
Família joseense troca rotina por jornada de Kombi até o Alasca
Reprodução: @caceseurumo
O cansaço de uma rotina resumida a “trabalhar para comer e pagar aluguel” em São José dos Campos foi o ponto de virada na vida de Betto e Edilaine. Apaixonados por viagens desde antes da pandemia, o casal decidiu transformar um hábito de fim de semana em um novo estilo de vida.
Apesar do objetivo final ser o Alasca, o casal prefere dar um passo de cada vez. O destino atual é o Deserto do Atacama.
“Sempre gostamos de viajar. A gente ia de carro, fazia acampamento e até dormia dentro do carro, mas era algo de um ou dois dias”, contam. Com o aumento do custo de vida na cidade e a renda estagnada, veio a insatisfação: “Praticamente, a gente trabalhava para comer e pagar aluguel. Não era o nosso sonho, era só pagar conta”.
A virada começou após assistirem a vídeos de um casal que vivia em uma Kombi. “Eu falei: ‘Beto, do céu, olha isso’”, lembra Edilaine. Na época, eles tentavam vender o carro da família, um Meriva, e decidiram arriscar: “Falamos: ‘Vamos tentar trocar na Kombi’. E deu certo”.
Em dezembro de 2023, a troca foi concluída e começou a construção da nova casa sobre rodas. Sem experiência em marcenaria, o casal colocou a mão na massa. “Como não tínhamos dinheiro para pagar alguém, decidimos fazer tudo. Fomos aprendendo na internet, perguntando, testando”, explicam. Com o apoio das ferramentas do pai de Betto, soldador, a Kombi foi sendo adaptada aos poucos, em um processo que levou cerca de dois anos.
Durante esse período, eles fizeram pequenas viagens para testar o veículo. “A gente ia ajustando tudo: o que dava certo, o que precisava melhorar. E até hoje seguimos adaptando”, dizem.
"Uma van ou ônibus estava fora do nosso orçamento. E a Kombi tem um charme… é uma máquina de fazer amigos. Onde a gente chega, as pessoas se aproximam”, afirmam.
Hoje, vivendo na estrada, a família também aprendeu a desacelerar. “A Kombi vai no máximo a 80 km/h, então não tem pressa. E a gente já está em casa, mesmo em trânsito”, dizem.
O sustento vem de diferentes fontes: venda de artesanato, parcerias em redes sociais e trabalhos temporários. “A gente vende macramê, tererê, faz freelance em restaurante, pousada… e tenta monetizar nossas redes, que é um grande sonho”, explicam.
O que começou com desconfiança da família logo se transformou em apoio. “No começo, achavam que era só uma fase. Mas, quando viram a gente superando os desafios, passaram a apoiar muito”.
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