Ferreira diz que urinar mal pode indicar aumento da próstata

Fábio Thadeu Ferreira diz que urinar mal pode indicar aumento da próstata

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Acordar várias vezes durante a noite para urinar, perceber o jato mais fraco ou precisar fazer esforço para esvaziar a bexiga são sinais que muitos homens associam ao envelhecimento. Embora se tornem mais frequentes com o avanço da idade, essas alterações não devem ser incorporadas à rotina como algo inevitável.

Compartilhar

Os sintomas podem estar relacionados à hiperplasia benigna da próstata, condição caracterizada pelo crescimento não cancerígeno da glândula. Como a próstata envolve a parte inicial da uretra, seu aumento pode comprimir o canal urinário e dificultar a passagem da urina.

Segundo o urologista Fábio Thadeu Ferreira, a evolução costuma ser lenta. Por essa razão, alguns pacientes modificam hábitos, reduzem atividades e convivem com o desconforto durante anos antes de procurar atendimento.

“O mais importante é não esperar que a dificuldade se torne incapacitante. Quando o homem percebe uma mudança persistente no padrão urinário, já existe uma razão legítima para investigar, mesmo que ele ainda consiga manter a rotina”, explica.

Quais sintomas devem ser investigados

Entre os sinais mais frequentes estão a redução da força do jato urinário, a demora para começar a urinar, a necessidade de fazer esforço, a sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e o aumento das idas ao banheiro.

A interrupção repetida do sono também merece atenção. Além do incômodo urinário, acordar várias vezes durante a madrugada pode prejudicar o descanso, a concentração, a disposição e o rendimento profissional.

Nos quadros mais avançados, a obstrução pode provocar retenção urinária, situação em que o paciente deixa de eliminar a urina adequadamente. Também podem ocorrer alterações no funcionamento da bexiga e, em determinadas circunstâncias, repercussões sobre os rins.

“A bexiga consegue se adaptar por bastante tempo, aumentando a força necessária para vencer a obstrução. Essa compensação, no entanto, tem um limite. Quando a musculatura perde eficiência, o quadro pode se agravar de maneira mais rápida e exigir medidas como o uso de sonda urinária”, afirma Dr. Fábio.

Hiperplasia, prostatite e câncer são condições diferentes

A hiperplasia benigna da próstata não deve ser confundida com prostatite ou câncer de próstata.

A prostatite é um processo inflamatório, muitas vezes relacionado a uma infecção. Pode provocar dor na região entre o escroto e o ânus, desconforto durante a ejaculação, ardência ao urinar e, em alguns casos, sangramento.

O câncer de próstata, por sua vez, resulta do crescimento descontrolado de células e pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. A ausência de alterações urinárias, portanto, não descarta a doença. Da mesma forma, a presença desses sintomas não confirma um diagnóstico oncológico.

“As três condições envolvem a próstata, mas têm origens, comportamentos e tratamentos diferentes. A avaliação médica permite compreender não apenas o nome da doença, mas também seu estágio, sua repercussão no organismo e a melhor forma de conduzir cada caso”, esclarece o urologista.

Cafeína pode intensificar a vontade de urinar

Alguns hábitos podem agravar os sintomas urinários, embora não sejam responsáveis pelo crescimento da próstata.

A cafeína estimula a produção de urina e pode aumentar a atividade da bexiga, especialmente em pessoas mais sensíveis. Café, bebidas energéticas, alguns refrigerantes e chocolate estão entre as fontes da substância.

A hidratação adequada, por outro lado, contribui para o funcionamento do trato urinário. Quando o paciente apresenta muitas idas ao banheiro durante a noite, a distribuição do consumo de líquidos ao longo do dia também deve ser observada.

“As orientações precisam ser compatíveis com a rotina e com as condições de saúde de cada paciente. Restringir líquidos de forma indiscriminada pode ser inadequado, assim como consumir grandes volumes perto do horário de dormir. O equilíbrio depende de uma avaliação individual”, explica Ferreira.

Quando a cirurgia pode ser indicada

Nem todo paciente com aumento da próstata precisa ser submetido a uma cirurgia. A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas, do impacto na qualidade de vida, da resposta aos medicamentos e da presença de possíveis complicações.

Nos quadros mais leves, o acompanhamento e o tratamento clínico podem ser suficientes. Quando a obstrução se torna mais significativa, os medicamentos deixam de controlar os sintomas ou surgem prejuízos ao funcionamento da bexiga, uma intervenção pode ser considerada.

A decisão deve ser individualizada e compartilhada com o paciente, levando em conta idade, estado geral de saúde, características da próstata, expectativas e prioridades pessoais.

“O exame mostra uma parte do problema, mas não conta toda a história. Dois pacientes com próstatas de tamanho semelhante podem apresentar sintomas, riscos e necessidades completamente diferentes. Por isso, a indicação não deve ser automática”, ressalta o urologista.

Essa análise também exige escuta. Medos relacionados à incontinência, à função sexual e ao próprio exame urológico ainda fazem parte da experiência de muitos homens e podem retardar a procura por atendimento. Uma consulta organizada, com tempo para esclarecimentos e participação do paciente nas decisões, ajuda a reduzir inseguranças sem minimizar os riscos envolvidos.

Como funciona o HoLEP

Uma das técnicas utilizadas no tratamento cirúrgico da hiperplasia benigna da próstata é o HoLEP, sigla em inglês para enucleação da próstata com laser de hólmio.

O procedimento é realizado pelo canal urinário, sem corte externo. O laser permite separar a parte interna aumentada da próstata, responsável pela obstrução. Em seguida, esse tecido é levado até a bexiga, fragmentado e retirado.

A porção externa da próstata permanece no organismo. O objetivo é ampliar o espaço disponível para a passagem da urina e reduzir o esforço exigido da bexiga.

“A técnica trata a região que está provocando a obstrução sem remover toda a glândula. Essa distinção é essencial para que o paciente compreenda por que o HoLEP é diferente de uma cirurgia realizada para o câncer de próstata”, explica Ferreira.

O procedimento pode ser considerado em próstatas de diferentes tamanhos. A indicação, no entanto, depende das condições clínicas do paciente, da avaliação do cirurgião e da estrutura disponível para sua realização.

Tratamento da hiperplasia é diferente da cirurgia do câncer

Um dos principais receios dos pacientes é que qualquer cirurgia na próstata cause impotência ou incontinência urinária. Esse temor costuma surgir da confusão entre o tratamento da hiperplasia benigna e a cirurgia indicada para o câncer.

Na hiperplasia, o objetivo é remover ou reduzir a parte interna que dificulta a passagem da urina. Na cirurgia oncológica, a próstata inteira e estruturas associadas podem ser retiradas.

Por esse motivo, os possíveis efeitos sobre ejaculação, continência e função sexual não são iguais em todos os procedimentos.

“Quando o paciente entende qual estrutura será tratada, por que ela precisa ser abordada e quais funções podem ser afetadas, o medo deixa de ser uma ideia vaga. A informação permite que ele participe da decisão com mais segurança e menos ansiedade”, afirma Dr. Fábio Ferreira.

Como costuma ser a recuperação

Por ser realizado pelo canal urinário, o HoLEP é considerado um procedimento minimamente invasivo. Alguns pacientes podem permanecer temporariamente com uma sonda urinária após a cirurgia.

Ardência, aumento da frequência urinária e presença de sangue na urina podem ocorrer no período inicial, de acordo com a evolução de cada pessoa. O acompanhamento médico é necessário para observar a recuperação e orientar o retorno às atividades.

Nenhuma técnica, contudo, deve ser apresentada como isenta de riscos ou como garantia de resultado.

“A boa prática médica exige transparência. O profissional precisa explicar o benefício esperado, as limitações da técnica e as possíveis intercorrências, sem criar expectativas que não podem ser asseguradas”, destaca o urologista.

Diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento

Procurar atendimento ainda no início dos sintomas pode evitar que a dificuldade urinária comprometa de maneira mais significativa o sono, o trabalho e o funcionamento da bexiga.

Para Dr. Fábio, o cuidado com a saúde masculina precisa deixar de ocorrer apenas diante de uma urgência. A resistência ao exame, a vergonha de falar sobre sexualidade e a ideia de que procurar ajuda representa fragilidade ainda afastam parte dos pacientes do consultório.

“A prevenção começa quando o homem deixa de procurar o médico somente em situações de urgência. Cuidar da saúde de forma regular permite identificar mudanças mais cedo e escolher condutas de maneira planejada, respeitando a qualidade de vida”, conclui.

Quem é Fábio Thadeu Ferreira

Mineiro de nascimento e criado em São Sebastião do Paraíso, Fábio Thadeu Ferreira mudou-se para Campinas para cursar Medicina na Universidade Estadual de Campinas, onde iniciou sua formação acadêmica e cirúrgica.

Após a graduação, realizou residência em Cirurgia Geral e, posteriormente, em Urologia. O interesse pela especialidade surgiu durante a formação cirúrgica, atraído pela amplitude da área, que reúne atendimento clínico, oncologia, procedimentos de alta complexidade e incorporação de novas tecnologias.

Sua trajetória profissional foi construída entre o serviço público, o consultório, o centro cirúrgico e o ensino. Atualmente, coordena a Urologia do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, e atua na formação de estudantes e médicos residentes.

Na docência, procura aproximar o conteúdo acadêmico da prática hospitalar, utilizando casos clínicos e o contato direto com pacientes para estimular raciocínio, responsabilidade e compreensão das diferentes realidades sociais. Para Ferreira, formar um médico exige mais do que transmitir domínio técnico: envolve desenvolver capacidade de escuta, julgamento e compromisso com o cuidado.

Sua atuação inclui tratamentos minimamente invasivos, cirurgia robótica e procedimentos destinados à hiperplasia benigna da próstata. No atendimento, defende decisões compartilhadas, explicações claras e tempo compatível com a necessidade de cada paciente, sobretudo em temas cercados por medo, constrangimento e tabus relacionados à saúde masculina.

CRM: 115801/SP - RQE Nº: 39172, 39173Instagram: @dr.fabio.ferreira

Site: https://urologistafabioferreira.com.br

Tópicos relacionados